Físico de Harvard propõe duas análises sobre origem de objetos não identificados

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Avi Loeb Foto: Avi Loeb - Reprodução

O professor Avi Loeb, físico da Universidade de Harvard e diretor do Projeto Galileo, apresentou duas interpretações distintas sobre os documentos governamentais relacionados a objetos não identificados divulgados pelo governo Trump na semana passada. Em entrevista ao programa The Hill’s Rising, Loeb analisou imagens e vídeos que as agências de inteligência não conseguiram classificar, apontando cenários que variam desde tecnologia adversária até possível origem extraterrestre.

Os arquivos incluem fotografias obscuras feitas pelo ex-astronauta Buzz Aldrin durante a missão Apollo 11 e um memorando do governo Kennedy de 1963 expressando preocupação com falta de preparação para contato com extraterrestres. Segundo Loeb, a divulgação cumpre papel psicológico importante ao trazer a discussão para o debate público e para a comunidade científica.

Duas possibilidades explicam os objetos não identificados

A primeira interpretação sugere que os objetos possam ser tecnologia desenvolvida por nações adversárias, o que exporia vulnerabilidades no sistema de defesa americano. Loeb mencionou o exemplo do balão espião chinês como precedente dessa categoria.

A segunda interpretação, mais especulativa, propõe que “um em um milhão de objetos seja de fato de origem extraterrestre, representando alguma tecnologia avançada que não possuímos”. Nesse cenário, Loeb afirmou que a detecção constituiria “a maior descoberta já feita pela humanidade”. O físico enfatizou que ambas as possibilidades justificam análise séria dos dados disponíveis.

Limitações dos dados divulgados

Os documentos lançados carecem de informações técnicas suficientes para conclusões definitivas. Os flashes de luz descritos por Aldrin podem ser explicados por raios cósmicos, segundo Loeb. Relatos de testemunhas sobre objetos elipsoidais faltam dados instrumentais que permitam medir distância, velocidade ou aceleração. A equipe de Loeb analisou as imagens e não conseguiu extrair essas medições dos registros públicos.

O Projeto Galileo, que Loeb lidera, mantém três observatórios que monitoram objetos de ângulos diferentes para calcular altitude, velocidade e aceleração — dados essenciais para determinar se os objetos estão além do alcance da tecnologia humana criada.

Análise das imagens da Apollo e Artemis II

Clarões observados durante a missão Apollo 11 podem ter origem em impactos de rochas na superfície lunar, conforme explicou Loeb. Recentemente, astronautas da Artemis II observaram seis clarões durante sobrevoo do lado oculto da Lua. Porém, esses astronautas coletaram milhares de fotos no mês anterior e não registraram nenhuma luz orbitando a Lua de forma atípica. Loeb concluiu que “com base nos dados mais recentes da Artemis II, não há nada de peculiar na Lua”. As imagens da Apollo provavelmente mostram impactos de asteroides ou artefatos ópticos das câmeras.

Papel da comunidade científica versus agências de defesa

Loeb criticou indiretamente o procedimento das agências de inteligência ao afirmar que militares e analistas não querem ser criticados por vulnerabilidades do sistema de defesa. Essas agências também evitam exposição de métodos de coleta de dados classificados. O orçamento de defesa para 2026 alcança quase um trilhão de dólares, aproximadamente cem vezes maior que o orçamento científico da NASA. Apesar disso, Loeb argumenta que cientistas devem integrar a análise desses dados para ajudar o Pentágono a identificar a natureza dos objetos.

O Projeto Galileo já analisou materiais de expedições ao Oceano Pacífico relacionados a um meteoro interestelar que colidiu com a Terra em 2014. Loeb afirmou que sua equipe encontrou “evidências claras de origem extrasolar” e pode aplicar metodologia semelhante a qualquer material que o governo americano tenha coletado.

Próximas divulgações

Loeb mencionou que quarenta e seis vídeos solicitados pela congressista Anna Paulina Luna ao Pentágono serão divulgados no próximo mês. A representante visitou o escritório de Loeb em Harvard semanas antes para discutir o Projeto Galileo e temas relacionados a objetos não identificados. O físico sinalizou que as próximas liberações de dados podem incluir informações mais sensíveis que exigem períodos maiores de desclassificação.

Loeb destacou que conhecimento científico sempre resultou da detecção de anomalias. Ele citou Albert Michelson, que em 1894 afirmou que a física fundamental estava praticamente concluída, apenas uma década antes de Albert Einstein formular a relatividade restrita e duas décadas antes da relatividade geral explicar a gravidade como curvatura do espaço-tempo. Essa perspectiva histórica justifica, segundo Loeb, a atenção científica a dados anômalos atuais.

Expectativas futuras

O físico expressou ceticismo sobre evidências concretas nos documentos lançados, mas permanece otimista sobre liberações futuras. Ele afirmou que espera “uma imagem de alta resolução ou um vídeo de alta qualidade que possa demonstrar, sem qualquer dúvida razoável, que estamos lidando com algo que não foi feito pelo homem”. Esse material ainda não apareceu nos arquivos desclassificados divulgados.

Loeb também mencionou a possibilidade de o governo ter acesso a materiais de locais de acidentes e indagou se esses materiais podem ser analisados cientificamente. O laboratório do Projeto Galileo conta com infraestrutura para realizar análises químicas e estruturais de materiais que comprovem origem extrasolar.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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