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A série documental “Glória”, uma homenagem à icônica jornalista Gloria Maria, falecida em fevereiro de 2023, continua a gerar grande repercussão meses após sua estreia. Lançada em abril de 2025 no Fantástico, a produção não apenas revisita a trajetória pioneira da repórter, mas também se renova com o engajamento de suas filhas, Maria e Laura Matta, que se tornaram guardiãs ativas do legado materno.

Disponível integralmente no Globoplay, a obra dirigida por Paulo Sampaio já ultrapassou a marca de 2 milhões de visualizações, consolidando-se como um sucesso de audiência e um documento fundamental sobre a história do jornalismo no país. O projeto, que faz parte das comemorações de 60 anos da TV Globo, destaca as coberturas de Gloria em mais de 100 países e seu papel fundamental na quebra de barreiras raciais e de gênero na comunicação.

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Recentemente, o documentário ganhou novas camadas com a inclusão de depoimentos atualizados e a promoção de eventos que mantêm viva a memória da jornalista. A participação de suas filhas em debates e projetos paralelos tem sido crucial para conectar a história de Gloria com uma nova geração, garantindo que sua influência continue a inspirar futuros profissionais da comunicação e o público em geral.

Filhas de Glória Maria
Filhas de Glória Maria – Foto: Instagram

As herdeiras de um legado

Maria Matta, agora com 18 anos, e Laura Matta, de 17, têm assumido um papel de destaque na divulgação do trabalho e da história de sua mãe. As jovens, adotadas por Gloria em 2009 na Bahia, participaram de uma sessão especial do documentário no auditório da PUC-Rio em 15 de novembro, onde debateram o impacto da série na formação de novos jornalistas e compartilharam memórias pessoais.

Expandindo sua atuação, as irmãs anunciaram para dezembro de 2025 o lançamento de um podcast no Globoplay. Intitulado “Herança de Glória”, o projeto apresentará episódios baseados em cartas e diários deixados pela mãe, oferecendo uma perspectiva ainda mais íntima sobre seus pensamentos, desafios e visões de mundo, com a curadoria e narração das próprias filhas.

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A presença digital também tem sido uma ferramenta importante. Em novembro, Maria publicou um vídeo de Laura lendo trechos do roteiro do documentário, que rapidamente alcançou 150 mil visualizações em menos de 48 horas, demonstrando o contínuo interesse do público. Mesmo Laura, que mantém um perfil mais reservado nas redes sociais, surpreendeu ao participar de um debate na UFRJ sobre representatividade feminina na mídia.

Todas essas iniciativas são acompanhadas de perto por Paulo Mesquita, amigo da família e tutor legal das meninas desde 2023. Ele tem sido uma figura de apoio fundamental, garantindo que os projetos honrem a memória de Gloria enquanto as irmãs navegam pela vida pública, mantendo viva a essência da jornalista em cada aparição e projeto desenvolvido.

Arquivos inéditos e inovações técnicas

Um dos grandes trunfos da série “Glória” foi o acesso a arquivos raros e inéditos da Globo, que revelaram facetas desconhecidas da carreira da jornalista. A equipe de produção digitalizou em 2025 materiais históricos, como fitas de 1975 que mostram a jovem Gloria Maria cobrindo a evacuação de Saigon, no Vietnã, um material de valor inestimável para a história da televisão brasileira. Esses registros foram exibidos em painéis exclusivos durante o Rio Content Market em outubro.

A produção também se destacou pela inovação técnica, utilizando inteligência artificial para restaurar fitas antigas, o que resultou em uma melhoria de 30% na qualidade de áudio de episódios clássicos, como suas viagens pela África. Essa tecnologia permitiu a inclusão de legendas automáticas em português e inglês no Globoplay, alinhando a obra ao sonho de Gloria de produzir reportagens com alcance universal. A diretora Danielle França destacou que o foco em acessibilidade foi uma prioridade para honrar o espírito global da jornalista.

Adoção e a vida longe das câmeras

Além de celebrar a profissional, o documentário mergulha profundamente na dimensão pessoal de Gloria Maria, especialmente em sua jornada para a maternidade. O processo de adoção de Maria e Laura, ocorrido na Bahia em 2009, é retratado com sensibilidade, mostrando como a jornalista se afastou do trabalho por 11 meses para se dedicar integralmente à adaptação das filhas. A série revela como ela equilibrava uma agenda de viagens internacionais com a rotina familiar, planejando viagens curtas e mantendo a casa em Búzios como um refúgio para a família. Depoimentos de amigos próximos e imagens de arquivo pessoal ilustram uma faceta de Gloria que o grande público conhecia pouco: a de uma mãe dedicada e presente, cujo maior projeto de vida era a criação de suas meninas. A produção mostra como essa dedicação moldou a vida das jovens e fortaleceu os laços que hoje as impulsionam a dar continuidade ao seu legado.

Novos depoimentos e o impacto cultural

Para manter o documentário relevante, a produção incluiu depoimentos gravados em novembro de 2025, após a repercussão da estreia. O jornalista Pedro Bial, por exemplo, regravou sua participação para elogiar o estilo inovador de Gloria no Jornal Nacional, onde ela se tornou a primeira repórter negra a entrar ao vivo em 1977. O novo trecho foi enriquecido com dados da Globo que mostram um aumento de 35% no número de mulheres em cargos editoriais desde aquela época.

Maju Coutinho, em um evento no Rio de Janeiro, também reforçou a influência de Gloria em sua própria carreira, citando as memoráveis entrevistas com estrelas internacionais como Madonna e Michael Jackson. A versão disponível no streaming foi ainda mais longe, integrando áudios extras dos rappers Emicida e Mano Brown, que discutem o impacto do ativismo racial de Gloria e como sua presença na TV abriu portas para outros artistas e comunicadores negros.

O campo musical também prestou homenagens. Roberto Carlos e Maria Bethânia gravaram mensagens em dezembro, recordando encontros na casa da jornalista e destacando uma paixão menos conhecida de Gloria: seu sonho de ser cantora. Essas adições enriquecem a narrativa, mostrando a pluralidade de sua influência.

Influência na nova geração de jornalistas

O impacto da série “Glória” transcendeu a tela e chegou às salas de aula. Diversas escolas de jornalismo pelo país incorporaram trechos da produção em seus currículos a partir de 2025. A PUC-Rio, por exemplo, criou um módulo de estudos inteiramente dedicado à carreira e às técnicas de reportagem de Gloria Maria, analisando sua abordagem única em coberturas de guerra, cultura e comportamento.

Em outubro, o Globoplay promoveu um workshop online focado em reportagem internacional, inspirado na trajetória da jornalista, que atraiu mais de 5 mil participantes. Maria e Laura também contribuíram para essa frente educacional, ministrando palestras em São Paulo sobre o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, um dos grandes legados deixados pela mãe.

Repercussão e consolidação da audiência

Desde sua estreia, a série documental demonstrou força nos números. O primeiro episódio, exibido em abril de 2025, marcou 18 pontos de audiência no Ibope, com picos de 22 em São Paulo, um excelente resultado para o horário. As reexibições dominicais, meses depois, continuam a registrar uma média sólida de 12 pontos, superando outras atrações exibidas anteriormente na mesma faixa.

A crítica especializada também recebeu a produção de forma positiva. Veículos como a Folha de S.Paulo elogiaram a narrativa, que soube equilibrar a carreira e a vida pessoal sem sensacionalismo. Nas redes sociais, o engajamento permanece alto, com Maria compartilhando que revisitar a história da mãe através da série tem sido parte importante do processo de luto e celebração da família.

Exposição itinerante celebra a jornalista

Como um desdobramento do sucesso do documentário, uma exposição itinerante foi anunciada, com previsão de estreia para janeiro de 2026 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio). A mostra, inspirada pela produção, percorrerá os principais museus de imagem e som do país, apresentando ao público figurinos, equipamentos de reportagem, fotos e vídeos que marcaram a carreira de uma das maiores jornalistas da história do Brasil.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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