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Cientistas nomeiam novas espécies de camaleões em homenagem a Franklin e Goodall

Camaleões
Foto: Camaleões - masteripink /Shutterstock.com
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Cientistas sul-africanos confirmaram a existência de quatro novas variedades de camaleões. Esses répteis pertencem ao gênero Nadzikambia e foram encontrados em regiões de floresta montanhosa, conhecidas como “ilhas do céu”, localizadas em Moçambique.

Tais espécies são consideradas crípticas, o que significa que não apresentam traços físicos visíveis que as distingam das duas outras espécies do gênero Nadzikambia já registradas: a Nadzikambia mjalensis, do Maláui, e a N. baylissi, encontrada em Moçambique.

A localização remota e o acesso complicado a esses habitats foram fatores cruciais para que esses animais permanecessem sem identificação por pesquisadores durante um longo período.

Cada uma das novas espécies foi descoberta em um monte distinto no território moçambicano. O isolamento geográfico dessas populações nas chamadas “ilhas” montanhosas, um processo evolutivo iniciado há aproximadamente 6 milhões de anos, resultou no surgimento dessas quatro novas variedades. Essas “ilhas do céu” são ecossistemas únicos, funcionando como refúgios de biodiversidade onde a separação física por planícies ou vales mais quentes impulsiona a evolução de espécies endêmicas, destacando sua importância crucial para a manutenção da vida selvagem e estudos evolutivos globais. Entre as novas espécies estão: N. franklinae, nomeada em tributo à química britânica Rosalind Franklin (1920-1958), responsável pela descoberta da estrutura em dupla hélice do DNA; N. goodallae, que celebra a ativista e primatóloga Jane Goodall (1934-2025); N. evanescens, cujo significado literal é “desaparecendo”, um alerta para o status de ameaça da espécie; e N. nubila, derivada do latim “nuvem”, remetendo às características das montanhas encobertas por névoa, habitat desse réptil.

A descrição detalhada da descoberta foi publicada em abril deste ano, na revista especializada Vertebrate Zoology. O estudo é assinado por Krystal Tolley, professora de zoologia na Universidade de Joanesburgo, e Werner Conradie, curador de herpetologia no Museu de Porto Elizabeth (Humewood), além de pesquisador na Universidade Nelson Mandela, em George (África do Sul).

O gênero Nadzikambia, comumente chamado de camaleão-selvagem, engloba espécies que possuem um comportamento majoritariamente arborícola. Esses animais habitam principalmente o dossel das árvores, onde buscam insetos e outros invertebrados para se alimentar.

Conforme aponta a pesquisa, o modo de vida arborícola e a similaridade visual desses lagartos com espécies já conhecidas contribuíram para que eles não fossem notados por tanto tempo.

“As pessoas não costumavam olhar para o alto na busca por esses animais. A incrível capacidade de camuflagem dos camaleões em seu ambiente tornava difícil a sua identificação, até mesmo em árvores mais baixas. Para localizá-los nessas montanhas, foi preciso um esforço considerável”, explicou a pesquisadora envolvida no estudo.

Durante o estudo, os cientistas examinaram um total de 46 espécimes do gênero Nadzikambia. Esses exemplares estavam armazenados no Museu de Port Elizabeth e no Museu de História Natural de Londres, abrangendo também aqueles coletados pela equipe de Tolley nas áreas de floresta montanhosa de Moçambique.

Os pesquisadores empregaram uma análise de evidência total, que combinou informações morfológicas, como a contagem de escamas e a estrutura interna, com dados genéticos. Esses dados genéticos foram extraídos de três genes nucleares e de um gene do DNA mitocondrial, transmitido exclusivamente pela linhagem materna.

Externamente, contudo, os camaleões demonstraram mínima variação morfológica, tanto na quantidade de escamas quanto na sua pigmentação.

“Nesse ponto, as ferramentas de análise de DNA se tornam fundamentais. Apesar da semelhança externa, cada espécie possui assinaturas genéticas exclusivas. A magnitude das diferenças encontradas nos genes analisados nos proporciona grande segurança de que se trata de espécies realmente distintas”, destacou o estudo.

“Essas florestas tropicais encontram-se totalmente separadas por extensões de savana com clima mais seco”, explicou a bióloga. “Isso significa que, por milhões de anos, não houve troca genética entre as populações de camaleões em cada uma dessas ‘ilhas’. A diversidade genética observada hoje entre as espécies nos permite calcular que esse processo de isolamento começou há aproximadamente 5 a 6 milhões de anos.”

Camaleão
Camaleão – DSlight_photography/ Shutterstock.com

A pesquisa também ressaltou a importância da conservação dessas espécies recém-descobertas. O desmatamento em ritmo acelerado em Moçambique representa uma séria ameaça ao ecossistema particular onde os camaleões Nadzikambia habitam. Os autores decidiram, por isso, incorporar nomes de ativistas ambientais nos epítetos de alguns dos lagartos, buscando destacar a relevância de sua atuação.

“Lamentavelmente, as mulheres da ciência que inspiraram os nomes da espécie do Monte Namuli [N. franklinae] e do Monte Ribáuè [N. goodallae] não estão mais vivas na data de publicação deste trabalho, mas nos sentimos honrados em prestar essa homenagem”, declararam os autores do estudo.

“Jane Goodall, embora focada em chimpanzés [Pan troglodytes] e não em camaleões, dedicou boa parte de sua vida a pesquisas em ambientes florestais. A degradação das florestas e de outros habitats, tanto no Monte Ribáuè quanto nas regiões da África Central e Ocidental onde o P. troglodytes é encontrado, está empurrando as espécies que dependem desses ecossistemas para a beira da extinção”, concluíram os cientistas.

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