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Autoridades de saúde em São Paulo registraram nove casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas entre 1º e 18 de setembro de 2025. Três mortes foram confirmadas na Grande São Paulo, com vítimas que consumiram destilados como gim, whisky e vodka em bares e festas. O metanol, um álcool tóxico usado na indústria, entra em falsificações para baratear custos, sem alterar sabor ou cheiro.

O Centro de Intoxicações do estado notificou o governo federal sobre o aumento fora do padrão desses episódios. Especialistas ligam os incidentes a destilarias clandestinas que misturam metanol a etanol para elevar o teor alcoólico. Consumidores afetados, incluindo jovens em eventos sociais, apresentaram sintomas graves após horas do consumo.

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  • Verifique selos fiscais e lacres intactos nas garrafas.
  • Prefira compras em estabelecimentos licenciados com nota fiscal.
  • Evite destilados caseiros ou de origem duvidosa.

Composição química do metanol

O metanol, com fórmula CH3OH, consiste em um átomo de carbono, três de hidrogênio e um grupo hidroxila. Essa estrutura simples o torna líquido incolor à temperatura ambiente, inflamável e com odor leve similar ao etanol. Produzido industrialmente a partir de gás natural, ele difere do etanol por sua metabolização no fígado, que gera ácido fórmico tóxico.

Em concentrações elevadas, o composto afeta o sistema nervoso central e o nervo óptico, levando a complicações irreversíveis. Autoridades regulam sua produção para fins não alimentares, mas desvios ocorrem em fraudes. Em setembro de 2025, análises laboratoriais confirmaram sua presença em amostras de bebidas falsificadas apreendidas.

Usos industriais do metanol

A substância serve como matéria-prima na síntese de formaldeído, usado em resinas e plásticos. Na produção de biodiesel, participa da transesterificação de óleos vegetais, processo essencial para combustíveis renováveis no Brasil. Fabricantes de solventes, adesivos e revestimentos dependem dele para formulações químicas.

Anticongelantes automotivos e limpadores de para-brisa incorporam metanol para baixar o ponto de congelamento. Em 2025, importações fraudulentas de metanol, ligadas a redes criminosas, foram flagradas em operações policiais, desviando lotes para adulterações. A Agência Nacional do Petróleo limita sua adição em etanol e gasolina a 0,5%, evitando riscos mecânicos.

Veículos de corrida usaram metanol como combustível por sua alta octanagem, mas sob controles rigorosos. Setores farmacêuticos empregam derivados em medicamentos, sempre com purificação. Esses usos legítimos contrastam com desvios ilegais, que priorizam lucro sobre segurança.

Processo de produção de bebidas alcoólicas

Bebidas destiladas começam com fermentação de açúcares de cana ou grãos, gerando etanol. A destilação separa o álcool por ebulição, descartando impurezas iniciais que contêm metanol natural em traços. Produtores legais monitoram resíduos, limitando metanol a níveis seguros, como 150 mg por litro em cachaça.

Falsificadores aceleram o processo com equipamentos improvisados, retendo frações tóxicas para volume maior. Em setembro de 2025, inspeções em São Paulo revelaram misturas diretas de metanol industrial em vodkas e gins, elevando concentrações fatais. O Ministério da Agricultura fiscaliza limites, mas autodeclarações de empresas facilitam evasões desde 2016.

Equipamentos clandestinos, como alambiques rústicos, operam sem ventilação, acumulando vapores perigosos. Testes cromatográficos detectam adulterações, mas chegam tarde em muitos casos.

Methanol
Methanol – Foto: John Kevin/ Istockphoto.com

Riscos à saúde por ingestão de metanol

A absorção de metanol inicia com sintomas como náusea e dor abdominal após 12 a 24 horas. O fígado converte o composto em formaldeído e ácido fórmico, acidificando o sangue e danificando células. Pacientes em São Paulo de setembro de 2025 precisaram de hemodiálise para remoção rápida, mas danos ópticos persistem em sobreviventes.

Doses acima de 30 ml podem causar coma ou falência renal, com letalidade de 20% sem tratamento. O composto inibe enzimas mitocondriais, reduzindo oxigênio nos tecidos. Internações recentes envolveram jovens de 23 a 27 anos, com visão turva como sinal precoce.

Médicos administram fomepizol para bloquear metabolização, seguido de etanol intravenoso como competidor. Casos crônicos afetam populações vulneráveis, mas o surto atual atinge consumidores regulares em ambientes sociais.

Identificação de bebidas seguras

Garrafas originais exibem rótulos nítidos, sem erros ortográficos ou impressões borradas. Em setembro de 2025, o Ministério da Justiça recomendou a bares verificação de selos e rastreabilidade via sistemas como o Sicobe, desativado mas essencial contra falsificações. Produtos com volume inconsistente ou preço abaixo do mercado merecem suspeita.

Cervejas comerciais e vinhos de vinícolas registradas apresentam riscos mínimos de metanol excessivo. Destilados importados exigem certificados de origem, evitando lotes paralelos. Consumidores devem registrar compras para rastreio em denúncias ao Procon.

Autoridades apreenderam 160 mil itens falsos em 2025, focando em adegas e eventos. O Disque-Intoxicação da Anvisa, 0800 722 6001, orienta emergências.

Medidas preventivas em estabelecimentos

Bares devem adquirir estoques de distribuidores autorizados, com laudos de pureza. Em 2025, associações como a Abrabe monitoram operações contra ilícitos, reduzindo entradas de metanol desviado. Treinamentos para garçons incluem checagem visual de embalagens antes do serviço.

Fiscalizações estaduais intensificaram em setembro, fechando pontos com irregularidades. Fornecedores rastreáveis diminuem desvios, protegendo 88 bilhões em perdas anuais do setor. Estabelecimentos notificam autoridades sobre suspeitas, integrando redes de alerta rápido.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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