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Em um dia de Sexta-Feira da Paixão, momento de profunda reflexão para o mundo cristão, a pausa para a oração convida à rememoração de valores intrínsecos à humanidade. É um tempo de reverenciar aqueles que se doaram por ideais maiores, pregando amor, paz, perdão e humildade, e que, conforme a crença, venceram a morte e mostraram o caminho.

A história é marcada por uma convocação singular que ressoa até hoje: a formação do colégio apostólico por Jesus Cristo. Dentre os doze escolhidos para uma missão de transformação global, apenas Judas Iscariotes se desviou. Os outros onze, Pedro, Tiago e João (filhos de Zebedeu), André, Felipe e Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago (filho de Alfeu), Simão e Tadeu, seguiram com lealdade inabalável.

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Esta seleção, muitas vezes simbolizada como um “time” coeso, marcou o início de um movimento que alteraria fundamentalmente o curso da história mundial. Apesar das perseguições brutais e das adversidades enfrentadas, esse grupo vitorioso partiu para disseminar a Palavra por todos os cantos, sustentando a fé com uma convicção que culminou no martírio para a maioria, com exceção de João, que teria falecido de causas naturais.

A missão apostólica e a mudança global

A missão confiada aos apóstolos transcendeu fronteiras geográficas e temporais, estabelecendo os fundamentos do cristianismo. Eles foram instruídos a ir e fazer discípulos de todas as nações, batizando-os e ensinando-os a observar tudo o que lhes havia sido ordenado. Este mandato universal transformou um grupo de homens simples em pilares de uma nova era de pensamento e fé.

A persistência e a coragem desses onze, frente a impérios e culturas arraigadas, demonstram a força de sua crença e a profundidade de sua dedicação. Eles enfrentaram prisões, torturas e, em muitos casos, a morte violenta, mas sua mensagem continuou a se espalhar, ecoando através das gerações e moldando civilizações inteiras com os princípios do amor ao próximo e da esperança.

O legado dos doze: fé e martírio

Cada apóstolo deixou uma marca indelével na expansão do cristianismo. Pedro, reconhecido por sua liderança impetuosa, foi fundamental nos primeiros anos da Igreja. João, o discípulo amado, contribuiu com escritos que aprofundam a compreensão da natureza divina e do amor.

Tiago, filho de Zebedeu, foi o primeiro apóstolo a ser martirizado, demonstrando o custo da fidelidade à missão. Os demais, como André, que pregou em regiões distantes, ou Tomé, que levou a mensagem até a Índia, exemplificam a vastidão e a diversidade do alcance da pregação inicial.

Suas vidas e mortes são testemunhos da dedicação incondicional à causa que abraçaram. O legado que deixaram não se restringe a textos sagrados ou tradições, mas se manifesta na própria estrutura de valores que muitas sociedades ocidentais ainda hoje observam, centrados na compaixão e na fraternidade.

Reflexões contemporâneas em meio à incerteza

Em um período onde a humanidade enfrenta instantes de incerteza e tensões crescentes, com a ameaça real de conflitos globais capazes de levar o pânico às nações, a mensagem atemporal dos apóstolos ganha um novo sentido. A fé e a perseverança na Palavra de Cristo oferecem um refúgio e uma perspectiva que transcende as crises mundiais.

A promessa contida no Evangelho de João (11:25), “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”, torna-se um pilar de esperança para muitos, reforçando a ideia de que a vida e os valores espirituais superam a efemeridade das preocupações materiais e dos conflitos terrenos. A reflexão sobre a resiliência da fé é um convite à busca por paz interior e coletiva.

Rádio e religiosidade: um olhar histórico

Em tempos passados, a Sexta-Feira da Paixão era observada com um rigor ainda maior, e os meios de comunicação refletiam essa atmosfera. Na década de 1960, por exemplo, muitas emissoras de rádio no Brasil cessavam suas programações habituais. O silêncio ou a música clássica predominavam, criando um ambiente de profunda solenidade.

Na Rádio Uirapuru, em 1965, a programação era interrompida, exceto por uma transmissão específica ao meio-dia. Essa exceção notável era dedicada à “A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo”, uma obra radiofônica que se tornaria um marco cultural e religioso, demonstrando a força do rádio como meio de difusão de valores espirituais.

As rádios, então um dos principais veículos de massa, tinham um papel significativo na formação cultural e religiosa da população. A ausência de programas comuns e a inserção de conteúdos religiosos especiais na Sexta-Feira Santa evidenciavam o respeito profundo e generalizado pelas tradições católicas em uma sociedade que vivia sob forte influência da Igreja.

Esse período histórico revela não apenas uma época de intensa religiosidade, mas também a maneira como a mídia se adaptava e contribuía para a manutenção de ritos e celebrações importantes para a comunidade. A programação especial era aguardada e consumida por milhões de ouvintes em seus lares.

A obra “A vida de nosso senhor jesus cristo”

A produção de “A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo”, gravada em 1959 pelo renomado elenco da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, é um exemplo primoroso do rádio teatro brasileiro. A obra, que ainda hoje pode ser encontrada e apreciada em plataformas digitais, é um testemunho da excelência artística e técnica da época.

A radiofonização, elaborada pelo notável radialista, jornalista e cronista Giuseppe Ghiaroni, transformou a narrativa bíblica em uma experiência auditiva envolvente. A narração de César Ladeira, com sua voz marcante, e a locução de Aurélio Andrade e Reinaldo Costa, deram vida aos textos sagrados, transportando os ouvintes para os cenários da história de Jesus.

Um total de 115 profissionais, incluindo atores e equipe técnica, colaboraram para a realização dessa obra monumental. Dentre os destaques, Roberto Faissal interpretou Jesus Cristo com maestria, enquanto Amélia de Oliveira e Amélia Ferreira deram voz a Maria. Mário Lago assumiu o papel de Herodes e Ísis de Oliveira brilhou como Madalena, emprestando seu talento a uma produção que se tornou clássica.

Evolução da observância religiosa na mídia

A década de 1960 representou um ápice do sentimento religioso no Brasil, com o catolicismo exercendo uma influência predominante na vida social e cultural. A mídia, especialmente o rádio, adaptava-se a essa realidade, com programações que refletiam a solenidade das datas religiosas, como a Quinta-Feira Santa, quando apenas músicas clássicas e orquestradas eram veiculadas.

Com o passar do tempo, entretanto, houve uma significativa mudança nos hábitos e na forma como as datas religiosas são observadas. As emissoras de rádio, e posteriormente a televisão, passaram a adotar programações mais diversas e, muitas vezes, regulares, mesmo em feriados religiosos importantes.

Essa transição reflete uma sociedade mais plural e com maior diversidade de crenças e valores. Embora o respeito ao sagrado ainda seja presente, a forma de manifestação e a presença na mídia se transformaram, adaptando-se a um contexto contemporâneo que busca equilibrar a tradição com as demandas de uma audiência em constante evolução.

A mensagem eterna da convocação divina

Apesar das transformações culturais e da maneira como a religiosidade é percebida e transmitida pela mídia ao longo dos anos, a essência da convocação de Jesus Cristo aos seus apóstolos permanece inalterada. A ordem original de disseminar a Palavra pelo mundo inteiro continua sendo um pilar central para milhões de fiéis.

A mensagem de vivificação e salvação, de amor e de esperança, transcende as épocas e as formas de comunicação. A vitória da vida sobre a morte, celebrada na Páscoa, é o cerne dessa pregação, oferecendo um guia para a humanidade em sua jornada, independentemente dos desafios e das incertezas que possam surgir no cenário global.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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