Horário de verão segue suspenso e governo marca leilão de baterias para dezembro de 2026

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Horário de verão Foto: Horário de verão - Foto: Daniel Tamas Mehes/istock

O Ministério de Minas e Energia (MME) mantém a suspensão do horário de verão com base na segurança energética e nos níveis elevados dos reservatórios das hidrelétricas. O titular da pasta, Alexandre Silveira (PSD), afirmou em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que o planejamento do setor elétrico está concluído e dispensa o adiantamento dos relógios. Em vez de alterar a rotina da população, a estratégia federal prioriza o primeiro leilão de baterias do país, agendado para dezembro de 2026.

Suspensa desde 2019 por decreto assinado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), a mudança anual de fuso horário só voltaria a ser aplicada em caso de necessidade hídrica ou operacional comprovada. A pasta governamental baseia a dispensa nas projeções anuais superadas nos reservatórios e na modernização da rede para absorver fontes renováveis intermitentes.

Monitoramento diário do ONS e estabilidade hídrica

Os volumes armazenados nas usinas hidrelétricas superam as expectativas técnicas traçadas para o período e asseguram o fornecimento de eletricidade sem intervenções no fuso horário. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão, acompanha diariamente a situação das bacias hidrográficas.

Os relatórios técnicos elaborados pelos especialistas do ONS apontam estabilidade no abastecimento em todas as regiões integradas. Qualquer revisão futura sobre a necessidade de medidas adicionais de economia pelo Ministério de Minas e Energia depende diretamente dos indicadores apurados por esse acompanhamento contínuo.

Regras do certame de armazenamento em dezembro de 2026

Para reforçar o Sistema Interligado Nacional (SIN), rede que conecta a produção e a transmissão de energia no território nacional, o governo federal estruturou o primeiro certame voltado à contratação de sistemas de baterias. Em 2 de junho de 2026, Alexandre Silveira anunciou a publicação da portaria com as diretrizes oficiais para o dia 3 de junho de 2026, fixando a realização da disputa para dezembro de 2026.

Saiba mais: Horário de verão segue suspenso no ciclo 2026 e 2027 após análise do Ministério de Minas e Energia

A iniciativa substitui a previsão anterior do ministério, formulada em outubro de 2025, que cogitava lançar o edital naquele mesmo ano. Na ocasião, Silveira havia antecipado durante o Fórum Esfera, em Belém (PA), que a demanda estimada para a contratação alcançaria 2 gigawatts (GW) de capacidade, em articulação com o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU).

  • Capacidade de estoque dos equipamentos por até 22 horas para compensar a oscilação da geração eólica e solar.
  • Participação aberta a empresas nacionais e estrangeiras com tecnologias comprovadas sob regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
  • Exigência de conteúdo local nas regras do edital para estimular a indústria instalada no país, sem adoção de subsídios públicos.
  • Despacho controlado de eletricidade para evitar sobrecargas na rede nos horários de pico de consumo.

Em 22 de maio de 2026, durante encontro no Guarujá (SP), o ministro explicou que a formulação do modelo exigiu rodadas de discussões técnicas internacionais antes do lançamento. “O armazenamento de energia será central para integrar renováveis, reduzir perdas e modernizar o sistema elétrico do Brasil”, declarou Silveira. Ao confirmar as diretrizes em junho de 2026, o ministro também mencionou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que em 2015 defendeu o desenvolvimento de tecnologias para estocar a energia dos ventos.

Veja também: Horário de verão 2026 é descartado pelo MME e pelo ONS com foco nos leilões de baterias em dezembro

Mudança no perfil de consumo desde 1931

Instituído pela primeira vez em 1931, o adiantamento oficial de uma hora nos relógios tinha como objetivo aproveitar a luminosidade natural e aliviar a demanda elétrica no início da noite. Levantamentos técnicos do setor demonstraram que a alteração nos hábitos da população transferiu o pico de consumo para a faixa da tarde.

A expansão do uso de aparelhos de ar-condicionado nos horários mais quentes do dia e a substituição de lâmpadas comuns por modelos de tecnologia LED reduziram os ganhos operacionais da medida. Com a confirmação do calendário regulatório da Aneel e do MME, o foco do setor elétrico permanece na execução do leilão de reserva de capacidade em dezembro de 2026.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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