A administração do presidente Donald Trump planeja intensificar os cortes de verbas federais para a Califórnia, incluindo possíveis reduções significativas nos fundos destinados à Universidade da Califórnia (UC), conforme noticiado pela CNN em 6 de junho de 2025. A medida, que pode começar a ser implementada ainda nesta sexta-feira, foi confirmada por fontes próximas ao Congresso e gerou reações imediatas de autoridades estaduais, como Nancy Pelosi e Gavin Newsom, que prometem contestar as ações judicialmente. A ameaça, motivada por divergências políticas, visa atingir programas educacionais, de saúde e infraestrutura, como o trem de alta velocidade. A Califórnia, quarta maior economia do mundo, depende de bilhões em fundos federais para manter suas universidades e serviços públicos. Autoridades locais afirmam que os cortes são uma retaliação às políticas democratas do estado, enquanto preparam estratégias legais para proteger os recursos.
Os cortes ainda não foram oficialmente notificados, mas a possibilidade já mobiliza líderes estaduais.
O estado, que enfrentou tentativas semelhantes durante o primeiro mandato de Trump, tem histórico de bloquear ações federais na Justiça.
- Data da notícia: 6 de junho de 2025.
- Alvo principal: Universidade da Califórnia e outros programas estaduais.
- Reação: Autoridades prometem ações judiciais.
- Motivação: Retaliação política contra a Califórnia.
Uma nova ofensiva federal
A ameaça de cortes de verbas federais reflete a escalada das tensões entre Trump e a Califórnia, um reduto democrata que frequentemente desafia as políticas republicanas. A CNN revelou que a administração planeja suspender uma ampla gama de subsídios, mas a extensão exata permanece incerta. Durante seu primeiro mandato, Trump tentou reduzir fundos para programas estaduais, incluindo segurança pública e transporte, mas muitas ações foram bloqueadas por decisões judiciais.
Autoridades como a deputada Zoe Lofgren, de San Jose, classificaram a iniciativa como uma tentativa de intimidação, motivada pelo fato de a Califórnia não ter apoiado Trump nas eleições. Lofgren, que representa instituições de pesquisa, afirmou que os cortes prejudicariam a competitividade científica e médica dos EUA, prometendo resistência imediata na Justiça.
O senador estadual Scott Wiener, de São Francisco, destacou que a Universidade da Califórnia está particularmente vulnerável. Ele afirmou que a administração usa alegações de antissemitismo como pretexto, mas o objetivo real é atacar o ensino superior. Wiener, que é judeu, negou que os cortes tenham relação com a proteção de comunidades judaicas, acusando Trump de buscar apenas poder político.
A dependência da Califórnia
A Califórnia depende fortemente de verbas federais para sustentar seus sistemas educacionais e de saúde. A Universidade da Califórnia, com 10 campi e mais de 290 mil estudantes, recebe bilhões anualmente para pesquisa, ensino e operações. O sistema CSU, que atende 460 mil alunos, e as escolas públicas K-12 também contam com esses recursos.
Além da educação, programas como o Medi-Cal, que oferece saúde a pessoas de baixa renda, consomem uma fatia significativa do orçamento federal alocado ao estado. Qualquer redução nesses fundos afetaria milhões de residentes, especialmente em áreas vulneráveis. O senador Alex Padilla enfatizou que a Califórnia, como líder em inovação e pesquisa, é essencial para a competitividade global dos EUA.
- Universidade da Califórnia: 290 mil estudantes, bilhões em fundos federais.
- CSU: 460 mil alunos dependem de verbas federais.
- Medi-Cal: Atende milhões com recursos federais.
- Economia: Quarta maior do mundo, líder em tecnologia.
Histórico de confrontos
A relação entre Trump e a Califórnia sempre foi marcada por conflitos. Durante seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, ele tentou cortar fundos para cidades “santuário”, que protegem imigrantes, e ameaçou suspender verbas para transporte e segurança. A maioria dessas ações foi bloqueada por tribunais federais, com a Califórnia vencendo mais de 50 processos contra o governo Trump.
Recentemente, a administração anunciou a retirada de bilhões em fundos para o trem de alta velocidade, um projeto emblemático do estado. Na semana passada, Trump também ameaçou cortar verbas educacionais devido a políticas que permitem atletas transgênero em competições femininas, intensificando a pressão sobre Sacramento.
O governador Gavin Newsom, que já enfrentou Trump judicialmente, prepara uma nova onda de ações legais. Embora seu gabinete não tenha comentado diretamente, Newsom prometeu em ocasiões anteriores proteger os interesses do estado contra cortes federais.
A investigação sobre a UC
A ameaça à Universidade da Califórnia ganhou força após uma investigação federal lançada em março de 2025, que apura alegações de antissemitismo nos campi da UC. A administração Trump apontou protestos estudantis pró-Palestina como evidência, exigindo que a universidade implementasse medidas contra discriminação.
Scott Wiener refutou as acusações, afirmando que a investigação é uma fachada para justificar cortes. Ele destacou que a UC já adotou políticas contra o antissemitismo, incluindo treinamentos e sanções disciplinares. A universidade, que é um centro global de pesquisa, pode perder fundos cruciais para áreas como medicina, tecnologia e ciências.
Autoridades estaduais estão em alerta, coordenando com advogados para contestar qualquer suspensão de verbas. A deputada Laura Friedman criticou a iniciativa, afirmando que os cortes prejudicariam milhões de americanos por motivos de “vingança e ego”.
Reações políticas
Líderes democratas da Califórnia uniram-se contra as ameaças de Trump. Nancy Pelosi, ex-presidente da Câmara, afirmou que está mobilizando parceiros locais e estaduais para enfrentar a “cruzada cruel” do presidente. Alex Padilla prometeu lutar contra qualquer medida que limite a liderança do estado em educação e inovação.
Republicanos da Califórnia, embora em menor número, também foram instados a se posicionar. Zoe Lofgren cobrou que deputados republicanos pressionem a Casa Branca contra o que ela chamou de “esquema de intimidação”. Até o momento, nenhum republicano estadual se manifestou publicamente.
A Califórnia já está envolvida em dezenas de processos contra o governo federal, muitos relacionados a políticas de imigração, meio ambiente e saúde. A nova onda de cortes deve ampliar esse litígio, com advogados estaduais preparando ações imediatas.
O papel da economia estadual
A Califórnia, com um PIB de US$ 3,8 trilhões, é a quarta maior economia global, superando países como o Reino Unido. Sua liderança em tecnologia, agricultura e entretenimento depende de investimentos federais em pesquisa e infraestrutura. A Universidade da Califórnia, por exemplo, é responsável por avanços em áreas como inteligência artificial e biotecnologia, que geram bilhões em patentes e empregos.
Cortes nos fundos federais poderiam paralisar projetos de pesquisa e reduzir o acesso ao ensino superior, afetando especialmente estudantes de baixa renda. Além disso, a redução de verbas para o Medi-Cal e escolas públicas teria impactos diretos em comunidades marginalizadas.
Preparativos legais
Autoridades estaduais estão se antecipando aos cortes, embora detalhes específicos ainda sejam escassos. Scott Wiener revelou que conversas com líderes estaduais estão em andamento, mas evitou citar nomes. Ele afirmou que o estado está pronto para entrar na Justiça assim que as medidas forem oficializadas.
A estratégia legal da Califórnia baseia-se em precedentes bem-sucedidos. Durante o primeiro mandato de Trump, o estado bloqueou cortes em fundos para cidades “santuário” e programas de saúde, alegando que as ações violavam a Constituição dos EUA. Advogados preveem que os novos cortes serão contestados com argumentos semelhantes, focando na ilegalidade de retaliações políticas.
- Processos anteriores: Mais de 50 vitórias contra Trump (2017-2021).
- Alvos atuais: UC, trem de alta velocidade, educação K-12.
- Estratégia: Ações judiciais imediatas contra cortes.
- Líderes envolvidos: Newsom, Pelosi, Wiener, Lofgren.
O peso da educação
A Universidade da Califórnia é um pilar do sistema educacional do estado, com campi em Berkeley, Los Angeles e San Diego entre os mais prestigiados do mundo. Em 2024, a UC recebeu US$ 9 bilhões em fundos federais, cerca de 20% de seu orçamento. Perder esses recursos poderia forçar aumentos nas mensalidades, cortes em bolsas e redução de pesquisas.
O sistema CSU, que forma a maioria dos professores e engenheiros do estado, também está em risco. Juntos, UC e CSU educam mais de 750 mil estudantes, muitos dos quais dependem de auxílio financeiro federal. Qualquer interrupção afetaria diretamente a mobilidade social no estado.
A retaliação política
As ameaças de Trump são vistas como uma resposta às políticas progressistas da Califórnia, que incluem proteção a imigrantes, leis de inclusão de atletas transgênero e regulamentações ambientais rigorosas. O estado, que votou majoritariamente contra Trump em 2020 e 2024, tornou-se um alvo recorrente de sua administração.
Líderes como Wiener e Padilla acusam Trump de usar o orçamento federal como arma política, ignorando os benefícios que a Califórnia traz ao país. A deputada Friedman alertou que os cortes não apenas prejudicam o estado, mas também a competitividade global dos EUA em ciência e tecnologia.

