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A Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação para apurar as circunstâncias da morte de Abdoulaye Dieng, um bebê de um ano e quatro meses, ocorrida na manhã de 22 de julho de 2026. O menino perdeu a vida após ficar com a cabeça presa na estrutura de proteção de um espelho dentro de uma instituição de ensino infantil na região central da cidade. O caso tramita sob a tipificação de homicídio culposo, quando não existe a intenção de matar, enquanto os agentes buscam identificar as responsabilidades pela falha na segurança do ambiente.

Câmeras de segurança registram os minutos em que o bebê ficou preso na estrutura

O acidente fatal aconteceu nas instalações da Creche Luz do Brás, especificamente em uma sala utilizada para atividades diversas com os alunos. As imagens captadas pelo sistema de monitoramento interno mostram que Abdoulaye se aproximou de um espelho fixo na parede, que contava com uma grade de ferro ao seu redor. O registro em vídeo detalha o momento em que a criança se deita no chão e introduz a cabeça no vão existente entre o vidro e a armação metálica.

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As gravações do circuito fechado indicam que o menino tentou se desvencilhar da grade durante aproximadamente seis minutos contínuos. Somente após esse período as educadoras presentes no local perceberam a situação crítica e retiraram o bebê do equipamento. O tempo prolongado sem que nenhum adulto notasse o sufocamento levanta questionamentos sobre o padrão de vigilância aplicado aos alunos da primeira infância dentro da sala de aula.

Funcionárias dispensam ambulância e levam a vítima de carro para o pronto-socorro

Após soltarem a criança da armadilha de metal, as próprias trabalhadoras da creche decidiram transportá-la em um veículo particular em direção à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca. No meio do trajeto até o hospital, o grupo que levava o bebê no colo encontrou uma equipe da Polícia Militar que patrulhava as ruas do bairro e solicitou escolta para agilizar a chegada ao centro médico.

Ao darem entrada na unidade de saúde, os médicos plantonistas executaram os protocolos de reanimação cardiorrespiratória. Apesar dos esforços clínicos, o quadro de asfixia já se mostrava irreversível e a equipe atestou o óbito na própria UPA. O desfecho da corrida contra o tempo provocou forte comoção entre os profissionais envolvidos no atendimento e as pessoas que acompanhavam a movimentação no local.

Família de imigrantes senegaleses recebe a notícia pouco após deixar o filho na escola

O pai da criança, Ibrahima Dieng, atua como comerciante e mora no Brasil há dez anos, desde que deixou o Senegal. Ele relatou aos policiais a sequência de eventos daquela manhã, afirmando que entregou o filho aos cuidados da instituição de ensino por volta das 7h30. Cerca de uma hora e meia depois desse momento de rotina, ele recebeu uma ligação telefônica informando que o menino estava em estado grave.

Profundamente abalado com a perda do filho caçula, o imigrante descreveu o ambiente de desespero que se instalou em sua família. A gravidade da notícia causou um choque tão severo na mãe de Abdoulaye que ela sofreu um mal-estar físico agudo e precisou receber atendimento médico para conseguir lidar com as primeiras horas de luto em um país estrangeiro.

Advogado acusa falha na vigilância e descumprimento de lei federal de primeiros socorros

O advogado Erson de Oliveira, constituído para representar a família Dieng, afirma que as imagens das câmeras comprovam uma omissão direta por parte do corpo docente. O representante jurídico argumenta que o bebê permaneceu desassistido no momento mais crítico, brincando longe do campo de visão dos responsáveis. Segundo ele, essa falta de atenção contínua permitiu que a criança ficasse presa e asfixiada sem que ninguém intercedesse a tempo de salvar sua vida.

A defesa também questiona a decisão das funcionárias de não acionarem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou o Corpo de Bombeiros. A atitude contraria as diretrizes da Lei Lucas (Lei 13.722/18), que exige a certificação anual de professores e funcionários de escolas em cursos práticos de primeiros socorros, justamente para estabilizar vítimas de engasgo ou asfixia até a chegada do suporte médico avançado. O advogado garante que a tragédia era evitável com a aplicação correta dos protocolos e confirmou que ingressará com uma ação de reparação por danos morais e materiais na Justiça.

Delegacia do Brás ouve cinco investigadas e aguarda laudos da perícia criminal

O caso foi registrado no 8º Distrito Policial (Brás), que conduz as investigações sob a premissa inicial de homicídio culposo. Para montar o quebra-cabeça da dinâmica do acidente, a autoridade policial responsável pelo inquérito requisitou uma série de medidas investigativas imediatas:

  • Equipes do Instituto de Criminalística isolaram a sala de atividades para realizar a perícia técnica no espelho e na grade.
  • O corpo de Abdoulaye passou por exames necroscópicos no Instituto Médico Legal (IML) da capital paulista.
  • Os laudos oficiais emitidos pelos peritos servirão como base para determinar a causa exata da morte e as dimensões do equipamento que causou o estrangulamento.
  • A Polícia Civil incluiu formalmente cinco profissionais da creche no rol de investigadas, envolvendo membros da direção, coordenação e professoras.
  • Até o momento, a Justiça não expediu mandados de prisão, e as funcionárias respondem ao inquérito em liberdade enquanto os documentos técnicos são finalizados.

Prefeitura de São Paulo promete apuração rigorosa sobre a unidade conveniada

A Secretaria Municipal de Educação (SME) emitiu uma nota pública lamentando a morte do bebê e prestando solidariedade à família de origem senegalesa. A administração municipal destacou que enviou equipes da Diretoria Regional de Educação e psicólogos do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA) para fornecer suporte emocional aos pais da vítima.

O governo municipal ressaltou que a Creche Luz do Brás funciona como uma unidade parceira, modelo em que instituições privadas recebem repasses da prefeitura para administrar vagas na educação infantil, e que o contrato passará por uma auditoria completa. A secretaria assegurou que colabora com as autoridades policiais e que aplicará as sanções administrativas cabíveis ao fim do processo. O caso reacende o debate sobre a necessidade de vistorias mais frequentes nas estruturas físicas de espaços dedicados a crianças pequenas.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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