Economia

Patrimônio de Jorge Paulo Lemann sobe para R$ 103,5 bilhões

Jorge Paulo Lemann - reprodução
Foto: Jorge Paulo Lemann - reprodução
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O empresário Jorge Paulo Lemann atingiu um patrimônio de R$ 103,5 bilhões e garantiu a terceira posição na lista de bilionários brasileiros em 30 de junho de 2026, com uma expansão de 17,61% sobre o resultado anterior. O cofundador da 3G Capital se posiciona diretamente atrás de Eduardo Saverin, titular de R$ 162,9 bilhões, e de Vicky Safra e família, que somam R$ 130,6 bilhões.

O avanço financeiro superou as perdas do levantamento anterior de 2025, quando os bens do investidor encolheram 4,2% e alcançaram a marca de R$ 88 bilhões. O cálculo da fortuna baseou-se nos valores das ações apurados no encerramento das negociações da bolsa de valores na data limite estipulada. Os papéis reagiram favoravelmente no mercado.

O empresário nasceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 26 de agosto de 1939, filho de um cidadão suíço que fundou a fábrica de laticínios Leco no município fluminense de Resende no início do século passado. Graduado em economia pela Universidade Harvard, o executivo atuou como esportista, foi campeão nacional júnior aos 17 anos, acumulou cinco troféus nacionais adultos e defendeu tanto o Brasil quanto a Suíça no torneio da Copa Davis.

dinheiro
dinheiro – Foto: EDSON DE SOUZA NASCIMENTO/Shutterstock.com

A atuação no setor financeiro começou em 1971, ano em que o empresário adquiriu uma pequena corretora em território carioca que mais tarde deu origem ao Banco Garantia. Essa instituição de crédito manteve operações consolidadas até ser negociada com o Credit Suisse em 1998, logo após encerrar um exercício desfavorável. O banco formou executivos de destaque.

A aliança empresarial entre Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira nasceu naquela mesma década e estruturou os negócios do grupo empresarial ao longo do tempo. O grupo comprou o controle acionário da rede Lojas Americanas no ano de 1982 e aplicou cortes drásticos de custos com fixação de metas rígidas que moldaram outros negócios.

Crescimento no setor de bebidas impulsiona a fortuna

O Banco Garantia adquiriu o controle da cervejaria Brahma em 1989 e realizou a integração com a Companhia Antarctica uma década depois para fundar a Ambev.

A cervejaria nacional concluiu a união com o grupo belga Interbrew no ano de 2004 para criar a Anheuser-Busch InBev, uma das maiores fabricantes do segmento em escala global. Lemann permanece no comando da empresa e mantém cotas em outras holdings internacionais, como a Restaurant Brands International, que controla o Burger King e a Tim Hortons.

O salto no capital individual resultou da valorização dos ativos no mercado financeiro brasileiro ao longo do ano de 2026. Em 5 de maio, as ações da Ambev subiram 15,3% na B3 após a divulgação do balanço trimestral, o que garantiu a segunda maior marca histórica dos papéis e o maior fechamento verificado desde o mês de abril de 2018. O rendimento superou 23% no ano.

Sociedade na 3G Capital expande investimentos no exterior

Lemann, Sicupira e Telles estruturaram a 3G Capital em 2004 e fecharam um acordo com Warren Buffett e a Berkshire Hathaway em 2013 para gerenciar a aquisição da Heinz, iniciativa que desaguou na consolidação de um negócio conjunto de US$ 46 bilhões com a Kraft em 2015. Esse arranjo societário concentrou marcas globais de consumo alimentar.

A gestora vendeu sua fatia de 16,1% na Kraft Heinz em 2023, liquidando os investimentos mantidos por nove anos consecutivos.

A Kraft Heinz comunicou a divisão societária do grupo em duas companhias independentes em 2025, estabelecendo o encerramento do processo para o segundo semestre de 2026. Warren Buffett manifestou descontentamento com o término do arranjo societário anterior.

A aquisição da empresa de calçados Skechers representou o movimento comercial recente da empresa ao movimentar US$ 9,4 bilhões. O consórcio pagou US$ 63 à vista por ação ordinária, gerando um ágio de 28% sobre a cotação prévia. A operação foi encerrada em 12 de setembro de 2025 com a saída dos papéis da Bolsa de Nova York.

Recuperação judicial e perdas financeiras na varejista

A descoberta de um rombo contábil de R$ 20 bilhões no balanço corporativo publicado em janeiro de 2023 afetou a credibilidade dos controladores da Lojas Americanas, diante de compromissos pendentes que somavam aproximadamente R$ 40 bilhões. A quantia mobilizou credores bancários e fornecedores.

A Comissão de Valores Mobiliários registrou que a varejista ingressou com pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 25 bilhões em débitos, recebeu aporte de R$ 12 bilhões dos acionistas principais, converteu idêntico montante de obrigações em ações e lançou debêntures no mercado.

Lemann, Sicupira e Telles declararam em documento público emitido em janeiro de 2023 que não detinham ciência de adulterações e que reprovavam manobras financeiras nos balanços da empresa. O comunicado reuniu a manifestação formal dos três sócios.

A direção da varejista requereu o encerramento do processo de recuperação judicial em 25 de março de 2026 ao apontar o adimplemento das condições pactuadas, enquanto credores contestaram a extinção alegando atrasos nos repasses.

Projetos na área social e rotina no exterior

O investidor articulou projetos educacionais privados e criou a Fundação Estudar em 1991 com o propósito de conceder bolsas universitárias a jovens brasileiros. A Fundação Lemann surgiu em 2002 para aplicar investimentos na melhoria da gestão do ensino público do país.

O bilionário transferiu sua residência para a Suíça no ano de 1999 após uma tentativa de sequestro de seus filhos no Brasil.

Com 87 anos de idade, Lemann compõe o conjunto de 37 bilionários originários do Rio de Janeiro presentes no ranking de 2026, grupo estadual detentor de R$ 600,8 bilhões em patrimônio dentro do universo de 255 brasileiros com patrimônio total avaliado em R$ 1,86 trilhão. O empresário preserva participações operacionais ativas.

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