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O Brasil não terá horário de verão em 2026, e o Ministério de Minas e Energia (MME) não prevê a volta da medida também no período 2026/2027. A decisão mantém os relógios no horário padrão, como acontece desde a suspensão de 2019. A prática estreou no país em 3 de outubro de 1931, quando os relógios foram adiantados em uma hora às 11h, por decreto do então presidente Getúlio Vargas assinado dois dias antes.

A ideia não surgiu no Brasil. O político e cientista norte-americano Benjamim Franklin a propôs em 1784, mas ela só foi adotada no início do século 20, durante a Primeira Guerra Mundial, pela Alemanha. O país precisava reduzir gastos com carvão mineral diante das dificuldades do conflito e das despesas militares.

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Horario de Verao Relogio
Foto: Foto: Pixel-Shot/Shutterstock.com

No Brasil, o horário foi usado pela primeira vez no início da década de 1930, pelo governo Vargas, que buscava mais economia em meio à crise econômica mundial. Com o tempo, outros países também passaram a adotar a mudança anual do relógio.

A partir de 1967, o horário deixou de ser adotado e só voltou na década de 1980, por causa de problemas de produção de energia nas hidrelétricas. Como a adoção variava em duração e data a cada ano, a regulamentação correta ocorreu somente em 2008, no governo Lula. Em 5 de abril de 2019, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que não haveria horário de verão naquele ano.

Como o ajuste dos relógios tenta aliviar a demanda de energia

O principal alvo da mudança é a sobrecarga nos picos diários de consumo. A maior demanda ocorre no fim da tarde, quando as pessoas chegam em casa e ligam o chuveiro elétrico, a TV e outros equipamentos.

Com mais luz natural, lâmpadas de casas, indústrias, comércios, ruas e espaços públicos passam a ser acesas mais tarde, quando o pico de consumo já caiu. O sistema de distribuição de energia sofre menos sobrecarga.

Continue lendo: Horário de verão segue suspenso em 2026 e 2027 após estudos do ONS e decisão do MME

Fontes governamentais estimavam uma economia de eletricidade de cerca de 5% no período. Defensores da medida diziam que esse percentual, em números absolutos, equivalia a um montante financeiro elevado, o que justificaria o horário de verão por si só.

Por que Norte e Nordeste ficavam de fora da mudança

Nas partes mais afastadas da linha do Equador, os solstícios de verão aparecem com mais nitidez. As zonas equatoriais têm pouca variação na duração dos dias e das noites, o que tornaria a mudança de horário inviável. Por isso, as regiões Norte e Nordeste, mais próximas dessa faixa, não sentiriam o efeito necessário.

O Acre, que já estava duas horas atrás de Brasília, passava a ficar três horas atrás da capital durante o horário especial. Fora desse período, a defasagem era de duas horas.

Saiba mais: Horário de verão segue suspenso no ciclo 2026 e 2027 após análise do Ministério de Minas e Energia

Suspensão de 2019 e o decreto que encerrou a hora de verão

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro encerrou a medida sob o argumento de que ela não reduz o consumo de energia elétrica nos horários de pico. O Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, declarou encerrada a hora de verão no território nacional e revogou 25 decretos anteriores que a haviam instituído desde a década de 1990. A proposta teve apoio de empresários, que recuaram depois do início de uma crise energética.

A decisão seguiu estudos sobre a economia de energia no período e sobre o efeito da mudança no relógio biológico da população. Já o Ministério de Minas e Energia citou mudanças nos hábitos dos brasileiros, que deslocaram o horário de maior consumo de energia da noite para o meio da tarde.

Em relatório de 31 de agosto de 2026, o MME afirmou que os estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) “não indicam a pertinência de implementação do Horário de Verão em 2026/2027″. Em nota à imprensa de 21 de setembro, a pasta repetiu a conclusão. Até a apuração desta reportagem, nenhum decreto desse tipo havia sido publicado.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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