Dinheiro esquecido no Banco Central chega a R$ 5,79 bilhões em agostoPor Luís Henrique Costa
4 min de leitura
![]() |
Um total de R$ 5,79 bilhões aguarda os donos em bancos, consórcios e outras instituições financeiras, segundo o Banco Central (BC). O valor está registrado no Sistema de Valores a Receber (SVR), ferramenta oficial do órgão para consulta e resgate de dinheiro esquecido, com dados consolidados até agosto de 2026.
A atualização foi divulgada pelo BC em 13 de outubro de 2026 e mostra alta de 2,6% em relação a julho, quando o saldo era de R$ 5,65 bilhões. Dessa soma, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas, e R$ 1,48 bilhão está vinculado a 2,36 milhões de empresas.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Queda após o repasse de recursos ao Desenrola 2.0
O saldo caiu de forma forte no primeiro semestre por causa de uma decisão do governo federal. Em maio, a União anunciou o uso de parte do dinheiro esquecido para viabilizar o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas. Cerca de R$ 5,7 bilhões foram transferidos ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo que cobre perdas de instituições financeiras em operações de crédito inadimplentes. Segundo o governo, 10% desse valor ficaram separados para atender pedidos de resgate dos titulares, e o montante voltou a crescer depois disso.
Bancos e consórcios guardam a maior parte do saldo
Os bancos concentram a maior fatia dos valores disponíveis, com 42,4% do total. Veja a divisão por tipo de instituição, segundo os dados de agosto de 2026 divulgados pelo BC:
- Bancos: R$ 2,46 bilhões
- Administradoras de consórcios: R$ 1,97 bilhão
- Cooperativas de crédito: R$ 805,6 milhões
- Instituições de pagamento: R$ 369,6 milhões
- Financeiras: R$ 121 milhões
- Corretoras e distribuidoras: R$ 68 milhões
- Outras instituições: R$ 5 milhões
Apesar do volume alto, a maior parte dos beneficiários tem quantias pequenas. Segundo o BC, 69,4% dos valores são de até R$ 10, e 18,95% ficam entre R$ 10,01 e R$ 100. Já a faixa entre R$ 100,01 e R$ 1 mil reúne 9,39% dos registros. Desde a criação do sistema, o órgão contabiliza R$ 16,47 bilhões devolvidos a pessoas físicas e empresas.
Passo a passo para consultar e pedir o resgate pelo Pix
Pessoas físicas consultam o sistema com CPF e data de nascimento, enquanto empresas informam CNPJ e data de abertura. Se houver saldo, o usuário precisa entrar com uma conta gov.br de nível prata ou ouro, aceitar o termo de responsabilidade e escolher a opção de resgate. Quando a instituição participa da devolução facilitada e a chave Pix é válida, o pagamento pode chegar em até 12 dias úteis. Quem não tem chave Pix deve procurar a instituição indicada pelo sistema para combinar outra forma de recebimento.
Confira também: Montante de dinheiro esquecido em instituições financeiras cai para R$ 5,12 bilhões
No caso de pessoas falecidas, a consulta inicial usa o CPF e a data de nascimento do titular. O pedido de liberação, no entanto, deve ser feito por herdeiros, testamenteiros, inventariantes ou representantes legais. O BC também informa que não envia links, não entra em contato para tratar de valores a receber e não cobra taxa para liberar o dinheiro.
O Banco Central divulga os números todos os meses, com cerca de dois meses de defasagem. A próxima atualização ainda não tem data confirmada pelo órgão.
















