Sinais de alerta do câncer de mama masculino que pedem consulta em 2026Por Luís Pereira
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Diagnósticos em estágio III ou IV representam 62,29% dos casos de câncer de mama em homens no país. O dado faz parte de um levantamento divulgado em outubro de 2026 pela Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), com base em registros hospitalares do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A demora na procura por atendimento é apontada como a principal causa do quadro avançado.
O câncer de mama masculino é raro, mas existe. Os homens têm tecido e ductos mamários atrás da aréola, a área mais escura ao redor do bico do peito. Mesmo menores que os do corpo feminino, essas estruturas podem originar um tumor maligno. “O grande desafio é que muitos homens demoram a procurar atendimento”, afirmou Cristiano Resende, oncologista da Oncoclínicas.
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Metástase aparece em 29,95% dos homens no diagnóstico
O levantamento cruzou 2.126 registros de câncer de mama masculino entre 2020 e 2023, dentro de um total superior a 163 mil casos da doença. A SBRT afirma que a doença representa menos de 1% dos casos, mas nos registros analisados a participação masculina foi de 1,30%. O estágio de um tumor mostra a extensão da doença, o tipo do tumor e sua relação com o organismo.
- Estágio IV, com metástase: 29,95% dos homens, contra 26,42% das mulheres
- Estágio I: 3,41% dos homens, contra 5,45% das mulheres
- Faixa etária de maior incidência: a partir dos 60 anos
- Sobrevida relativa em cinco anos: acima de 80% em todos os estágios, podendo passar de 95% quando o tumor fica restrito à mama
Quem tem mais chance de adoecer e por quê
A ideia de que o tumor de mama atinge só mulheres afasta muitos homens dos consultórios. Alguns relatam constrangimento em salas de espera de clínicas de imagem, quase sempre ocupadas por mulheres, e evitam comentar o diagnóstico com conhecidos.
Além da idade, a ciência identifica condições clínicas e hereditárias que elevam o risco. Histórico familiar de câncer de mama ou de ovário e mutações herdadas, sobretudo no gene BRCA2, ligado à reparação do DNA celular, aumentam a probabilidade de adoecer. Resende também cita obesidade, alterações hormonais e algumas doenças do fígado, além da síndrome de Klinefelter, condição genética rara em que o homem nasce com um cromossomo X extra.
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Mesmo sem casos na família ou doenças prévias, o homem deve observar o próprio corpo. Resende disse que muitos homens diagnosticados não apresentam nenhum fator de risco conhecido. O mastologista Alcides Giacon acrescenta o uso de hormônios sem indicação médica e a radioterapia na região do tórax entre os fatores citados, e afirma que a demora vem mais do desconhecimento do que de resistência.
Caroço, mamilo e secreção com sangue pedem consulta
Os órgãos de saúde não recomendam mamografia periódica de rotina para todos os homens, como ocorre com as mulheres. A orientação central é conhecer o próprio corpo e buscar avaliação médica diante de qualquer alteração persistente na região do peito.
Denise Ferreira, rádio-oncologista e diretora de comunicação da SBRT, afirmou que a presença de caroços, alterações no mamilo ou secreção, especialmente com sangue, deve ser investigada. Resende acrescenta a retração do mamilo, mudanças no formato ou na aparência da mama, feridas que não cicatrizam e alterações na pele.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Câncer de Mama, do Ministério da Saúde, define os critérios de encaminhamento na rede de atendimento. Os principais pontos são estes:
- Nódulo: costuma surgir perto do mamilo e, na maioria das vezes, não dói, o que leva muitos pacientes a adiar a consulta.
- Encaminhamento urgente: homens com mais de 50 anos que tenham tumoração palpável em um dos lados do peito ou saída de líquido com sangue por um só mamilo.
- Quadros benignos: nem todo caroço é câncer, e a ginecomastia, crescimento benigno do tecido mamário masculino, pode explicar o caso, mas só o exame médico confirma.
Como o diagnóstico é confirmado e o que muda no tratamento masculino
A investigação começa no consultório, com o exame físico das mamas e o levantamento do histórico pessoal e familiar. Havendo suspeita, o médico pede exames de imagem, como mamografia e ultrassonografia, e pode indicar a biópsia, que retira um pequeno fragmento da lesão para análise em laboratório.
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O tratamento segue diretrizes parecidas com as aplicadas em mulheres, mas tem particularidades cirúrgicas. Como há pouco tecido mamário no homem e os tumores costumam crescer logo atrás do mamilo, geralmente não é viável a cirurgia conservadora, que retira apenas parte da glândula. Na maioria dos pacientes masculinos, a indicação padrão é a mastectomia total, que remove a mama inteira com a aréola e o mamilo.
Dependendo do estágio e das características do tumor, o plano pode combinar radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo. Resende explicou que a maioria dos tumores de mama em homens tem receptores hormonais positivos, o que permite que muitos pacientes se beneficiem de medicamentos que bloqueiam a ação dos hormônios sobre as células tumorais.
Sobre prevenção, Resende citou manter o peso adequado, praticar atividade física e evitar o consumo excessivo de álcool, mas ressaltou que nem todos os casos podem ser evitados quando há predisposição genética. “Cuidar da própria saúde nunca deve ser motivo de vergonha”, disse o oncologista.
















