Medicamento contra HIV terá produção nacional concluída pela Fiocruz para o SUSPor Carolina Costa
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a etapa de transferência de tecnologia para a fabricação nacional do dolutegravir, um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do HIV no Brasil. Essa importante conquista representa um avanço significativo para a autonomia do Sistema Único de Saúde (SUS), que distribui gratuitamente o antirretroviral para mais de 770 mil pessoas vivendo com o vírus em todo o país. O início da distribuição pela rede pública agora depende apenas da autorização final da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Acordo estratégico impulsiona autonomia na saúde brasileira
O dolutegravir, originalmente desenvolvido pela ViiV Healthcare — empresa especializada em pesquisa de HIV e parte da biofarmacêutica GSK —, foi o centro de um acordo de transferência de tecnologia assinado em 2020. O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade da Fiocruz responsável pela produção de medicamentos estratégicos para o SUS, tornou-se o parceiro nesse compromisso. O objetivo principal do acordo foi nacionalizar gradualmente a fabricação do medicamento, integrando todo o processo produtivo ao parque industrial brasileiro.
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Adaptações e avanços na infraestrutura de Farmanguinhos
Para viabilizar a produção interna do medicamento, Farmanguinhos implementou uma série de modificações e investimentos significativos. A instituição adaptou sua planta industrial, adquiriu novos equipamentos de ponta, promoveu o treinamento de equipes especializadas e estruturou processos regulatórios. Foram também desenvolvidas novas etapas operacionais para atender às rigorosas exigências de fabricação e para garantir o controle de qualidade e a segurança do medicamento antes de sua chegada aos pacientes.
Fiocruz: um papel essencial na oferta e controle do dolutegravir
Mesmo antes de finalizar a transferência tecnológica, Farmanguinhos já possuía um papel crucial na disponibilização do dolutegravir para o SUS. Desde 2022, o instituto tem sido o responsável pela distribuição dos comprimidos produzidos pelas fábricas da GSK. Nesse período, foram fornecidas mais de 739 milhões de cápsulas ao sistema público de saúde. Além disso, a partir de 2025, a unidade também passou a realizar as análises laboratoriais de controle de qualidade, consolidando sua participação em múltiplas fases do processo.
Quais os próximos passos para a distribuição nacional do medicamento?
A preparação para o início da fabricação nacional já está em estágio avançado. Três lotes do dolutegravir foram produzidos e validados por Farmanguinhos, aguardando somente a aprovação da Anvisa para serem entregues ao SUS. Paralelamente, a equipe técnica trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo, uma etapa crucial para consolidar toda a cadeia produtiva do medicamento no Brasil.
Ampliação da produção inclui nova combinação medicamentosa
O acordo entre a Fiocruz e a ViiV Healthcare prevê uma fase futura importante. Além da produção do dolutegravir isoladamente, Farmanguinhos também deverá iniciar a fabricação da combinação do medicamento com a lamivudina, outro antirretroviral essencial no tratamento do HIV. Essa formulação combinada também faz parte dos protocolos do SUS, com previsão de início da produção nacional para o próximo ano.
A eficácia e a importância do dolutegravir no combate ao HIV
O dolutegravir é amplamente reconhecido como um dos medicamentos mais eficazes no enfrentamento ao HIV. Ele atua bloqueando a enzima integrase, o que impede a multiplicação do vírus nas células de defesa do organismo. Essa ação resulta na redução da carga viral para níveis indetectáveis, protegendo o sistema imunológico dos pacientes e diminuindo significativamente o risco de progressão para a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça a importância do medicamento, recomendando-o desde 2019 como tratamento preferencial de primeira e segunda linha para pessoas vivendo com HIV, inclusive para mulheres grávidas e com potencial para engravidar. A produção nacional, neste cenário, representa um reforço à segurança do abastecimento do SUS e um fortalecimento da capacidade tecnológica do Brasil, garantindo acesso contínuo a um tratamento vital.















