Julgamento do ‘Golpe do Pix’ na Bahia: Vítima passa mal e juiz retira jornalista da salaPor Carolina Costa
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O julgamento do caso conhecido como “Golpe do Pix” teve um momento tenso nesta terça-feira (18), no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, em Salvador. Durante o depoimento da terceira vítima, a mesma apresentou sinais de nervosismo e solicitou não permanecer frente a frente com o jornalista Marcelo Castro, um dos réus no processo. Atendendo ao pedido, o juiz Cidval Filho, da Vara de Crime Organizado, determinou a saída de Marcelo da sala de audiências. Apesar do mal-estar, a vítima não necessitou de atendimento médico e prosseguiu com seu depoimento.
Em seguida, a quarta vítima foi chamada a depor. Para manter o andamento dos trabalhos, o juiz optou por não interromper a sessão para o intervalo de almoço, conforme inicialmente previsto. O julgamento, iniciado às 9h, conta com a presença de 12 réus e continua no Fórum Criminal de Salvador.
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Começou nesta terça a audiência de instrução de julgamento do caso conhecido como “Golpe do PIX”, onde menos de R$ 500 mil foram desviados de doações. São 12 acusados, incluindo o apresentador Marcelo Castro e o coordenador de conteúdo da TV Aratu, Jamerson Oliveira. pic.twitter.com/ypTyp4Bu8G
— Jean Mendes (@ojeanmendesc) February 18, 2025
Detalhes do Esquema e Acusações
O “Golpe do Pix” envolve um esquema de desvio de mais de R$ 400 mil em doações feitas por telespectadores do programa “Balanço Geral”, da Record Bahia. Entre os principais acusados estão os jornalistas Marcelo Castro e Jamerson Oliveira, apontados como líderes da organização criminosa. As investigações indicam que, entre 2022 e 2023, o grupo teria se apropriado de aproximadamente 75% dos R$ 543 mil arrecadados em 12 campanhas destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade. Do montante desviado, cerca de R$ 146 mil teriam sido destinados a Marcelo Castro, e R$ 145 mil a Jamerson Oliveira.
Modus Operandi do Esquema
O esquema funcionava através da exibição de reportagens no “Balanço Geral”, onde histórias de pessoas em situação de vulnerabilidade eram apresentadas, e uma chave Pix era divulgada para que os telespectadores pudessem realizar doações. Contudo, as investigações revelaram que as chaves Pix exibidas pertenciam a membros do grupo criminoso, e não às vítimas retratadas nas reportagens. Dessa forma, a maior parte dos valores doados era desviada para contas dos envolvidos no esquema, enquanto apenas uma parcela mínima chegava às pessoas necessitadas.
Descoberta do Esquema e Ações Legais
A fraude foi descoberta em março de 2023, após o jogador de futebol Anderson Talisca realizar uma doação de R$ 70 mil para a família de uma criança com câncer, cuja história havia sido exibida no programa. Ao entrar em contato com a família, a equipe do jogador descobriu que a chave Pix fornecida era diferente da exibida na reportagem, levantando suspeitas sobre o destino das doações. A partir dessa denúncia, a Record Bahia conduziu uma investigação interna, identificou casos semelhantes e acionou a Polícia Civil, resultando na demissão dos profissionais envolvidos.
Desdobramentos Recentes
Em dezembro de 2024, a Justiça decretou a prisão preventiva de dois suspeitos apontados como operadores do esquema: Carlos Eduardo do Sacramento Marques Santiago de Jesus e Thais Pacheco da Costa. Carlos Eduardo foi preso no bairro do Cabula, em Salvador, enquanto Thais Pacheco ainda não foi localizada. Os líderes do grupo, Marcelo Castro e Jamerson Oliveira, não tiveram suas prisões decretadas até o momento. O julgamento atual busca ouvir as vítimas, testemunhas e réus para elucidar os detalhes do esquema e responsabilizar os envolvidos.
Impacto nas Vítimas e na Sociedade
As vítimas do “Golpe do Pix” eram, em sua maioria, pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, que buscaram no programa uma esperança para solucionar problemas graves de saúde ou financeiros. O desvio das doações não apenas agravou a situação dessas pessoas, mas também abalou a confiança do público em campanhas de solidariedade mediadas por programas televisivos. A exposição midiática dos casos, seguida da revelação da fraude, gerou indignação e debates sobre a ética no jornalismo e a responsabilidade das emissoras na fiscalização de suas campanhas.
Medidas Adotadas pela Emissora e Autoridades
Após a descoberta do esquema, a Record Bahia tomou medidas imediatas, incluindo a demissão dos profissionais envolvidos e a implementação de procedimentos mais rigorosos para a gestão de doações. A emissora também colaborou ativamente com as investigações policiais, fornecendo informações e documentos necessários para a elucidação do caso. As autoridades, por sua vez, intensificaram as investigações, resultando no indiciamento de 12 pessoas por crimes como associação criminosa, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.
Repercussão e Expectativas para o Desfecho do Caso
O “Golpe do Pix” teve ampla repercussão na mídia e na sociedade, levantando questões sobre a transparência em campanhas de doação e a necessidade de mecanismos de controle mais eficazes. O julgamento em curso é aguardado com expectativa, na esperança de que os responsáveis sejam devidamente punidos e que medidas sejam adotadas para evitar a repetição de casos semelhantes no futuro. A confiança do público em iniciativas de solidariedade depende da garantia de que as doações chegarão, de fato, a quem delas necessita.















