UFRGS instala câmeras no Pampa em busca de felino ameaçado de extinção

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UFRGS instala câmeras no Pampa em busca de felino ameaçado de extinção - Divulgação/Felinos do Pampa Foto: UFRGS instala câmeras no Pampa em busca de felino ameaçado de extinção - Divulgação/Felinos do Pampa

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), vinculados ao Projeto Felinos do Pampa, instalaram armadilhas fotográficas no Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí (RS), para monitorar a fauna silvestre e buscar o ameaçado gato-palheiro-pampeano. A operação científica na unidade de conservação, divulgada nesta sexta-feira (23), já captou imagens de diversas espécies nativas, incluindo um exemplar raro de gato-do-mato-grande de coloração preta (melânico).

O principal objetivo da equipe é confirmar a presença de pelo menos quatro espécies de pequenos felinos que podem habitar a região, com foco especial no gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai), que ainda não foi registrado pelos equipamentos no parque. “A gente colocou elas aqui para entender um pouco sobre quais são as espécies que estão ocorrendo”, afirmou a mestranda e pesquisadora da UFRGS, Mariana Guimarães Xavier da Costa.

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Operação das armadilhas fotográficas da UFRGS no Parque Estadual do Espinilho

Para realizar o levantamento sem interferir no comportamento dos animais, os cientistas percorreram áreas de campo aberto e trechos de vegetação fechada para posicionar os equipamentos. Os dispositivos operam por sensores de movimento e contam com tecnologia infravermelha, o que permite a gravação de imagens durante a noite sem o disparo de flash.

Além do gato-do-mato-grande melânico, o monitoramento já documentou a circulação de tatu-pelado, zorrilho, graxaim-do-campo, graxaim-do-mato, ema, lontra e uma família de capivaras. Esses registros auxiliam na compreensão dos hábitos da fauna local, do comportamento reprodutivo e da distribuição das espécies dentro da área protegida.

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  • Local do monitoramento: Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí (RS)
  • Instituições responsáveis: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Projeto Felinos do Pampa
  • Data de divulgação dos registros: 23 de outubro de 2026
  • Equipamentos utilizados: 18 armadilhas fotográficas com sensores infravermelhos
  • Distanciamento na área: aproximadamente 1 quilômetro entre cada câmera
  • Alvo prioritário da busca: confirmação de ao menos 4 espécies de felinos, com foco no gato-palheiro-pampeano

Ameaças ao gato-palheiro-pampeano e a perda de habitat no Rio Grande do Sul

Endêmico do bioma, o gato-palheiro-pampeano depende diretamente da conservação dos campos nativos para sobreviver, mas já perdeu mais de 80% de seu habitat original devido ao avanço da agricultura. A espécie havia sido registrada pelo Projeto Felinos do Pampa em junho de 2022, por meio de armadilhas fotográficas instaladas na bacia do rio Tacuarembó, no município gaúcho de Dom Pedrito, mas segue sem aparições recentes no Espinilho.

Segundo a pesquisadora, bióloga e professora responsável pelo projeto na UFRGS, Flávia Pereira Tirelli, a substituição da vegetação nativa por lavouras compromete a sobrevivência do animal. “O gato-palheiro-pampiano é uma espécie que precisa de pasto. Então, ter a questão, por exemplo, da soja em toda a região, arroz, as monoculturas, são muito prejudiciais para uma espécie que precisa do campo para sobreviver. E aqui o parque é uma área que pode proteger espécies como essas”, declarou a coordenadora.

Importância ecológica do bioma Pampa e histórico do Projeto Felinos do Pampa

O bioma Pampa ocupa 69% do território do Rio Grande do Sul único estado brasileiro onde essa formação ocorre, estendendo-se também por partes da Argentina e do Uruguai e abriga 7 das 10 espécies de felinos silvestres registradas no Brasil. A preservação desses predadores é determinante para a manutenção de toda a cadeia ecológica da região.

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A professora Flávia Pereira Tirelli, que também é idealizadora do projeto, explica que a dieta estrita desses animais atua na regulação da fauna local. “A gente chama felinos de hipercarnívoros, ou seja, eles só se alimentam de carne. Não comem frutos ou outras coisas que complementariam a dieta. E, por serem hipercarnívoros, eles controlam a população das presas e o equilíbrio de um ambiente”, disse a bióloga.

Para estudar e proteger esses animais no Rio Grande do Sul e no Uruguai, o Projeto Felinos do Pampa foi estruturado entre 2021 e janeiro de 2022 pelos biólogos Felipe Bortolotto Peters e Marina Ochoa Favarini, em atuação conjunta com a professora Flávia Pereira Tirelli na UFRGS.

Uso dos dados pelo Parque Estadual do Espinilho na conservação ambiental

Criado em 1 de janeiro de 1975 e ampliado em 2002, o Parque Estadual do Espinilho sofre influência do espinal argentino e abriga cerca de 200 espécies de aves, consolidando-se como uma das unidades de conservação mais relevantes para espécies ameaçadas dos Campos Sulinos. De acordo com o gestor do Parque Estadual do Espinilho, Bruno Carvalho Fernandes, o local preserva características de um ecossistema raro que já teve maior presença no território gaúcho.

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Todo o material coletado pelas equipes da universidade durante o monitoramento será repassado à administração da unidade para direcionar políticas públicas de manejo e proteção. “A gente também entrega essa base de dados para o parque, porque aí assim os gestores, os funcionários, os servidores públicos do Estado conseguem saber onde espécies que são críticas, como é o caso do gato-palheiro-pampeano, estão e como pode ser feita então a preservação local para essa espécie”, afirmou Flávia Pereira Tirelli.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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