Lula rejeita corte de gastos sugerido por Gabriel Galípolo no BC

Lula - casa.da.photo/Shutterstock.com

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O presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quinta-feira (15), no Rio de Janeiro, discordar da avaliação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a necessidade de realizar cortes de gastos públicos para reduzir a taxa de juros. Na entrevista, o chefe do Executivo afirmou que o equilíbrio fiscal e a melhora da relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país) devem ocorrer pelo estímulo ao crescimento econômico, sem atingir a população de baixa renda.

A declaração foi feita durante sabatina na TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, a 10 dias do segundo turno da eleição presidencial. “Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. Toda vez, o povo pobre. E eu não quero que o povo pobre pague”, afirmou o presidente.

Divergência de Lula com Gabriel Galípolo sobre o consumo

Indicado pelo próprio petista ao comando da autarquia, Gabriel Galípolo havia avaliado que o modelo de expansão econômica baseado no estímulo ao consumo estaria esgotado e que seriam necessários cortes substanciais de despesas para permitir a queda dos juros. Questionado sobre a posição do dirigente do Banco Central em 15 de outubro de 2026, o presidente rejeitou a premissa de contenção orçamentária sobre demandas sociais e sustentou que a saída para as contas públicas depende do avanço da atividade produtiva.

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Ao ser confrontado com o aumento de 10 pontos percentuais da dívida pública brasileira em relação ao PIB durante o seu atual mandato, o candidato admitiu preocupação com a evolução do endividamento e reconheceu a necessidade de manter o controle sobre o orçamento. “Eu sei que, se a gente perder o controle do nosso orçamento, a coisa quebra e vai sobrar para o lado mais pobre”, declarou o presidente na entrevista.

Para justificar a elevação do endividamento estatal, o mandatário argumentou que a tomada de recursos se sustenta quando o dinheiro é direcionado para investimentos e para a construção de ativos produtivos capazes de gerar retorno futuro ao país, citando como exemplos obras de ferrovias, hidrelétricas e portos.

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Diretrizes de Lula para a microeconomia e promessas para 2027

Para conduzir a área econômica em um eventual quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva

defendeu uma diretriz focada na microeconomia, sustentada pelo fortalecimento do microcrédito, pelo apoio a pequenos empreendedores e a MEIs (microempreendedores individuais), pela renegociação de dívidas e pela valorização do salário mínimo acima da inflação. “Eu tenho divergência de muitos economistas, porque eu tenho uma tese econômica. A minha tese é a seguinte: muito dinheiro na mão de poucos é pobreza e pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”, disse o petista.

Na sabatina, o candidato comparou sua proposta para a renda do trabalhador com a do seu adversário no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Eu estou propondo não cortar do pobre. Diferente do meu adversário, que já anuncia que não haverá aumento de salário mínimo acima da inflação. No meu caso, tem”, afirmou.

As promessas apresentadas pelo candidato petista ao longo da campanha eleitoral — que englobam o reajuste de 15% no programa de transferência de renda Bolsa Família, a criação do programa de renegociação de dívidas Desenrola 3.0, a ampliação do incentivo financeiro-educacional Pé-de-Meia para estudantes universitários e medidas voltadas aos MEIs — têm impacto estimado de até R$ 49,8 bilhões no Orçamento da União de 2027, ano em que a meta fiscal oficial projeta um superávit de R$ 18,6 bilhões nas contas do governo.

Histórico econômico citado por Lula e temas do segundo turno

Durante a entrevista, o presidente resgatou indicadores econômicos e políticos para defender a viabilidade de sua gestão e mencionou mudanças de posicionamento em temas debatidos na campanha eleitoral. Em seus primeiros mandatos, iniciados em 2003, o governo quitou a dívida externa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e acumulou reservas internacionais.

Na sabatina, o petista também listou números sobre o desempenho da economia brasileira no ranking mundial, a relação do Poder Executivo com o Congresso Nacional e a pauta de segurança pública:

  • Evolução da 12ª para a 6ª posição entre as maiores economias mundiais nos mandatos anteriores iniciados em 2003, segundo relato do presidente.
  • Expectativa do atual governo de levar o Brasil à 8ª posição no ranking global das maiores economias em 2027.
  • Índice de 99% de aprovação no Congresso Nacional para os projetos enviados pelo Executivo, percentual declarado pelo mandatário.
  • Posicionamento favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos especificamente para casos de crimes hediondos, mudando a posição histórica defendida anteriormente pelo presidente.

A votação do segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro ocorre em 10 dias.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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