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A osteoporose atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, e a perda de massa óssea acontece sem sintomas, com predomínio entre as mulheres. A estimativa da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) foi destacada por especialistas e entidades médicas depois do Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, celebrado em 20 de outubro de 2026. Como a resistência dos ossos cai sem dor, até 80% dos pacientes que sofrem uma fratura seguem sem diagnóstico e sem tratamento da condição de base.

Sem dor, a doença costuma ser descoberta após traumas leves, como quedas da própria altura ou movimentos mínimos que causam lesões graves no punho, no quadril ou na coluna. O ortopedista José Luis Amim Zabeu, coordenador da Ortopedia do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), defende a checagem da estrutura óssea já no pronto-atendimento. “A investigação deve fazer parte do cuidado com a fratura, sem esperar a recuperação do osso. Quando identificamos osteoporose ou outra condição que compromete a resistência óssea, podemos estabelecer um tratamento para reduzir o risco de novas fraturas. A consolidação da lesão não encerra esse acompanhamento”, afirmou o especialista.

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Quantas pessoas sofrem fraturas e quantas recebem diagnóstico

Os levantamentos da IOF e da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), divulgados em outubro de 2026, medem a frequência das fraturas e a falta de exames preventivos. Os principais indicadores estão listados abaixo.

Conceito de osteoporose, coluna vertebral, médico - Warawan Tongsri/ istockphoto.com
Foto: Conceito de osteoporose, coluna vertebral, médico – Warawan Tongsri/ istockphoto.com
  • Pessoas afetadas: cerca de 10 milhões, segundo estimativa da IOF.
  • Fraturas por fragilidade óssea registradas por ano: aproximadamente 400 mil.
  • Pacientes diagnosticados antes da primeira lesão: 20%.
  • Aumento na probabilidade de nova fratura para quem já teve uma lesão anterior: 86%, com maior perigo nos dois primeiros anos após o episódio inicial.
  • Proporção ao longo da vida: 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens acima dos 50 anos sofrerão alguma fratura relacionada à osteoporose no mundo.
  • Incidência na pós-menopausa, segundo a SBR: de 14% a 29% das mulheres acima de 50 anos, chegando a 73% das que têm mais de 80 anos.

Sem dor, a perda óssea só aparece depois da quebra

A médica reumatologista Marcia Veloso Kuahara, que atua na AMA Especialidades Jardim São Luiz, unidade gerenciada pelo Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), explica que a falta de dor cria uma sensação falsa de segurança e atrasa a busca por exames clínicos. “O osso é um tecido vivo que passa por contínua remodelação ao longo de toda a vida. Com o avançar da idade e as alterações hormonais, a reabsorção do mineral passa a ser mais rápida do que a formação de novas células. Por ser um processo assintomático, o indivíduo não sente que seu osso está enfraquecendo. Por isso, a investigação ativa dos fatores de risco é essencial antes que a fratura aconteça”, declarou a médica.

Nas mulheres, o risco cresce de forma acentuada após a menopausa, por causa da queda brusca na produção de estrogênio, hormônio que protege e fortalece o tecido ósseo. Por isso, médicos recomendam atenção à saúde do esqueleto feminino a partir dos 40 anos, período em que começa a transição hormonal. A diminuição da estatura e o aumento progressivo da curvatura das costas exigem avaliação médica, pois podem indicar alterações ou fraturas silenciosas nas vértebras.

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Segundo o ortopedista José Luis Amim Zabeu, pacientes com fatores de predisposição devem procurar orientação médica mesmo sem histórico de quedas. “Pessoas com fatores de risco podem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de avaliar a saúde óssea, mesmo que nunca tenham sofrido uma fratura. Para quem já passou por um episódio, não se deve esperar que outro aconteça para investigar”, disse o coordenador do Vera Cruz Hospital.

Quanto as fraturas podem crescer até 2030 e o que o SUS oferece

Um relatório da IOF, somado a projeções analisadas pela SBR com a participação da médica reumatologista Vera Lucia Szejnfeld, membro da Comissão de Doenças Osteometabólicas e Osteoporose da entidade, indica que o volume anual de fraturas por fragilidade pode subir até 60% até 2030. O salto acompanha o envelhecimento da população, cujo grupo com mais de 60 anos deve passar do patamar de 33 milhões para mais de 40 milhões de pessoas até o mesmo ano.

Nas mobilizações desse dia, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) orientou sobre o acesso à assistência gratuita para quadros severos no Sistema Único de Saúde (SUS). Pelas regras do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que define o uso de medicamentos no sistema público, a rede oferece o romosozumabe, fármaco biológico injetável que estimula a formação óssea. A indicação vale especificamente para mulheres na pós-menopausa com risco muito elevado de fraturas e que tenham registrado falha em tratamentos anteriores.

Exame de densitometria e hábitos que ajudam a proteger os ossos

A perda de massa óssea é detectada em consultório, pela análise clínica do paciente, e confirmada pela densitometria óssea, exame radiológico de baixa dosagem que mede a concentração de minerais nas áreas do esqueleto mais sujeitas a quebras. No fortalecimento físico, o profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício Jauan Anselmo destaca o papel do treinamento resistido. “A musculação precisa ser entendida também como um investimento na saúde óssea. Os ossos respondem aos estímulos mecânicos que recebem, e exercícios bem prescritos podem contribuir para preservar sua estrutura ao longo do tempo. O importante é respeitar a individualidade de cada aluno, considerar seu histórico e progredir de maneira segura e consistente”, afirmou Anselmo.

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A reumatologista Marcia Veloso Kuahara ressalta que treinos intensos ou o uso de cápsulas nutricionais não devem começar por conta própria, pois exigem checagem laboratorial prévia. “Não existe uma conduta padronizada ou milagrosa para a saúde dos ossos. A indicação de suplementos de cálcio e vitamina D, bem como a liberação para determinadas modalidades de exercícios físicos, exige avaliação detalhada da função renal, cardíaca e metabólica de cada paciente. O objetivo é fortalecer a estrutura esquelética com total segurança para o organismo”, explicou a médica.

Os grupos e fatores que orientam a investigação aparecem na lista a seguir.

  • Densitometria: indicada para mulheres a partir dos 65 anos, homens a partir dos 70 anos e pessoas mais jovens com fatores de risco ou fratura por baixo impacto.
  • Estilo de vida e genética: histórico familiar, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e baixa ingestão diária de cálcio e vitamina D.
  • Fatores clínicos: uso prolongado de corticoides, cirurgia bariátrica prévia e tratamentos de quimioterapia.
  • Alimentação e sol: dieta com proteínas e cálcio em quantidade adequada, somada à exposição solar moderada para a produção de vitamina D pelo organismo.
  • Casa segura: retirada de tapetes soltos, boa iluminação e barras de apoio nos banheiros para evitar quedas.

Nos casos em que a osteoporose já está instalada ou houve fratura por trauma leve, o médico pode associar medicamentos específicos e, em situações selecionadas após análise de riscos e benefícios, terapia hormonal. “Exercícios, alimentação adequada e prevenção de quedas fazem parte do cuidado, mas não substituem os tratamentos específicos quando eles são necessários. O acompanhamento permite avaliar a resposta ao tratamento e ajustar as orientações às condições de cada pessoa”, disse o ortopedista José Luis Amim Zabeu.

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