Eleições midterms nos EUA de 3 de novembro definem controle do CongressoPor Luís Henrique Costa
5 min de leitura
|
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado entram em disputa na votação de 3 de novembro de 2026. As midterms, como são chamadas as eleições legislativas de meio de mandato, definem quem comanda o Congresso nos dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump. Uma vitória do Partido Democrata nas duas Casas tende a travar a agenda do Executivo e a abrir espaço para investigações contra a administração federal.
A desaprovação ao trabalho do chefe de Estado gira em torno de 60% nas sondagens nacionais. Para os eleitores, a alta da inflação, o custo de vida mais caro e a escalada dos combustíveis após o conflito armado com o Irã explicam esse descontentamento. Diante do avanço da oposição nas pesquisas, Trump prometeu um bônus de até US$ 5 mil para cada adulto caso os correligionários mantenham o controle do Congresso. Uma pesquisa nacional divulgada no domingo (1) mostrou 40% de aprovação ao presidente, o pior índice de seus dois mandatos.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Quantas vagas estão em jogo e quando os eleitos tomam posse
- Composição antes do pleito: 218 deputados republicanos e 214 democratas na Câmara; 53 senadores republicanos e 47 democratas no Senado
- Posse dos eleitos: janeiro de 2027, para mandatos de dois anos na Câmara e seis anos no Senado
- Apuração: cada estado conta os próprios votos, sem centralização por autoridade nacional
Os passos que levaram o país às urnas em 2026
- Novembro de 2024: republicanos vencem a eleição presidencial e garantem o controle da Câmara e do Senado
- Janeiro de 2025: Donald Trump assume o segundo mandato na Casa Branca, e os parlamentares eleitos começam os trabalhos legislativos
- Agosto de 2025: o Texas conclui o redesenho dos distritos eleitorais para ampliar a vantagem da bancada governista
- Novembro de 2025: a Califórnia revisa o mapa distrital e abre margem para os democratas disputarem cinco vagas republicanas
- Março de 2026: decreto do Executivo tenta impor restrições ao voto por correspondência com base em cadastro federal
- Setembro de 2026: a Suprema Corte dos Estados Unidos mantém a suspensão de exigências extras para cédulas enviadas pelo correio
- Outubro de 2026: sondagens apontam 47% das intenções para democratas e 35% para governistas na Câmara, índice que as pesquisas mais recentes superaram
Pesquisas dão vantagem à oposição na Câmara e disputa aberta no Senado
Os levantamentos dão favoritismo aos democratas na conquista da maioria das duas Casas do Congresso. O Center for Politics, da Universidade da Virgínia, projeta 225 cadeiras para os democratas e 193 para os republicanos na Câmara, com 17 vagas indefinidas. No Senado, o mesmo centro aponta 49 assentos para a oposição, 46 para a bancada governista e 5 disputas em aberto. A plataforma Race to the WH indica probabilidade de 95,2% de controle democrata na Câmara e de 78,4% no Senado.
Uma mudança de maioria travaria a aprovação rápida de indicações e decretos com força de lei. O governo vinha recorrendo a ordens executivas para aplicar barreiras e tarifas comerciais internacionais. Comissões lideradas pela oposição poderão convocar autoridades e requisitar documentos oficiais a partir de 2027. Já a pesquisa nacional divulgada em 1 de novembro de 2026 mostrou 52% dos eleitores registrados preferindo um Congresso controlado pelos democratas, contra 45% que querem os republicanos no comando.
Apuração estado por estado e a briga pelos distritos
Cada estado define as próprias regras e o horário de encerramento da votação, o que faz o fim da contagem variar de um lugar para outro. Em Nova York, as urnas fecham às 23h pelo horário de Brasília, enquanto na Flórida os locais de votação encerram às 21h. Segundo levantamento de 30 de outubro de 2026, mais de 43 milhões de americanos já tinham votado antecipadamente ou enviado cédulas pelo correio.
Leia também: Donald Trump anuncia proibição do termo "inteligência artificial" nos EUA
- Cédulas postais: 37 estados e a capital Washington aceitam o voto por correspondência sem necessidade de justificativa
- Prazo de contagem: estados com alta adesão ao envio postal levam vários dias úteis para concluir a apuração total
- Redesenho de distritos: governistas redesenharam distritos no Alabama, Flórida, Louisiana, Carolina do Norte, Ohio e Tennessee
- Decisão judicial: uma corte em Utah determinou a criação de um distrito competitivo em Salt Lake City
















