Quem tem olhos verdes faz parte de um grupo raro e pode ter tons diferentes conforme a luzPor Janderson Luiz
4 min de leitura
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Olhos verdes aparecem em cerca de 2% da população mundial, segundo a Academia Americana de Oftalmologia, o que coloca essa cor entre as mais raras do planeta. A raridade tem explicação científica, e ela começa por um detalhe que surpreende: a íris verde não tem pigmento verde.
A cor dos olhos depende sobretudo da quantidade de melanina na íris. Muita melanina produz olhos castanhos, presentes em mais da metade da população mundial. Pouca melanina gera olhos azuis, e o verde fica no meio desse caminho, o que exige uma combinação específica de fatores.
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Olhos verdes não têm pigmento verde na íris
Julie Kaplan, médica do Cleveland Clinic, explica que o verde depende de um pigmento amarelado chamado lipocromo, o mesmo que dá cor à gema do ovo e à manteiga. Ele se soma a um pouco de pigmento castanho claro.
Sozinhos, esses pigmentos não bastam. A luz entra na íris, se espalha dentro dela e realça o tom esverdeado. Como o resultado depende da iluminação e do que está ao redor, os olhos podem parecer diferentes em ambientes distintos.
Genoma tem mais de 60 regiões ligadas à cor dos olhos
Durante muito tempo se acreditou que um ou dois genes definiam a cor dos olhos. Um estudo publicado em 10 de março de 2021 na revista Science Advances, liderado pelo King’s College London e pelo Erasmus MC, da Holanda, analisou quase 193 mil pessoas de origem europeia, de dez populações.
Os pesquisadores encontraram 61 regiões do genoma associadas à cor, e 50 delas nunca tinham sido identificadas. Parte dos genes atua sobre a melanina, e outra parte sobre a estrutura da íris.
Segundo os autores, as variantes conhecidas explicam cerca de 53% da variação da cor. Um dos coautores, Manfred Kayser, da Erasmus MC, afirma que a previsão a partir do DNA segue limitada para tons que não são castanhos nem azuis.
Gene OCA2 responde por cerca de 75% da cor dos olhos
Segundo a médica Julie Kaplan, cerca de 75% da cor dos olhos se deve ao gene OCA2, que produz melanina. O gene HERC2 funciona como um interruptor e liga ou desliga a atividade dele. Pelo menos outros oito genes também participam.
Quem herda duas cópias não funcionais do OCA2 tende a ter olhos azuis. Com ao menos uma cópia funcional, os olhos ficam mais escuros, na faixa do verde, da avelã ou do castanho.
Por isso a cor dos olhos se comporta como outros traços complexos. O estudo de 2021 a compara à cor do cabelo e da pele, que também dependem de muitos genes ao mesmo tempo.
Nos Estados Unidos, o verde aparece em 9% das pessoas
Uma pesquisa de 2014 da Academia Americana de Oftalmologia, com mais de 2 mil americanos, mostrou esta distribuição:
- Castanhos: 45%
- Azuis: 27%
- Avelã: 18%
- Verdes: 9%
- Outras cores: 1%
Entre as quatro cores principais, o verde é a menos comum também nos Estados Unidos.
Olhos violeta e vermelhos surgem em casos de albinismo
Algumas cores aparecem apenas em casos raros. Pessoas com albinismo, condição em que há pouca ou nenhuma produção de melanina, podem ter olhos violeta. Nesses casos, os vasos sanguíneos do fundo do olho ficam visíveis e dão essa tonalidade.
Outra variação é a heterocromia, em que cada olho tem uma cor. Ela costuma ser genética, mas em adultos pode surgir por causa de glaucoma ou de tumores oculares.
Estima-se que, há cerca de 10 mil anos, todos os humanos tivessem olhos castanhos. Por isso, prever a cor de um bebê a partir dos pais continua difícil, sobretudo para tons que não são castanhos nem azuis.















