51% dos líderes e 62% dos liderados têm dúvidas sobre o rumo profissionalPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
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Quem ocupa cargos de comando também hesita sobre o próprio futuro profissional, e a dúvida alcança as equipes na mesma medida. A 9ª edição da pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, feita pela The School of Life Brasil em parceria com a consultoria Robert Half, aponta que 51% dos líderes e 62% dos liderados têm dúvidas ou enfrentam dificuldades para definir seus rumos profissionais.
Apenas 49% dos gestores e 38% dos profissionais liderados dizem ter clareza total sobre o que querem construir na carreira. Sem metas definidas, parte dos trabalhadores aceita funções pela facilidade de acesso imediato, sem ligação com vocação ou planos de longo prazo.
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Por que a falta de rumo pesa no ambiente de trabalho
A pesquisa mostra que metade dos gestores (50%) e 57% dos liderados oscilam entre ter razoável clareza e sentir alguma dificuldade para pensar no futuro da função. No extremo oposto, 1% das lideranças e 5% dos subordinados afirmam achar muito difícil responder ou não costumam refletir sobre os próximos passos da carreira.
Giselle Welter, doutora em psicologia e mentora de carreiras, é diretora de tecnologia da RH99. Para ela, a indefinição nasce da forma como as pessoas são contratadas. Segundo Welter, “muitas escolhas são feitas ou por conveniência ou é a oportunidade que o braço alcança naquele momento”. A especialista diz que começar uma trajetória por uma vaga acessível é comum e compreensível, mas a permanência longa sem um horizonte definido costuma trazer desmotivação e sensação de estagnação.
Emilia Veloso, docente da área corporativa da The School of Life e ex-executiva, avalia que o conflito vocacional costuma começar na juventude. Nesse período, segundo ela, as expectativas de familiares, colegas e professores pesam mais do que as preferências do estudante. Veloso acumulou três décadas de passagens executivas por BRF, Disney, Amazon e Ri Happy antes de se dedicar à docência acadêmica.
“Nos perguntam o que queremos fazer quando crescermos, como se pudéssemos escolher um caminho só. Quando chega a hora de decidir, a deliberação é influenciada por familiares, colegas, professores. O que eles acham que é uma carreira boa. Não somos estimulados a pensar sobre quem eu quero ser, o que faz sentido pra mim”, afirmou Veloso ao analisar o comportamento dos trabalhadores brasileiros diante das pressões sociais por sucesso.
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Porcentuais da 9ª edição: quem tem clareza sobre a carreira
O levantamento ouviu profissionais de nível superior em todo o território nacional, com recorte de idade e de função. Os números consolidados da pesquisa estão listados abaixo.
- Amostra: 774 profissionais de nível superior com 25 anos ou mais, sendo 387 líderes e 387 liderados
- Período de coleta: julho de 2026, com participantes de todo o território nacional
Levantamento acompanha saúde mental no trabalho desde 2021
A primeira versão da pesquisa foi apresentada em 2021 pela The School of Life, com a Robert Half, consultoria de recrutamento executivo. Nos anos seguintes, o indicador apontou descompasso na satisfação no trabalho, com índices médios de infelicidade de cerca de 28% entre gestores e de 26% entre liderados nas empresas acompanhadas.
Projeções citadas na análise indicam que o aumento da expectativa de vida altera os ciclos tradicionais de carreira. Segundo essas estimativas, uma pessoa contemporânea teria condições de desenvolver até três carreiras completas na vida adulta. Esse cenário reduz a necessidade de permanecer em ocupações que geram frustração constante.
O relatório consolidado da 9ª edição não traz a divisão percentual isolada entre quem tem razoável clareza e quem enfrenta um pouco de dificuldade. Os pesquisadores agruparam as duas classificações no mesmo bloco de indicadores.
Passos sugeridos por especialistas antes de trocar de função
Para lidar com o desconforto, as especialistas recomendam começar identificando a origem do estresse, que pode vir da falta de autonomia, de choque de valores com a liderança ou de tarefas apenas operacionais. Dores de cabeça frequentes, sonolência durante o dia e suor nas mãos são sinais de sobrecarga, segundo as entrevistadas.
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“Um dos maiores erros é a gente não prestar atenção no nosso incômodo e o que ele realmente significa”, destacou Emilia Veloso. Para ela, promoções ou bônus costumam trazer alívio momentâneo, mas não resolvem a falta de propósito quando o profissional segue em desacordo com as próprias habilidades.
Em mudanças de função, Giselle Welter sugere cautela e planejamento que levem de 1 a 2 anos. Nesse intervalo, a recomendação é investir em qualificação técnica, formar reserva financeira e ampliar contatos profissionais, evitando rupturas bruscas de contrato antes de um novo destino estar consolidado.
Datas-limite de inscrição em estágios e vagas corporativas
Quem busca recolocação ou estágio precisa observar os prazos de processos seletivos abertos no país. Três programas aparecem na lista de datas a seguir.
- Aché Laboratórios: recebe candidaturas até 3 de novembro de 2026 para o programa de estágio corporativo e industrial, voltado a estudantes com previsão de formatura entre fevereiro de 2028 e fevereiro de 2029
- Agibank: encerra as inscrições em 6 de novembro de 2026 para o programa de estágio de 2027, com 30 vagas nas áreas administrativa, mercado financeiro, dados e tecnologia
- iFood: as inscrições do Programa Eleva PcD encerraram em 13 de outubro de 2026, para contratação CLT em modelo híbrido e remoto de analistas seniores de negócios e desenvolvedores de software com experiência mínima de 4 anos
O processo seletivo do iFood tinha como foco a inclusão de pessoas com deficiência. O vice-presidente de Pessoas da companhia, Raphael Bozza, acompanhou o encerramento das inscrições em 13 de outubro de 2026, marcando o fechamento das vagas especializadas da empresa.
















