A prévia da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), subiu 0,32% em outubro de 2026. Os dados divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma desaceleração de 0,38 ponto percentual em relação à taxa de 0,70% registrada em setembro.
O resultado mensal foi puxado pelo grupo Alimentação e bebidas, que teve o maior impacto no indicador, de 0,19 ponto percentual. Apesar do ritmo menor na comparação com setembro, o índice acumulado em 12 meses atingiu 4,62%, ultrapassando o teto de 4,50% da meta de inflação definida pelo governo e pelo Banco Central.
Alimentos puxam a alta do IPCA-15 em outubro
O grupo Alimentação e bebidas registrou a maior variação positiva do mês no IPCA-15, acelerando de 0,40% em setembro para 0,88% em outubro. Esse movimento pesou diretamente no orçamento das famílias que compram itens básicos de supermercado, já que a alimentação no domicílio saltou de uma alta de 0,38% no mês anterior para um avanço de 1,01% na leitura atual. Tubérculos, raízes, legumes e cereais lideraram os reajustes nas prateleiras, enquanto itens específicos registraram recuo e ajudaram a conter uma elevação ainda maior na cesta de consumo doméstico dos brasileiros.
Entre os produtos pesquisados pelo IBGE para o consumo dentro de casa, as maiores oscilações de preço em outubro foram:
- Tomate: alta de 24,54%
- Cebola: alta de 13,63%
- Batata-inglesa: alta de 10,96%
- Arroz: alta de 5,80%
- Cenoura: queda de 10,67%
- Frutas: queda de 1,37%
- Café moído: queda de 1,16%
Comer fora de casa também ficou mais caro na passagem de setembro para outubro, com a taxa da alimentação fora do domicílio subindo de 0,44% para 0,56%. O aumento refletiu o encarecimento do lanche, cuja variação passou de 0,44% para 0,66%, e da refeição, que acelerou de 0,38% para 0,61%.
Bandeira verde reduz conta de luz e Habitação recua 0,10%
Na direção oposta aos alimentos, Habitação foi o único dos nove grupos avaliados pelo IBGE a apresentar queda em outubro, com recuo de 0,10% e impacto de -0,02 ponto percentual no índice geral. Em setembro, o setor havia registrado alta de 2,07%. A reversão ocorreu por causa da energia elétrica residencial, que passou de um avanço de 7,42% no mês anterior para uma redução de 0,89% em outubro, influenciada pela mudança da bandeira tarifária amarela para a bandeira verde, modalidade que não aplica cobrança extra nas faturas de luz.
O levantamento do instituto apontou diferenças regionais nas tarifas de eletricidade pelo país. Fortaleza teve queda de 4,00% nas contas após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), autarquia federal que regula o setor elétrico, incorporar recursos da repactuação do Uso de Bem Público (UBP), pagamento feito por concessionárias pelo direito de explorar usinas. Já em Belém, a energia subiu 3,71% devido a um reajuste tarifário de 6,63% vigente desde setembro. Ainda dentro do grupo Habitação, os consumidores pagaram mais caro pelo gás de botijão, que subiu 1,28%, e pelo aluguel residencial, com alta de 0,28%.
Desempenho dos nove grupos do IPCA-15 e recuo nas passagens aéreas
Oito dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA-15 tiveram aumento de preços em outubro. A segunda maior taxa ficou com Despesas pessoais, que desacelerou frente aos 0,96% de setembro, mas subiu 0,55% neste mês sob pressão dos valores de cinema, teatro e concertos (4,30%), pacote turístico (2,18%) e serviços de empregado doméstico (0,62%). Na sequência, o setor de Vestuário acelerou de 0,41% em setembro para 0,53% em outubro.
No setor de Transportes, os combustíveis aceleraram de 0,22% em setembro para 1,20% em outubro, puxados pelos reajustes do óleo diesel (3,70%), do etanol (2,73%) e da gasolina (0,92%), enquanto o gás veicular recuou 0,18%. O grupo como um todo, porém, teve variação próxima da estabilidade devido às passagens aéreas, que caíram 9,24% e representaram o maior impacto individual negativo do mês no índice geral, de -0,08 ponto percentual.
As taxas completas de variação de cada um dos nove grupos pesquisados pelo IBGE em outubro foram:
- Alimentação e bebidas: 0,88%
- Despesas pessoais: 0,55%
- Vestuário: 0,53%
- Comunicação: 0,43%
- Artigos de residência: 0,28%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,15%
- Educação: 0,09%
- Transportes: 0,05%
- Habitação: -0,10%
IPCA-15 acumula 4,62% em 12 meses e fica abaixo das projeções
O avanço mensal de 0,32% no IPCA-15 surpreendeu positivamente o mercado financeiro, já que a mediana das projeções de instituições econômicas estimava uma taxa mais elevada para outubro, entre 0,44% e 0,45%. No acumulado do ano de 2026, de janeiro a outubro, a prévia da inflação oficial registra alta de 4,15%. Já na janela acumulada dos últimos 12 meses, o indicador subiu de 4,47% em setembro para os atuais 4,62%. Essa aceleração anual ocorreu porque o cálculo passou a incorporar a taxa de 0,32% deste mês e descartou a leitura de outubro de 2025, quando o índice havia ficado em um patamar mais baixo, de 0,18%.
No recorte regional do país, Belém registrou a maior inflação mensal em outubro, com alta de 0,76%, enquanto Curitiba apresentou o menor índice, com deflação de 0,27%. Para calcular o IPCA-15 deste mês, o IBGE coletou preços entre os dias 16 de setembro e 14 de outubro. O resultado oficial fechado do IPCA de outubro será divulgado pelo instituto em 12 de novembro de 2026.
