Neta enfrenta dívida de R$2 milhões no Brasil e busca reestruturação na ChinaPor Maria
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A Neta Auto, montadora chinesa de veículos elétricos, enfrenta uma crise financeira no Brasil, com dívidas de pelo menos R$ 2 milhões junto a fornecedores e ao Grupo Genial, dono da única concessionária da marca no país, localizada no Rio de Janeiro. Em 13 de agosto de 2025, a empresa confirmou estar em um processo de reestruturação global, enquanto tenta mitigar débitos no Brasil com a revenda de 500 veículos para países da América do Sul. A operação, iniciada em 2024, enfrenta dificuldades logísticas em Cariacica (ES) e baixa nas vendas, com apenas 64 carros emplacados até julho. A crise reflete problemas na China, onde a matriz Hozon Auto enfrenta falência, mas a Neta reafirma seu compromisso com o mercado brasileiro. A situação delicada gerou protestos de fornecedores e concessionários, enquanto a marca busca novos investimentos para se recuperar.
A crise financeira da Neta no Brasil tem raízes em compromissos não cumpridos com parceiros locais. O Grupo Genial, que opera a concessionária Potenza, relatou atrasos em acordos comerciais, enquanto fornecedores de marketing e logística enfrentam pagamentos pendentes. A empresa, que chegou ao Brasil com o objetivo de competir com marcas como BYD, enfrenta dificuldades para manter sua operação.
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A Neta anunciou a revenda de 500 veículos para países vizinhos como uma estratégia para reduzir estoques e quitar dívidas. A operação, no entanto, não resolveu completamente os problemas, já que cerca de 300 carros permanecem retidos em Cariacica. A marca aposta em promoções, como descontos de R$ 10 mil nos modelos Aya e X, para atrair consumidores.
- Principais problemas da Neta no Brasil:
- Dívidas de R$ 2 milhões com fornecedores e Grupo Genial.
- Estoque de 400 carros, com 300 retidos em Cariacica.
- Apenas 64 veículos emplacados até julho de 2025.
- Site e redes sociais da marca estão fora do ar.
Dívidas acumuladas no Brasil
A Neta Auto enfrenta uma situação delicada no Brasil, onde deve pelo menos R$ 2 milhões a fornecedores e ao Grupo Genial, responsável pela única concessionária da marca, a Potenza, no Rio de Janeiro. Documentos obtidos apontam que a dívida pode ser ainda maior, abrangendo áreas como marketing e logística. A operadora logística em Cariacica, no Espírito Santo, reteve veículos devido a pagamentos pendentes, impactando a distribuição.
O Grupo Genial, que investiu na abertura da concessionária em janeiro de 2025, não recebeu o suporte prometido pela Neta, como campanhas de incentivo e pagamento de serviços. A relação entre montadora e concessionária é regida pela Lei Ferrari, que permite ações judiciais em caso de descumprimento de obrigações financeiras. Apesar disso, a Neta afirmou que não comenta detalhes de suas relações comerciais.
A crise no Brasil reflete os problemas enfrentados pela matriz na China, onde a Hozon Auto acumula dívidas de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 8 bilhões). A empresa enfrenta mais de 400 disputas judiciais, incluindo um processo de revisão de falência iniciado por um credor.
Revenda de veículos para América do Sul
Para aliviar a pressão financeira, a Neta negociou a venda de 500 veículos para países da América do Sul, como Argentina e Chile, com os compradores assumindo parte das dívidas. A estratégia reduziu o estoque no Brasil, que caiu de 800 para cerca de 400 carros, mas não resolveu os problemas logísticos em Cariacica.
A empresa confirmou que os veículos disponíveis no Brasil estão sendo comercializados tanto no mercado interno quanto externo, com foco em atender diferentes demandas. A revenda para o exterior foi uma medida emergencial para liberar espaço nos portos e quitar débitos com fornecedores, mas a operação ainda enfrenta entraves legais e logísticos.
- Detalhes da revenda de veículos:
- 500 carros vendidos para países da América do Sul.
- Estoque atual estimado em 400 unidades no Brasil.
- Veículos retidos em Cariacica por dívidas logísticas.
- Venda a frotistas para reduzir estoque.

Crise na China pressiona operação global
Na China, a Neta enfrenta uma crise ainda mais grave, com a Hozon Auto em processo de falência desde maio de 2025. A empresa acumula dívidas de US$ 1,4 bilhão e sofreu uma queda de 98% nas vendas em 2025, emplacando apenas 48 veículos em janeiro e fevereiro. Fornecedores, como a CATL, interromperam entregas de baterias devido a atrasos nos pagamentos, paralisando a produção na fábrica de Tongxiang.
Quase 50 investidores manifestaram interesse em participar da reestruturação da Hozon, com um prazo até 15 de setembro para aportar US$ 6,9 milhões. A empresa também negocia um plano de conversão de dívidas em ações com fornecedores, como Era Ningde e Guoxuan Alta Tecnologia, para retomar a produção. Apesar das dificuldades, a Neta nega que encerrará suas operações no Brasil.
Planos de expansão no Brasil
Apesar da crise, a Neta reafirma seu compromisso com o mercado brasileiro, onde planeja abrir 30 concessionárias até o final de 2025, com unidades confirmadas em São Paulo, Brasília e Manaus. A empresa também anunciou a construção de uma fábrica em regime CKD, com produção inicial de 15 a 20 mil veículos por ano, prevista para 2026.
Os modelos Neta Aya (R$ 123.900) e Neta X (R$ 205.000) são os únicos disponíveis no Brasil, com descontos promocionais que incluem wallbox e carregador portátil. No entanto, as vendas permanecem baixas, com apenas 46 unidades emplacadas até abril de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
- Modelos e preços no Brasil:
- Neta Aya: a partir de R$ 123.900 (Comfort e Luxury).
- Neta X: a partir de R$ 205.000 (400, 500 e 500 Luxury).
- Descontos de até R$ 10 mil e IPVA grátis.
- Neta GT em pré-venda, sem preço definido.
Reações do mercado e consumidores
A crise da Neta gerou reações mistas no Brasil. Consumidores expressaram preocupação com a continuidade da marca, especialmente após o site oficial e as redes sociais saírem do ar. A concessionária Potenza, no Rio de Janeiro, mantém as vendas com promoções agressivas, mas a baixa procura reflete a desconfiança do mercado.
Nas redes sociais, comentários destacam a dificuldade de competir com marcas consolidadas como BYD e GWM. A Neta, no entanto, aposta na expansão de sua rede e na produção local para ganhar espaço no mercado de veículos elétricos, que cresce no Brasil com a demanda por opções acessíveis.
Futuro da Neta no mercado brasileiro
A Neta Auto planeja fortalecer sua presença no Brasil com a abertura de centros de atendimento em 13 estados, além da fábrica CKD. A empresa destaca que 49% de suas ações pertencem a entidades estatais chinesas, o que garante suporte financeiro a longo prazo. O CEO Fang Yunzhou reassumiu o comando em dezembro de 2024 para liderar a reestruturação, priorizando mercados internacionais como o Brasil.
A marca também planeja lançar o Neta L, um SUV elétrico, ainda em 2025, para diversificar seu portfólio. Apesar das dificuldades, a Neta mantém o discurso otimista, afirmando que a crise na China não afetará os planos no Brasil, onde o mercado de veículos elétricos segue em expansão.
- Planos da Neta para 2025:
- Abertura de 30 concessionárias no Brasil.
- Produção local em regime CKD a partir de 2026.
- Lançamento do SUV Neta L.
- Expansão para 20 centros de atendimento em 13 estados.















