Max Romeo morre aos 80 anos: lenda do reggae deixa legado com sucessos como War Ina BabylonPor Carolina Costa
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A música reggae perdeu um de seus pilares na sexta-feira, 11 de abril de 2025. Max Romeo, um dos maiores nomes do gênero, faleceu aos 80 anos em uma clínica na paróquia de Saint Andrew, na Jamaica. A causa da morte foram complicações cardíacas, que interromperam a trajetória de um artista cuja obra atravessou décadas e fronteiras. Com uma carreira iniciada nos anos 1960, Romeo marcou a história com canções que misturavam espiritualidade, crítica social e ritmos envolventes, influenciando gerações de músicos e fãs ao redor do mundo.
Nascido em 22 de novembro de 1944, na zona rural de Saint Ann, Max Romeo começou sua jornada musical ainda jovem. Ele se mudou para Kingston, capital da Jamaica, onde formou o grupo vocal The Emotions. A banda lançou singles de sucesso no cenário local, mas foi em 1968 que Romeo alcançou projeção internacional com “Wet Dream”. A canção, com letras provocadoras, gerou controvérsias, mas também abriu portas para sua carreira solo. A ousadia daquele hit inicial já indicava que ele não seguiria caminhos convencionais.
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Nos anos seguintes, Max Romeo consolidou seu espaço com álbuns que capturaram o espírito do reggae roots. Trabalhos como Revelation Time (1975) e War Ina Babylon (1976) trouxeram letras profundas, abordando desigualdade, opressão e espiritualidade rastafári. Sua parceria com o lendário produtor Lee “Scratch” Perry resultou em faixas que permanecem referências no gênero, como “One Step Forward” e “Chase the Devil”. Essas músicas não apenas definiram sua carreira, mas também ajudaram a levar o reggae para além das fronteiras da Jamaica.
Início de uma trajetória memorável
A infância de Max Romeo na Jamaica rural moldou sua visão de mundo. Filho de agricultores, ele cresceu em um ambiente onde a música gospel e os ritmos tradicionais jamaicanos eram parte do cotidiano. Aos 14 anos, deixou Saint Ann para buscar oportunidades em Kingston, um centro efervescente da música caribenha. Lá, juntou-se a outros jovens talentos para formar The Emotions, grupo que lançou sucessos locais como “Buy You a Rainbow” no início dos anos 1960.
O salto para a fama veio com “Wet Dream”, lançada pela gravadora Trojan Records. Apesar de ser banida em algumas rádios britânicas por suas insinuações, a canção alcançou o top 10 no Reino Unido, garantindo a Romeo uma base de fãs internacional. Ele aproveitou o momento para explorar temas mais sérios em suas composições, alinhando-se ao movimento rastafári e à luta por justiça social que marcava a Jamaica da época.
A habilidade de Max Romeo em misturar humor, crítica e espiritualidade o diferenciava. Enquanto “Wet Dream” trouxe notoriedade, foram faixas como “Let the Power Fall” e “No Joshua No” que mostraram sua versatilidade, conectando-se com ouvintes que buscavam mensagens de resistência e esperança.
- Primeiros passos: Formação do grupo The Emotions em Kingston.
- Sucesso inicial: “Wet Dream” alcança o top 10 no Reino Unido em 1968.
- Transição: Foco em temas políticos e espirituais na década de 1970.
Auge nos anos 1970
Os anos 1970 representaram o auge criativo de Max Romeo. Trabalhando com produtores renomados, ele lançou álbuns que se tornaram marcos do reggae. War Ina Babylon, gravado com a banda The Upsetters e produzido por Lee “Scratch” Perry, é frequentemente citado como um dos melhores discos do gênero. Faixas como “I Chase the Devil” misturavam grooves cativantes com letras que denunciavam corrupção e opressão, ressoando com públicos na Jamaica, na Europa e na África.
Outro destaque foi Revelation Time, que trouxe canções como “Three Blind Mice” e “Warning Warning”. O álbum refletia a tensão social da Jamaica, marcada por desigualdades e conflitos políticos. Romeo usava sua música como uma ferramenta de conscientização, sem perder a capacidade de criar melodias que permaneciam na mente dos ouvintes.
A colaboração com The Upsetters, banda de apoio de Lee Perry, trouxe uma sonoridade única. O uso de efeitos de estúdio, como ecos e reverbs, aliados ao talento de músicos como Aston “Family Man” Barrett, deu aos discos de Romeo uma textura inovadora. Sua voz, ao mesmo tempo suave e firme, transmitia autenticidade em cada verso.
Impacto global do reggae roots
Fora da Jamaica, Max Romeo encontrou um público fiel em países como o Reino Unido, onde a comunidade jamaicana era grande, e em nações africanas, onde o reggae era visto como um hino de libertação. Suas turnês na Europa nos anos 1970 atraíam multidões, e suas letras sobre resistência ecoavam em contextos de luta contra o colonialismo e a segregação.
No Brasil, sua música também ganhou espaço, especialmente em cidades com forte cena reggae, como São Luís, no Maranhão, e Salvador, na Bahia. Em São Luís, canções como “Murder in the Place” e “Stealing In the Name of Jah” tornaram-se favoritas nos anos 1980 e 1990, tocadas em rádios e festas locais. A conexão com o público brasileiro se intensificou com suas apresentações ao vivo, que deixaram memórias marcantes.
A influência de Max Romeo ia além da música. Ele inspirou artistas de outros gêneros, como o punk e o hip-hop, que viam em suas letras uma postura de desafio às estruturas de poder. Bandas como The Clash samplearam suas faixas, enquanto rappers dos anos 1990 citavam suas mensagens como referência.
- Países impactados: Reino Unido, Nigéria, Brasil e França.
- Shows marcantes: Turnês na Europa e apresentações no Brasil.
- Legado cruzado: Influência em gêneros como punk e hip-hop.
Presença no Brasil
São Luís do Maranhão abraçou Max Romeo como poucos lugares no Brasil. A capital, conhecida como “Jamaica Brasileira”, vibrou com suas apresentações em 2010 e 2019. No festival Cidade do Reggae, em 2010, ele dividiu o palco com artistas locais, conquistando o público com clássicos como “One Step Forward”. Em 2019, acompanhado de seus filhos, que também são músicos, ele retornou para um show memorável, reforçando seu vínculo com a cidade.
Em Salvador, Max Romeo participou do festival República do Reggae em 2023, uma de suas últimas performances antes da aposentadoria. O evento reuniu milhares de fãs, que cantaram junto hits como “Chase the Devil”. Sua energia no palco, mesmo aos 78 anos, impressionava, mostrando por que ele era tão respeitado.
As rádios maranhenses e baianas tocavam regularmente suas faixas mais conhecidas. Além de “Murder in the Place” e “I Woke Up In Love This Morning”, músicas como “Tacko” e “Stealing In the Name of Jah” ganharam destaque, especialmente entre os fãs de reggae roots. Essas canções, com mensagens de reflexão e crítica, encontravam eco em comunidades que enfrentavam desafios sociais semelhantes aos da Jamaica.
Aposentadoria e últimos anos
Em 2023, Max Romeo anunciou que não faria mais turnês internacionais. Após quase 60 anos de carreira, ele decidiu se dedicar à família e a projetos pessoais na Jamaica. A decisão veio após uma série de apresentações na Europa e no Brasil, incluindo o show em Salvador. Ainda assim, ele continuou ativo em estúdio, gravando participações especiais e colaborando com artistas mais jovens.
A saúde de Romeo começou a dar sinais de fragilidade nos últimos anos. Problemas cardíacos o levaram a internações esporádicas, mas ele mantinha o otimismo. Em entrevistas, falava sobre a importância de deixar um legado positivo e de como a música o ajudou a superar desafios pessoais, como a pobreza de sua juventude.
Sua última aparição pública foi em um evento comunitário em Saint Andrew, semanas antes de sua morte. Cercado por amigos e familiares, ele cantou trechos de “One Step Forward”, recebendo aplausos emocionados. A simplicidade do momento contrastava com a grandiosidade de sua carreira.
Marcos de uma carreira lendária
A trajetória de Max Romeo pode ser dividida em fases distintas, cada uma com contribuições únicas para o reggae. Nos anos 1960, ele trouxe frescor com The Emotions e ousadia com “Wet Dream”. A década de 1970 marcou seu compromisso com causas sociais, enquanto os anos 1980 e 1990 expandiram sua influência global. Mesmo após o auge, ele continuou relevante, lançando álbuns como Selassie I Forever (1998) e colaborando com nomes contemporâneos.
Seus shows no Brasil refletem a universalidade de sua música. Em São Luís, ele foi recebido como um ídolo local, enquanto em Salvador sua presença reforçava a conexão cultural entre o reggae e o axé. Fãs brasileiros lembram de sua simpatia e da energia que transmitia, mesmo em apresentações mais recentes.
O impacto de Romeo também se mede em números. Ele lançou mais de 20 álbuns, com milhões de cópias vendidas mundialmente. Faixas como “Chase the Devil” acumulam centenas de milhões de streams em plataformas digitais, prova de que sua música permanece viva para novas gerações.
- Fases principais: Anos 1960 (início), 1970 (auge), 1990 (renovação).
- Discografia: Mais de 20 álbuns lançados.
- Streaming: Milhões de reproduções em plataformas como Spotify.
Legado eterno
A morte de Max Romeo deixa um vazio no reggae, mas sua obra continua a inspirar. Suas letras, que falavam de luta, fé e amor, transcendem o tempo. Na Jamaica, ele é lembrado como um símbolo de resistência cultural, alguém que usou a música para dar voz aos marginalizados. No Brasil, seu nome está gravado na memória de cidades como São Luís e Salvador, onde o reggae é mais que um gênero — é uma forma de vida.
Artistas contemporâneos, de Chronixx a Protoje, citam Romeo como influência. Suas canções são regravadas, sampleadas e celebradas em festivais ao redor do mundo. A mensagem de “One Step Forward”, com seu apelo por progresso coletivo, segue atual, especialmente em tempos de desafios globais.
Na paróquia de Saint Andrew, onde passou seus últimos dias, a comunidade local organiza tributos em sua homenagem. Clubes de reggae e rádios jamaicanas dedicam programações especiais, tocando desde seus primeiros sucessos até faixas menos conhecidas, como “Rasta Road”. O sentimento é de gratidão por um artista que nunca se curvou às pressões comerciais e manteve sua essência.
- Tributos: Eventos comunitários em Saint Andrew.
- Influência atual: Citações por artistas como Chronixx.
- Memória viva: Programações especiais em rádios jamaicanas.















