Mulher acusada de envenenar família com bolo é encontrada morta em cela na Penitenciária de GuaíbaPor Carolina Costa
7 min de leitura
![]() |
A descoberta da morte de Deise Moura dos Anjos dentro da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba chocou autoridades e a população. A mulher, que estava presa temporariamente sob acusação de ter envenenado três pessoas da mesma família, foi encontrada sem vida na cela em que estava isolada. O caso levanta dúvidas sobre as condições da prisão e o andamento das investigações que apontavam para sua participação em um crime brutal que aconteceu em Torres, no Rio Grande do Sul. O envenenamento, ocorrido em dezembro de 2024, levou à morte de três mulheres da família de seu marido, após um café da tarde aparentemente comum. A morte da suspeita, agora sob investigação, adiciona um novo capítulo a um caso já cercado por mistério e tragédia. A Polícia Penal informou que Deise foi localizada sem sinais vitais durante a rotina de conferência dos detentos e que uma perícia foi acionada para averiguar as circunstâncias da morte. O Instituto-Geral de Perícias foi chamado para examinar o local e determinar se a causa do óbito foi suicídio ou alguma outra ocorrência dentro da prisão.
A prisão de Deise aconteceu no início de janeiro de 2025, após fortes indícios de que ela teria planejado e executado um crime de envenenamento em massa. O caso mobilizou a polícia e trouxe à tona a possibilidade de que o envenenamento não tenha sido um ato isolado. Com a exumação de um parente do marido de Deise, falecido meses antes, novas suspeitas recaíram sobre a acusada.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
A investigação apontou que a substância letal utilizada foi o arsênio, um veneno altamente tóxico. O composto foi detectado na farinha usada no preparo do bolo consumido pelas vítimas. Testemunhas relataram que Deise teria feito pesquisas online sobre o efeito do veneno e como administrá-lo sem levantar suspeitas. A análise pericial confirmou a presença de uma concentração elevada de arsênio no organismo das vítimas e no alimento ingerido no dia do envenenamento.
Deise Moura dos Anjos, a mulher suspeita de envenenar o bolo que matou três pessoas de uma mesma família, foi encontrada morta na prisão. A principal hipótese é suicídio. #LiveCNNBrasil pic.twitter.com/I6Yx7Crenf
— CNN Brasil (@CNNBrasil) February 13, 2025
Contexto do envenenamento e desdobramentos do crime
O crime ocorreu em 23 de dezembro de 2024, quando familiares se reuniram para um café da tarde na cidade de Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Durante o encontro, seis pessoas passaram mal após consumir um bolo, e três delas não resistiram e morreram em poucas horas. As vítimas foram identificadas como Tatiana Denize Silva dos Anjos, Maida Berenice Flores da Silva e Neuza Denize Silva dos Anjos. A princípio, as mortes foram atribuídas a uma intoxicação alimentar, mas a gravidade dos sintomas levou os médicos a suspeitarem de envenenamento.
Após os primeiros exames, a polícia foi acionada para investigar o caso. Com a confirmação da presença de arsênio nos corpos das vítimas e na farinha usada no bolo, a investigação se aprofundou e indicou que a nora da família, Deise Moura dos Anjos, poderia estar envolvida no crime. Testemunhas relataram que ela havia levado os ingredientes para a casa onde o café foi servido e que tinha um histórico de conflitos com as vítimas.
O impacto da morte de Deise na prisão
A notícia da morte de Deise dentro da penitenciária trouxe uma reviravolta inesperada ao caso. As autoridades agora investigam se ela foi vítima de represálias dentro do sistema prisional ou se tirou a própria vida. Segundo informações da Polícia Penal, a suspeita havia sido transferida recentemente para a Penitenciária Feminina de Guaíba devido a ameaças e hostilidades recebidas de outras detentas. Sua cela era individual, o que reduz a possibilidade de envolvimento de terceiros, mas a perícia ainda trabalha para esclarecer os detalhes da morte.
O Instituto-Geral de Perícias realiza exames no corpo de Deise para determinar a causa exata do falecimento. Os investigadores analisam imagens das câmeras de segurança da penitenciária e colhem depoimentos de funcionários e detentas para entender o que pode ter acontecido nas horas que antecederam a descoberta do corpo.
Histórico de suspeitas e investigação em andamento
Além do envenenamento ocorrido em dezembro, Deise Moura dos Anjos já era alvo de suspeitas em relação à morte de Paulo Luiz dos Anjos, seu sogro, em setembro de 2024. A princípio, a causa do óbito foi atribuída a uma infecção intestinal, mas a reabertura do caso e a exumação do corpo revelaram que ele também havia ingerido arsênio antes de morrer. O laudo confirmou a presença da substância no organismo de Paulo, reforçando a hipótese de que sua morte não foi natural.
Diante das novas evidências, a polícia passou a trabalhar com a possibilidade de que Deise já tivesse praticado outros crimes anteriormente. As investigações buscavam entender o possível motivo para os envenenamentos e se havia um padrão nas ações da suspeita.
Possíveis motivos e padrões do crime
Especialistas analisam casos semelhantes e tentam compreender o que poderia ter motivado Deise a cometer os envenenamentos. Crimes desse tipo costumam estar relacionados a conflitos familiares, vingança ou disputas patrimoniais. A polícia apurava se havia desentendimentos financeiros ou outras razões que poderiam ter levado a mulher a planejar o crime.
A repetição do método de envenenamento reforça a tese de um crime premeditado, especialmente pelo fato de Deise ter feito pesquisas na internet sobre o uso do arsênio. O comportamento dela nos dias que antecederam os crimes também foi analisado pelas autoridades para entender se houve planejamento detalhado e como os atos foram executados.
Uso do arsênio e histórico de envenenamentos no Brasil
O arsênio é uma substância altamente tóxica que pode causar a morte mesmo em pequenas doses. No Brasil, há registros de casos de envenenamento semelhantes ao ocorrido em Torres. Um dos mais conhecidos foi o caso da “Viúva Negra”, ocorrido na década de 1970, quando uma mulher envenenava seus maridos para obter benefícios financeiros. Casos de envenenamento também costumam estar ligados a disputas familiares e a crimes de difícil solução, devido à dificuldade em detectar a substância sem exames específicos.
O arsênio pode ser administrado de forma discreta em alimentos e bebidas, o que torna o envenenamento um crime de difícil identificação imediata. No caso da família de Torres, apenas a rapidez da equipe médica e os exames detalhados permitiram descobrir a causa real das mortes e iniciar a investigação.
Linha do tempo dos acontecimentos
- Setembro de 2024: Paulo Luiz dos Anjos morre, inicialmente diagnosticado com infecção intestinal.
- 23 de dezembro de 2024: Três mulheres da mesma família morrem após consumir um bolo envenenado.
- 5 de janeiro de 2025: Deise Moura dos Anjos é presa temporariamente como principal suspeita dos envenenamentos.
- Janeiro de 2025: Exumação do corpo de Paulo Luiz confirma a presença de arsênio.
- Fevereiro de 2025: Deise é transferida para a Penitenciária Feminina de Guaíba por segurança.
- 13 de fevereiro de 2025: Deise é encontrada morta dentro da cela.
Impacto do caso na segurança prisional
A morte de uma detenta sob custódia do Estado levanta questionamentos sobre a segurança dentro do sistema prisional. Mesmo com protocolos de monitoramento, casos de violência ou suicídio ainda são frequentes dentro das penitenciárias brasileiras. Autoridades estudam formas de reforçar a segurança para evitar situações semelhantes no futuro.
A investigação da morte de Deise poderá trazer respostas sobre o que realmente aconteceu dentro da penitenciária e se houve falhas no monitoramento. Enquanto isso, o caso segue sendo acompanhado por familiares das vítimas e pela população, que aguarda a conclusão das investigações sobre os envenenamentos e a morte da suspeita.















