Menina de 4 anos é achada enterrada na lavanderia e casal é preso por homicídio em GuarulhosPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
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Um homem e sua companheira foram presos em flagrante na noite da última quinta-feira em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. A Polícia Militar localizou o corpo da filha dele, de apenas 4 anos, enterrado sob o piso da lavanderia da residência onde o casal vivia.
A vítima foi identificada como Emanuelly Souza Silva. Investigações preliminares apontam que a morte teria ocorrido em 15 de setembro, mas o crime só foi descoberto mais de dois meses depois, período em que os suspeitos mantiveram a rotina na casa com o corpo da criança oculto no local.
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A descoberta macabra teve início quando a mãe biológica da menina, que não detinha a guarda da filha há cerca de dois anos, acionou o Conselho Tutelar por não conseguir contato ou informações sobre a criança. A ação do órgão foi fundamental para que a polícia chegasse ao endereço e desvendasse o caso.
Como o crime foi descoberto
A mobilização começou na tarde de quinta-feira, quando a mãe procurou o Conselho Tutelar para relatar a falta de notícias da filha. Em resposta, uma conselheira se dirigiu à residência do casal, localizada no bairro Parque Jandaia, para averiguar a situação.
No local, a madrasta da criança atendeu a conselheira e tentou desqualificar a denúncia, afirmando que a mãe biológica era uma pessoa ciumenta e que qualquer assunto deveria ser tratado diretamente com o pai da menina.
Diante da resposta evasiva, as autoridades foram acionadas. Já no período da noite, a Polícia Militar retornou ao imóvel e interrogou o pai, que apresentou diversas versões contraditórias sobre o paradeiro de Emanuelly.
Pressionado pelas inconsistências em seu relato, o homem acabou confessando que a filha havia morrido em meados de setembro e que o corpo estava enterrado na própria casa, indicando o ponto exato na área da lavanderia.
Confissão e versões contraditórias do casal
Após a confissão inicial, o pai da menina deu sua versão dos fatos às autoridades. Ele alegou que havia saído para trabalhar e, ao retornar, encontrou a filha já sem vida no sofá da sala. Afirmou ainda que a madrasta, sua companheira, o teria impedido de acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o convencido a ocultar o corpo para evitar problemas com a justiça. O suspeito disse ter sido o responsável por cavar o buraco na lavanderia, mas acusou a companheira de ter esquartejado a criança antes de enterrá-la, uma informação que está sendo rigorosamente apurada pela perícia técnica.
A madrasta, por sua vez, negou veementemente ter participado de qualquer ato de agressão ou de esquartejamento contra a enteada. Ao ser questionada pelos policiais sobre a possibilidade de maus-tratos recorrentes contra a criança, ela se recusou a fornecer mais detalhes. Sua resposta aos investigadores foi direta, afirmando que não falaria sobre o assunto porque já sabia que seria presa de qualquer forma. A divergência nos depoimentos é um dos focos da investigação para determinar o grau de participação e a responsabilidade de cada um na morte e ocultação do corpo de Emanuelly.
Análise da cena do crime e trabalho da perícia
A residência onde o corpo foi encontrado está localizada em uma rua tranquila do Parque Jandaia. Vizinhos informaram à polícia que não notaram nenhuma movimentação suspeita ou comportamento estranho por parte do casal nos últimos meses, o que contribuiu para que o crime permanecesse oculto por tanto tempo. A lavanderia, situada nos fundos do imóvel, tinha um piso de cimento recém-feito, que foi quebrado pelos agentes após a indicação precisa do pai. Equipes do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML) foram acionadas para o local. Os peritos realizaram a exumação do corpo, que foi encontrado enrolado em um cobertor e em avançado estado de decomposição, dificultando a identificação de lesões externas em um primeiro momento. [[_0] O material coletado na cena do crime, incluindo amostras do solo e do piso, será analisado para buscar evidências que ajudem a esclarecer a dinâmica exata da morte e da ocultação.
Histórico de violência e situação legal dos suspeitos
A investigação revelou que o pai de Emanuelly já possuía antecedentes criminais. Contra ele constam ao menos quatro boletins de ocorrência anteriores, um dos quais por maus-tratos contra outro filho.
Os demais registros envolvem crimes no âmbito da Lei Maria da Penha, incluindo lesão corporal, ameaça e injúria, tendo como vítima a mãe biológica da menina falecida.
O casal teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça na madrugada de sexta-feira, após audiência de custódia. Ambos foram encaminhados para unidades do sistema penitenciário.
Acompanhamento do caso pelo conselho tutelar
O Conselho Tutelar de Guarulhos segue acompanhando de perto o caso, prestando o suporte necessário à família. A mãe biológica, ao ser informada sobre a morte da filha, entrou em estado de choque e está recebendo acompanhamento psicológico.
O órgão também está verificando a situação dos outros filhos do casal, para garantir que estejam em segurança e recebam a proteção devida conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Rotina normal escondia o corpo da criança
O fato de o casal ter convivido por mais de 60 dias com o corpo da criança enterrado a poucos metros de onde realizavam suas atividades diárias chocou os investigadores e a comunidade local, evidenciando a frieza dos envolvidos.
Próximos passos da investigação policial
O caso foi registrado no 4º Distrito Policial de Guarulhos como homicídio qualificado, por motivo fútil e com emprego de meio cruel, além de ocultação de cadáver. A Delegacia de Homicídios da cidade assumiu a continuidade das apurações.
Nos próximos dias, a Polícia Civil deve ouvir novas testemunhas, incluindo familiares e vizinhos, e aguardar os laudos periciais do IML, que serão cruciais para determinar a causa exata da morte de Emanuelly.
















