Ibama prende criador em Nova Iguaçu por tráfico de 240 aves silvestresPor Carolina Costa
8 min de leitura
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Agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal realizaram, em 14 de agosto de 2025, uma operação em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que resultou na prisão de um criador de aves silvestres por maus-tratos e falsidade ideológica. A ação, batizada de Operação Órfãos do Tráfico, apreendeu 240 aves, incluindo espécies ameaçadas como arara-azul e ararajuba, mantidas em condições precárias e com documentação irregular. A operação foi desencadeada após uma denúncia anônima, que apontava a comercialização ilegal de animais silvestres. As multas aplicadas ao responsável somam R$ 1,2 milhão, e os animais foram encaminhados para reabilitação no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Seropédica, no Rio de Janeiro. A iniciativa reforça o combate ao tráfico de fauna, uma prática que ameaça a biodiversidade brasileira.
A fiscalização revelou que o criadouro apresentava diversas irregularidades, como um número de aves superior ao declarado e a ausência de documentação legal para muitos animais. A operação destaca a importância da atuação conjunta entre órgãos ambientais e forças policiais para coibir crimes contra a fauna.
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- Principais irregularidades encontradas:
- 240 aves no local, contra 214 declaradas no registro do Ibama.
- Animais com anilhas falsificadas ou sem registro.
- Condições de maus-tratos, como gaiolas pequenas e aves com asas cortadas.
Irregularidades no criadouro
Durante a inspeção, os agentes do Ibama identificaram que o criadouro em Nova Iguaçu operava com sérias violações ambientais. O proprietário apresentou uma documentação que não correspondia à realidade do local, com 26 aves a mais do que o registrado oficialmente. Muitas delas, incluindo espécies exóticas e ameaçadas, não tinham comprovação de origem legal, o que sugere envolvimento com o tráfico de animais silvestres. A falsificação de anilhas, usadas para identificar a procedência das aves, foi outro ponto crítico, indicando uma tentativa de legitimar a comercialização de animais capturados ilegalmente.
Além disso, a equipe constatou que o valor declarado em uma nota fiscal para a compra de uma arara-azul era de R$ 1 mil, enquanto o preço real de mercado pode chegar a R$ 30 mil. Essa discrepância reforça a suspeita de práticas ilícitas, como a lavagem de animais silvestres para o mercado clandestino. O criador foi autuado com base na Lei de Crimes Ambientais e no Código Penal, enfrentando acusações de maus-tratos e falsidade ideológica.
Condições precárias das aves
As condições de manutenção das aves chamaram a atenção dos fiscais pela gravidade. Muitas estavam em gaiolas pequenas, sem espaço para voar, com poleiros inadequados e sem acesso à sombra. Algumas apresentavam sinais claros de maus-tratos, como asas cortadas, perda de penas e bicos tortos, o que compromete sua saúde e bem-estar. Essas práticas são comuns em criadouros ilegais, onde o objetivo é maximizar lucros sem considerar o sofrimento dos animais.
- Sinais de maus-tratos observados:
- Gaiolas com dimensões insuficientes, como 1,5 m x 0,7 m x 0,5 m para papagaios.
- Aves com asas cortadas, impedindo voo natural.
- Falta de higiene nos recintos, com acúmulo de sujeira.
- Animais sem acesso adequado a água e alimentação.
Os agentes destacaram que tais condições não apenas violam a legislação ambiental, mas também colocam em risco a sobrevivência de espécies já ameaçadas, como a arara-azul, que enfrenta declínio populacional devido ao tráfico e à perda de habitat.
Destino dos animais resgatados
Após a apreensão, as 240 aves foram encaminhadas ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Seropédica, na região metropolitana do Rio de Janeiro. No local, os animais passam por uma triagem inicial, que inclui exames veterinários para avaliar sua saúde física e comportamental. O objetivo é reabilitá-los para que, se possível, sejam devolvidos à natureza. No entanto, muitas aves, devido aos danos sofridos em cativeiro, como o corte de asas, podem não ser aptas à soltura, sendo destinadas a programas de conservação ou criadouros legalizados.
O trabalho nos Cetas é essencial para a preservação da biodiversidade. Nos últimos cinco anos, esses centros receberam mais de 116 mil animais silvestres no Brasil, com 23.628 em 2023 e 14.006 até outubro de 2024. A reabilitação envolve cuidados veterinários, alimentação adequada e, em alguns casos, treinamento para readaptação ao ambiente natural.
Ações contra o tráfico de fauna
O tráfico de animais silvestres é uma das maiores ameaças à biodiversidade brasileira, movimentando milhões de reais anualmente e impactando ecossistemas. A Operação Órfãos do Tráfico é parte de um esforço contínuo do Ibama e da Polícia Federal para desmantelar redes criminosas que exploram a fauna. Em 2025, outras operações, como a Mercatio, em Duque de Caxias, e a Arca de Noé 2, em várias cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, também resultaram em apreensões significativas e prisões.
- Medidas para combater o tráfico:
- Fiscalização em feiras, criadouros e plataformas digitais.
- Monitoramento de redes sociais e aplicativos de mensagens.
- Parcerias com a Polícia Federal e outros órgãos estaduais.
- Campanhas de conscientização para reduzir a demanda por animais silvestres.
A repressão a esse crime exige não apenas ações de campo, mas também o engajamento da sociedade. Denúncias anônimas, como a que levou à operação em Nova Iguaçu, são fundamentais para identificar criadouros ilegais e resgatar animais em situação de risco.
Papel da sociedade na proteção da fauna
A conscientização pública é um pilar essencial no combate ao tráfico de animais silvestres. A compra de animais sem procedência legal alimenta o ciclo de captura e maus-tratos, contribuindo para a extinção de espécies. O Ibama recomenda que a população denuncie atividades suspeitas por meio de canais oficiais, como a Linha Verde, e evite adquirir animais silvestres sem documentação. Iniciativas educativas também buscam informar sobre os impactos ambientais e éticos do comércio ilegal.
- Como a população pode ajudar:
- Denunciar criadouros ou vendas suspeitas ao Ibama.
- Evitar a compra de animais silvestres sem origem comprovada.
- Apoiar programas de conservação e reabilitação de fauna.
- Compartilhar informações sobre os impactos do tráfico nas redes sociais.
A operação em Nova Iguaçu reforça a necessidade de ações integradas entre governo, forças de segurança e sociedade para proteger a rica biodiversidade do Brasil. A prisão do criador e a apreensão das aves são passos importantes, mas o desafio de combater o tráfico de fauna exige esforços contínuos e coordenados.
Multas e punições aplicadas
As multas aplicadas ao criador, no valor de R$ 5 mil por animal, totalizam R$ 1,2 milhão, refletindo a gravidade das infrações cometidas. Além disso, o responsável enfrenta processos criminais por maus-tratos e falsidade ideológica, que podem resultar em penas de prisão. A legislação brasileira, por meio da Lei de Crimes Ambientais, prevê punições rigorosas para quem captura, comercializa ou mantém animais silvestres em condições inadequadas, com o objetivo de desincentivar práticas que prejudicam a fauna.
O Ibama tem intensificado a aplicação de sanções administrativas e criminais, com multas que variam de acordo com a quantidade e o tipo de animal envolvido. Em operações recentes, como a Feira Virtual, realizada em 2024, as multas ultrapassaram R$ 2,5 milhões em um único estado, mostrando o compromisso com a repressão a crimes ambientais.
Próximos passos da operação
A Operação Órfãos do Tráfico não se encerra com a apreensão das aves e a prisão do criador. As investigações continuam para identificar possíveis redes de tráfico conectadas ao criadouro em Nova Iguaçu. Os agentes do Ibama e da Polícia Federal estão analisando documentos, notas fiscais e registros digitais para rastrear a origem dos animais e possíveis compradores. A colaboração entre órgãos ambientais e policiais é essencial para desarticular organizações criminosas que lucram com a exploração da fauna.
O caso também destaca a importância de tecnologias como o monitoramento de plataformas digitais, onde o comércio ilegal de animais silvestres tem crescido. Ações futuras devem incluir maior investimento em inteligência e fiscalização online para coibir a venda de espécies protegidas.
- Prioridades das próximas etapas:
- Investigar a cadeia de fornecimento dos animais apreendidos.
- Identificar compradores e outros criadouros ilegais.
- Ampliar o monitoramento de redes sociais e marketplaces.
- Fortalecer parcerias com ONGs e centros de pesquisa.
A operação em Nova Iguaçu é um exemplo do trabalho árduo para proteger a fauna brasileira, mas também um alerta para a necessidade de esforços contínuos. A preservação das espécies depende de ações integradas e do compromisso de todos os setores da sociedade.















