Alerta Mpox: estado do Rio de Janeiro tem 211 casos confirmados e 117 em investigaçãoPor Luís Henrique Costa
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Já são 211 casos confirmados de mpox no estado do Rio de Janeiro em 2026, número que supera os 119 registros de todo o ano de 2025. Os dados do Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (CIEVS) incluem os registros até terça-feira (27). Outros 117 casos seguem em investigação.
Alta de 800% em setembro e outubro puxa total estadual
A alta se concentra nos dois últimos meses. Foram 45 casos confirmados em setembro e outros 45 em outubro, totalizando 90 diagnósticos, contra apenas 10 no mesmo período de 2025, uma elevação de 800%. Segundo o deputado federal Daniel Soranz, ex-secretário municipal de Saúde, 10 pacientes estavam internados com a doença no estado.
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O cenário vem de uma curva que sobe desde o começo do ano. Em março, o Ministério da Saúde registrava 18 casos. Em junho, o Rio tinha 94 casos confirmados, segundo informe da Firjan Sesi. A Secretaria Municipal de Saúde afirma que os números seguem dentro da oscilação esperada desde 2022, quando a doença foi introduzida, e cita dezembro de 2023, com 46 notificações, como o período de maior volume.
Capital soma 167 casos confirmados e 81 suspeitos em análise
Na capital, o Observatório Epidemiológico da Cidade do Rio confirmou 167 casos até quinta-feira (29), contra 94 em todo o ano de 2025. Só em setembro e outubro foram 74 diagnósticos, sendo 45 em setembro e 29 em outubro. Há ainda 81 casos suspeitos em análise. A capital está sem doses da vacina contra a doença, segundo reportagens recentes.
Soranz cobra mais vacinas e coleta rápida nas unidades básicas
Em vídeo publicado na quinta-feira (29), Soranz afirmou que o vírus circula com mais intensidade no Rio e no Brasil. Segundo ele, a confirmação é simples: basta coletar material das feridas e enviar ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), com as unidades básicas aptas a fazer a coleta. Ele cobrou do Ministério da Saúde a ampliação da cobertura vacinal, porque poucas doses chegaram e a maior parte da população de risco ainda não foi vacinada. As doses estão em falta no Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina usada é a MVA-BN, de vírus vivo enfraquecido que não se reproduz nas células humanas, aplicada em duas doses por via subcutânea no ombro, com intervalo de 28 dias. A infectologista Marcia Rachid, pioneira no combate à Aids, alerta desde o início de outubro para a alta de casos e destaca o risco para pessoas que vivem com HIV, sobretudo quando a imunidade está muito baixa.
Ator ficou internado após três atendimentos sem diagnóstico de mpox
O ator Ari Areia, de 35 anos, começou a sentir sintomas em 30 de setembro de 2026 e testou positivo dias depois. Antes do diagnóstico, ele passou por uma Clínica da Família, uma UPA e um hospital municipal, sem que a mpox fosse considerada. Ele relatou febre, dores no corpo, mal-estar e uma infecção na garganta que dificultava comer e beber água. Após contato com uma médica que reconheceu as lesões de pele, procurou a Fiocruz, onde foi diagnosticado. Depois, precisou ser internado para tratar a dificuldade de comer e beber água.
Transmissão acontece por contato próximo e cuidados seguem recomendações oficiais
O risco começa com os primeiros sintomas, como febre, dores no corpo e mal-estar. O vírus pode ser transmitido de um a quatro dias antes do aparecimento das feridas, e a transmissão só termina quando elas cicatrizam por completo. Ele passa pelo contato direto com lesões, bolhas, pústulas ou crostas, pela saliva, secreções respiratórias ou fluidos genitais em relações sexuais ou beijos, e pelo compartilhamento de roupas, toalhas, lençóis, talheres ou superfícies contaminadas. Há ainda transmissão por contato próximo, prolongado e face a face, com gotículas respiratórias. As autoridades de saúde recomendam:
- Evitar contato físico direto com lesões de quem tem suspeita ou confirmação da doença
- Evitar relações sexuais enquanto houver sinais ou sintomas suspeitos, até avaliação profissional
- Não dividir toalhas, roupas de cama e outras peças de uso pessoal
- Procurar uma unidade de saúde diante de lesões suspeitas, sobretudo nas regiões genital, anal ou oral
- Lavar as mãos com frequência e manter as feridas cobertas
- Em caso de confirmação, manter as janelas abertas e usar máscara cirúrgica perto de outras pessoas
- Higienizar chão e superfícies com água sanitária, e usar o banheiro por último quando houver um só na casa
- Manter os cuidados por no mínimo 21 dias, ou até as crostas caírem
A pesquisadora Mayara Secco, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, observa que o preservativo reduz o risco, mas não oferece proteção completa, porque pode haver contato com lesões fora da área coberta. Ela lembra que formas graves podem ocorrer em pessoas com imunossupressão, crianças e gestantes.
Onde fazer o teste e o que se sabe sobre o novo subtipo
O infectologista Rafael Galliez, vice-diretor do Núcleo de Enfrentamento e Estudos de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que o ambulatório observa aumento de demanda desde agosto. Ele explica que o clado 2b, uma linhagem do vírus, circulou em 2022, e que o clado 1b surgiu em 2024, na República Democrática do Congo, e depois foi registrado em São Paulo. Estudos de sequenciamento indicam entrada e circulação intensiva do clado 1b no estado do Rio. Ainda não é possível dizer que isso esteja necessariamente ligado ao aumento de casos.
- INI/Fiocruz: Avenida Brasil, 4.365, em Manguinhos, com atendimento 24 horas para suspeitos ou confirmados
- Needier/UFRJ: Avenida Carlos Chagas, 791, Quadra F, Cidade Universitária, Ilha do Fundão
- Unidades básicas de saúde, aptas a coletar o material das feridas para envio ao Lacen
A reportagem não registra resposta do Ministério da Saúde sobre a estratégia de imunização diante do aumento de casos. As secretarias estadual e municipal de Saúde seguem monitorando os registros e orientam os serviços sobre a identificação de novos casos.















