Vítima de ataque de tubarão em PE, Marcela Vitória compartilha superação e planos para o futuroPor Beatriz
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Dois incidentes com tubarões, ocorridos em menos de 24 horas na costa da Região Metropolitana do Recife, alteraram drasticamente a trajetória de dois jovens, mas culminaram em um desfecho notável: ambos conseguiram sobreviver.
Uma das vítimas, Marcela Vitória, de 19 anos, que foi atacada no início de junho, concedeu uma entrevista exclusiva detalhando os acontecimentos e seu processo de reabilitação após o ocorrido.
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João Lucas, outro jovem, sofreu um ataque na Praia de Piedade em 31 de maio. Ao receber alta do hospital, ele foi calorosamente homenageado pela equipe médica e de enfermagem, que cantou “É campeão”. Uma das médicas expressou o sentimento geral: “Você é uma vitória. É um milagre. E que bom que você vai para casa. Você vai ter toda a sua vida pela frente.”
Pouco mais de um dia após o primeiro incidente, um novo ataque foi registrado, desta vez na Praia de Boa Viagem, vitimando a estudante de Direito Marcela Vitória dos Santos. Ainda em processo de recuperação, ela demonstra resiliência e foco no futuro. “Minha vida não acabou. O mundo não parou ali”, afirmou.
Em sua entrevista exclusiva, Marcela relembrou os momentos do ataque. Ela descreveu que estava no mar, em uma área rasa, quando sentiu um toque na mão, seguido rapidamente por uma mordida na altura da coxa. O predador responsável era um tubarão-tigre, com mais de três metros de comprimento.
“Foi questão de segundos. Quando eu olhava para baixo, eu não conseguia ver”, relatou a jovem.
A estudante percebeu a gravidade da situação ao notar a grande quantidade de sangue e decidiu que precisava reagir. “Eu pensei que, se ele continuasse mordendo, provavelmente ia me matar. Então eu gritei o máximo que pude para chamar meu primo”, contou Marcela.
Jonas André de Lima, seu primo, ouviu os pedidos de socorro e, mesmo ciente do perigo iminente do tubarão, entrou na água para resgatar a prima. “Eu não poderia deixar ela morrer ali naquele local”, declarou Jonas, que Marcela considera um herói. Um médico que estava presente na praia conseguiu estancar a hemorragia antes da chegada do socorro.
Marcela permaneceu consciente durante todo o processo de resgate. Ela se recorda precisamente do instante em que compreendeu a perda da perna. “Naquele momento eu senti o luto. Não o luto de uma pessoa, mas o luto de ter perdido um membro”, disse. A internação durou 40 dias, com cinco deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e exigiu a realização de duas cirurgias.
Sua mãe, Jacicleide Severina de Lima, acompanhou de perto toda a recuperação. Mãe solo, ela lembrou que Marcela trabalhava como auxiliar de pizzaiolo para auxiliar nas despesas domésticas enquanto cursava direito. Atualmente, a família enfrenta o desafio financeiro de custear a reabilitação, já que a jovem ainda não tem condições de retornar ao trabalho.
Apesar de todas as adversidades, Marcela garante que o ataque não alterou seus planos futuros. Ela continua sonhando em se tornar juíza e expressa a intenção de aproveitar intensamente a segunda chance que recebeu da vida. “Isso só vai me deixar mais forte. Vamos viver, estudar, trabalhar e aproveitar tudo o que a vida oferece de bom. Vamos seguir em frente, sem olhar para trás”, finalizou a estudante.















