Cabelos brancos têm ligação com defesa celular contra o melanoma

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Cabelos brancos grisalhos Foto: Cabelos brancos grisalhos - Neziha Kalı Ertuğrul/Istock.com

Pesquisadores da Universidade de Tóquio descobriram que o surgimento de cabelos brancos pode resultar de um mecanismo de defesa celular que elimina células-tronco com danos no DNA. O estudo, publicado na revista científica Nature Cell Biology, demonstra que esse processo remove estruturas defeituosas dos folículos capilares e atua como uma barreira contra o melanoma, um tipo de câncer de pele, em camundongos.

A investigação foi conduzida no Instituto de Ciência Médica da Universidade de Tóquio, no Japão, sob a liderança da professora e autora sênior Emi Nishimura e do professor assistente e primeiro autor Yasuaki Mohri, com a colaboração dos coautores Jialiang Nie e Hironobu Morinaga. O artigo científico, intitulado Antagonistic Stem Cell Fates Under Stress Govern Decisions Between Hair Greying and Melanoma (Destinos antagônicos de células-tronco sob estresse governam decisões entre o embranquecimento capilar e o melanoma, em tradução livre), detalha que o destino do fio depende diretamente do tipo de agressão sofrida pelo material genético. “Essas descobertas revelam que a mesma população de células-tronco pode seguir destinos antagônicos — exaustão ou expansão — dependendo do tipo de estresse e dos sinais do microambiente”, afirmou Emi Nishimura, em tradução livre.

Células-tronco dos melanócitos e a reação aos danos no DNA

Cabelos Grisalhos
Foto: Cabelos Grisalhos – siro46/ shutterstock.com

Para identificar por que alguns fios perdem a pigmentação antes de outros, os cientistas utilizaram técnicas de rastreamento de linhagem ao vivo de longo prazo e análises de expressão gênica em modelos animais. O foco da observação concentrou-se nas células-tronco dos melanócitos (identificadas pela sigla McSCs), que ficam alojadas nas regiões do bulbo e do sub-bulbo do folículo capilar e dão suporte aos melanócitos, as células produtoras de melanina, o pigmento que dá cor aos fios e à pele. Quando essas estruturas sofrem quebras de fita dupla no DNA — dano provocado em laboratório por meio de irradiação de raios X —, elas acionam um processo biológico chamado diferenciação acoplada à senescência, ou senodiferenciação. Mediada pela via molecular p53-p21, essa resposta faz com que as células-tronco amadureçam de forma irreversível e sejam eliminadas do folículo, o que esgota a reserva de pigmento local, faz o pelo nascer branco e impede a multiplicação de células defeituosas que poderiam formar tumores.

A equipe japonesa testou a resposta capilar em grupos distintos de animais para medir o efeito da idade e do estresse celular sobre a perda de cor. Na comparação de pigmentação, os pesquisadores analisaram um grupo composto por 27 camundongos jovens, todos com 2 meses de idade, pertencentes à linhagem C57BL/6N. Outro grupo comparativo, voltado à observação do envelhecimento capilar avançado na mesma linhagem C57BL/6N, reuniu 155 camundongos idosos, com idades entre 22 e 29 meses.

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Ação de carcinógenos e o risco de desenvolvimento de melanoma

O comportamento das células-tronco muda quando o folículo capilar é submetido a agentes cancerígenos específicos, situação na qual a barreira protetora deixa de funcionar. Nos testes em que os camundongos foram expostos ao composto químico 7,12-dimetilbenz(a)antraceno ou à radiação ultravioleta B, as células-tronco dos melanócitos apresentaram lesões no DNA, mas contornaram o processo de senodiferenciação. Em vez de amadurecerem e desaparecerem, essas estruturas danificadas mantiveram a capacidade de autorrenovação e iniciaram uma expansão clonal, acumulando mutações que favorecem a formação de tumores de melanoma.

Esse bloqueio do mecanismo de eliminação celular ocorre devido à interferência de sinais químicos enviados pelo tecido ao redor do pelo. A exposição aos agentes carcinógenos ativa o metabolismo do ácido araquidônico e estimula a sinalização do ligante KIT, uma proteína secretada pelo nicho folicular local e pela epiderme. Essa combinação bioquímica sustenta a sobrevivência e a multiplicação das células com DNA comprometido, impedindo que o fio fique branco, mas elevando o risco oncológico no tecido afetado. “Isso reformula o embranquecimento capilar e o melanoma não como eventos sem relação, mas como resultados divergentes das respostas ao estresse das células-tronco”, declarou a professora Emi Nishimura.

Funcionamento do folículo capilar e histórico da publicação na Nature Cell Biology

Em condições normais de funcionamento do organismo, estado biológico conhecido como homeostase, as células-tronco dos melanócitos permanecem no folículo piloso na forma de melanoblastos imaturos. A cada novo ciclo de crescimento capilar, essa população celular se regenera de maneira regular para repor os melanócitos e manter a coloração estável dos pelos e da pele, até que fatores como predisposição genética, envelhecimento natural ou estresse agudo alterem esse equilíbrio.

O trabalho do Instituto de Ciência Médica da Universidade de Tóquio foi publicado originalmente na Nature Cell Biology em 6 de outubro de 2025 e voltou à pauta de divulgação científica nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026. Os registros oficiais e os parâmetros metodológicos do estudo incluem os seguintes dados:

  • Data de publicação na revista Nature Cell Biology: 6 de outubro de 2025.
  • Data do comunicado oficial do Instituto de Ciência Médica da Universidade de Tóquio: 20 de outubro de 2025.
  • Identificador digital do artigo científico (DOI): 10.1038/s41556-025-01769-9.

Limitações clínicas em humanos e cuidados com a pele

Os autores do estudo destacam que o aparecimento de cabelos brancos não confere imunidade nem representa prevenção direta contra o câncer em seres humanos. A senodiferenciação descrita na pesquisa atua apenas como uma via celular protetora induzida por estresse para remover células potencialmente nocivas em folículos específicos, e a presença de fios sem cor não serve como indicador médico para estimar o risco individual de uma pessoa desenvolver tumores.

Ainda não há confirmação clínica de até que ponto o mecanismo observado nos camundongos se aplica exatamente da mesma maneira ao organismo humano, nem se a descoberta permitirá prever quais fios individuais ficarão brancos primeiro ao longo da vida. Por esse motivo, a recomendação médica para a prevenção do melanoma e de outros tipos de câncer de pele continua baseada no uso de proteção contra a radiação solar, na observação regular de manchas ou alterações cutâneas e na avaliação clínica de sinais suspeitos.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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