Bancos e instituições financeiras iniciaram nesta sexta-feira (9) a devolução automática de R$ 1,325 bilhão retido em plataformas de apostas a 26,5 milhões de apostadores em todo o território nacional. O dinheiro está sendo depositado diretamente nas mesmas contas bancárias que os clientes cadastraram e usavam para transferir recursos aos sites de jogos.
Os pagamentos acontecem de maneira compulsória e seguem em andamento até quarta-feira (14), data-limite para que as redes bancárias finalizem o repasse dos saldos. Dario Durigan, ministro da Fazenda, confirmou que cerca de 40 contas que registravam quantias superiores a R$ 500 mil foram identificadas e remetidas para fiscalização criminal.
“E esses já estão sob investigação, para a gente poder evidenciar às autoridades competentes, em especial Ministério da Justiça e Polícia Federal, se há indício de lavagem de dinheiro, se há indício de alguma irregularidade em relação a isso”, afirmou o ministro da Fazenda em Brasília.
Como funciona o pagamento automático aos apostadores de bets?
O crédito ocorre sem a necessidade de requerimento adicional por parte do titular que manteve a conta bancária ativa no sistema financeiro. Os valores retornam para a conta de mesma titularidade de onde saíram os aportes para as plataformas, utilizando as bases de dados e a identificação por CPF consolidadas até quinta-feira (8), quando venceu o prazo para as empresas enviarem os extratos individualizados aos operadores financeiros.
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A devolução bancária integra as diretrizes impostas pelo governo federal com a Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro de 2026, que determinou a proibição integral das apostas de quota fixa e dos cassinos digitais no país. O cronograma oficial estabeleceu a segunda-feira (5), às 23h59, como término para o saque direto por iniciativa do usuário. Em seguida, na terça-feira (6), começou a desativação dos sistemas das 188 empresas que operavam com autorização temporária, além de 13.241 páginas irregulares enviadas para bloqueio.
Nos casos em que as apostas de quota fixa foram cadastradas antes do encerramento das operações e permaneceram pendentes sem a definição dos eventos esportivos, a determinação federal impôs o cancelamento imediato de todos os bilhetes. O dinheiro aplicado nessas apostas não finalizadas foi somado aos saldos totais remanescentes para reembolso integral ao consumidor, sem a cobrança de tarifas ou aplicação de descontos contratuais.
Concentração de valores e saldos residuais em plataformas de apostas
Os dados apurados pelo Ministério da Fazenda mostram uma distribuição desigual do total retido no sistema de apostas. A maior parte do saldo financeiro está restrita a uma fatia pequena de jogadores, enquanto dezenas de milhões de registros mantinham frações mínimas de dinheiro antes do bloqueio das plataformas.
Apenas 1% dos apostadores, o equivalente a quase 200 mil pessoas, concentra 80% de todo o R$ 1,325 bilhão que começou a ser devolvido. Quando a fatia é ampliada para 3,4% do público devedor, a concentração atinge 90% dos valores globais retidos. No extremo oposto, 86,2 milhões de contas ativas possuem saldos inferiores a R$ 1, variando entre R$ 0,01 e R$ 0,99, montante que reunido chega a R$ 15,5 milhões. A divergência entre o número de contas e os 26,5 milhões de CPFs decorre de cadastros simultâneos feitos por um mesmo consumidor em diferentes páginas da internet.
Dados do encerramento e devolução do dinheiro de bets
- Total financeiro retido para devolução: R$ 1,325 bilhão
- Pessoas físicas com valores a receber: 26,5 milhões de CPFs cadastrados
- Contas com saldo inferior a R$ 1: 86,2 milhões de registros, totalizando R$ 15,5 milhões
- Contas com quantias acima de R$ 500 mil em apuração policial: cerca de 40 titulares
- Empresas com autorização desativadas: 188 plataformas digitais
- Sites irregulares encaminhados para bloqueio oficial: 13.241 endereços virtuais
- Período de repasse bancário automático: de 9 a 14 de outubro de 2026
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Transferência de saldos com entraves para a Caixa Econômica Federal
Caso o apostador enfrente problemas cadastrais, encerramento de conta corrente ou divergência de titularidade que impeça o depósito automático até quarta-feira (14), os valores não serão perdidos. O montante não liquidado no prazo regular pelos bancos privados e públicos será transferido integralmente sob custódia da Caixa Econômica Federal.
A partir dessa transferência, o cidadão precisará se manifestar para resgatar a quantia devida. O Ministério da Fazenda informou que “as orientações aos apostadores nessa etapa serão divulgadas pelos canais oficiais”, detalhando os procedimentos para atendimento presencial ou virtual junto ao banco estatal para os casos que dependerem de regularização individual.
