Cadela Marta fareja sacola e salva bebê abandonado na Itália

Cadela Marta - Greenme/Reprodução

Cadela Marta - Greenme/Reprodução

A auxiliar de limpeza Sandra P., que completa 68 anos em 31 de outubro, localizou um recém-nascido abandonado em Cinisello Balsamo, comuna na província de Milão, na Itália, após sua cadela Marta insistir em farejar a base de uma árvore. O menino tinha aproximadamente 2 horas de vida quando foi resgatado na tarde de segunda-feira (12), por volta das 16h15 no horário local, foi levado ao Hospital Niguarda e já respira sem ajuda de aparelhos.

A descoberta ocorreu no cruzamento das ruas Monte Ortigara e Pasubio, durante um passeio da moradora com suas duas cadelas adotadas das ruas, Marta, de 14 anos, e Beatrice, de 13 anos. A tutora relatou que é preciso agradecer a Marta, que tem o hábito de cheirar tudo, pelo salvamento do menino. A cadela a levou para debaixo da árvore e não queria sair, puxando a guia enquanto a moradora a repreendia por pensar que houvesse lixo no local, e só parou de puxar quando ela pegou a sacola.

Resgate do bebê na região de Milão e atendimento no Hospital Niguarda

Escondida sob os galhos, a sacola amarrada continha o recém-nascido ao lado da placenta, de um lençol manchado de sangue, de um suéter e de meias. Como havia saído de casa sem telefone celular, Sandra pediu auxílio a uma motorista que passava pela via e a um voluntário da Auser, associação italiana de apoio social e envelhecimento ativo, que aqueceram a criança e acionaram os números de emergência 112 e 118.

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Socorristas da Agenzia Regionale Emergenza Urgenza (AREU), órgão público responsável pelo atendimento pré-hospitalar de urgência na região da Lombardia, realizaram o transporte em código vermelho, classificação médica destinada a pacientes com risco iminente de morte, até a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Niguarda, em Milão. O menino deu entrada na unidade hospitalar com quadro de hipotermia leve, passou por procedimentos de aquecimento, recebeu suporte respiratório inicial e foi submetido a exames neurológicos e infectológicos para descartar complicações provocadas pelo parto sem assistência médica.

A evolução clínica permitiu a retirada dos aparelhos na terça-feira (13). Na quarta-feira (14), o diretor do Departamento Materno-Infantil e de Neonatologia e Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Niguarda, Stefano Martinelli, informou que o suporte respiratório havia sido suspenso no dia anterior e que o menino respira espontaneamente, apresenta bons parâmetros vitais, pesa 4 quilos, tem um andamento regular do crescimento de peso e se alimenta espontaneamente na mamadeira.

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Homenagem ao Papa Leão e mobilização social em Cinisello Balsamo

A equipe médica do Hospital Niguarda e o conselheiro de Bem-Estar da Região da Lombardia, Guido Bertolaso — cargo equivalente ao de secretário estadual de Saúde no Brasil —, batizaram o menino de Leone durante uma visita realizada em 13 de outubro de 2026. A escolha faz referência direta ao Papa Leão, que no momento do anúncio encontrava-se internado no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma, para uma cirurgia no pulmão, além de simbolizar força para o bebê. Bertolaso declarou que o nome representa antes de tudo um voto de pronta recuperação para o Santo Padre e também um desejo para o menino, que já enfrentou uma situação muito difícil e demonstrou reagir.

O abandono gerou reação imediata na administração municipal e entre os moradores da província de Milão. O prefeito de Cinisello Balsamo, Giacomo Ghilardi, afirmou que a administração e os moradores estão chocados e incrédulos diante de um ato que classificou como impensável e desumano, acrescentando que o bebê é considerado um filho de toda a comunidade e que o município fará tudo o que for necessário para protegê-lo.

Regras do parto anônimo na Itália e investigação da polícia de Milão

Diante da repercussão do caso e da chegada de doações de roupas, cobertores, brinquedos e pedidos de adoção ao Hospital Niguarda, as autoridades reforçaram a existência do Decreto do Presidente da República (DPR) 396/2000. A legislação italiana garante o chamado parto em anonimato, dispositivo legal pelo qual qualquer gestante pode dar à luz gratuitamente e com assistência médica em hospitais públicos da Itália sem a obrigação de reconhecer juridicamente o recém-nascido, assegurando a proteção à saúde da mulher e do bebê.

Ao comentar a lei, Guido Bertolaso fez um apelo público às gestantes em situação de vulnerabilidade, explicando que é possível procurar um hospital, receber assistência durante o parto e optar por não reconhecer o próprio filho, mantendo o anonimato nos termos previstos pela legislação. Segundo o conselheiro, a mãe que abandonou o recém-nascido na rua poderia ter recorrido a esse direito, o que teria sido muito melhor para a saúde de ambos.

A identidade da mãe biológica e de quem deixou a sacola sob a árvore ainda não foi descoberta pela polícia italiana. Agentes do comissariado de Cinisello Balsamo e do Esquadrão Móvel da polícia de Milão, divisão especializada em investigações criminais, analisam imagens de câmeras de vigilância instaladas nas proximidades, embora parte dos equipamentos estivesse encoberta por folhas de árvores. Enquanto o inquérito policial prossegue, o destino de Leone e a análise dos pedidos de adoção serão definidos pela Justiça da Itália.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração