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Vinte espécies de aves cantam bem mais no amanhecer do que no entardecer, e o motivo parece ser mais social do que ambiental. A conclusão vem de um estudo publicado em 12 de junho de 2025 na revista Philosophical Transactions of the Royal Society B, que usou microfones em florestas da Índia para registrar 69 espécies nos Ghats Ocidentais, uma das regiões de maior biodiversidade do planeta.

Segundo o Cornell Lab of Ornithology, os gravadores captaram dados simultâneos de 43 locais durante vários meses. O pesquisador Vijay Ramesh, do Centro K. Lisa Yang de Bioacústica da Conservação, liderou a análise.

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Vinte espécies cantam mais no amanhecer que no entardecer

Das 69 espécies analisadas, 20 tiveram atividade vocal bem maior no amanhecer. Entre elas estão a gray-headed canary-flycatcher e a large-billed leaf warbler, nomes em inglês usados pelo próprio estudo. Só uma espécie, a dark-fronted babbler, cantou mais no fim do dia, o que foge do padrão observado no restante do grupo.

Território e alimentação explicam mais o canto do que a luz

Os pesquisadores compararam quatro teorias para explicar por que algumas aves cantam tanto cedo. Aves muito territoriais e aves onívoras, que comem insetos e frutos, tiveram mais chance de cantar no amanhecer. Cantar cedo ajuda a anunciar e proteger o território, afirmam os autores.

Ramesh acredita que os onívoros cantam mais porque muitos deles integram bandos mistos de forrageio, nos quais a comunicação por voz ajuda a achar comida e a avisar sobre predadores. Já a luminosidade e a forma como o som se propaga na mata não tiveram influência significativa no horário do canto.

Gravadores registram aves que quase ninguém vê

O monitoramento acústico passivo consiste em deixar gravadores automáticos em campo por dias, semanas ou meses. O equipamento registra o que acontece no ambiente, e o pesquisador ouve as gravações depois, sem precisar estar presente o tempo todo.

Em um estudo feito em uma reserva da Amazônia peruana com seis desses aparelhos, a atividade vocal das aves variou dentro da própria hora do amanhecer e de um dia para outro. Segundo os autores, essa variação foi mais forte no canto do que no número de espécies registradas, o que mostra que a hora da gravação altera os resultados.

Identificação automática por IA ainda erra com frequência

Um levantamento global com 4.224 gravações de um minuto, feitas em 67 locais de todos os continentes, avaliou o BirdNET, programa de inteligência artificial que reconhece cantos. A proporção de acertos ficou entre 0,57 e 0,71, conforme o continente, e o estudo foi publicado na revista Ecological Indicators em janeiro de 2026.

Em um estudo europeu, a pontuação F1 ficou abaixo de 0,5 em todos os conjuntos de dados analisados. Já um pré-print de 2026 sobre uma área de floresta em restauração na Amazônia brasileira concluiu que o BirdNET+ funciona para detectar aves ameaçadas, mas que a validação convencional não serve para espécies raras, que aparecem pouco nos dados de treinamento. Para essas espécies, a conferência humana das gravações continua necessária.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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