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Casos de câncer ligados ao 11 de setembro passam de 57 mil

Torre Gêmeas 11 de setembro
Foto: Torre Gêmeas 11 de setembro - Anthony Correia/Shutterstock.com
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O World Trade Center Health Program registrou 57.044 certificações de câncer decorrentes dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, conforme balanço com dados apurados até 30 de junho divulgado em agosto de 2026. A quantidade de pessoas doentes supera em dezenove vezes o total de quase 3 mil mortos nos ataques contra as Torres Gêmeas. O volume de registros avançou expressivamente em comparação com junho de 2025, período em que o programa contabilizava 48,5 mil casos.

Trabalhadores da região, moradores locais, bombeiros, policiais e voluntários inalaram uma espessa nuvem composta por cimento pulverizado, fumaça, combustível queimado e amianto dispersos pela destruição dos edifícios.

Diagnósticos entre civis superam os registros de socorristas

O quadro epidemiológico registrou uma virada inédita com 28.913 certificações entre civis contra 28.131 entre socorristas que atuaram nas operações de salvamento e na remoção dos entulhos. Esse avanço populacional ocorreu porque a categoria de residentes, trabalhadores e estudantes representou a maior parte dos 2.096 novos participantes cadastrados no primeiro trimestre de 2026 e dos 2.180 aceitos no segundo trimestre.

Os tumores possuem longos períodos de latência e começam a se manifestar com maior intensidade em moradores que atingiram a faixa etária propícia para o surgimento dessas enfermidades decorrentes do desastre em Manhattan.

Mecanismo biológico da poeira tóxica no organismo

O médico oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, explicou a maneira como os poluentes afetam a barreira biológica. “A divisão celular acontece milhões de vezes ao longo da vida e sempre produz erros. Um organismo saudável identifica e descarta essas falhas antes que elas se acumulem. A exposição a agentes como asbestos, benzeno, sílica e chumbo desarma justamente esse sistema de correção: as mutações passam a se multiplicar sem freio, e o tumor encontra espaço para se formar”, afirmou Stephen Stefani. Testes laboratoriais realizados com camundongos submetidos ao pó mostraram inflamações graves e ativação de genes responsáveis pelo descontrole celular.

O câncer representou 10.393 das 14.711 condições de saúde aprovadas nos doze meses analisados, superando com folga o refluxo gastroesofágico com 1.553 casos e a rinossinusite crônica com 1.410 ocorrências.

Tipos de tumores identificados pelo programa

Entre os pacientes vivos acompanhados pela iniciativa governamental, a maior concentração de diagnósticos envolve ocorrências na pele com mais de 18 mil certificações formalizadas. Uma meta-análise divulgada em 2022 apontou aumento de 19% em câncer de próstata e de 81% em tireoide em mais de 69 mil trabalhadores de resgate, além de outro estudo de 2020 registrar elevação de 41% no risco de leucemia.

  • Câncer de pele não melanoma: 18,38 mil casos
  • Mama feminina: 4,83 mil diagnósticos
  • Pulmão e brônquios: 1,97 mil ocorrências
  • Tumores neuroendócrinos raros: 591 registros
  • Tecido conjuntivo: 125 confirmações

O Ground Zero gerou sequelas.

O médico Stephen Stefani relatou que manifestações como mesotelioma e lesões no timo indicam que as substâncias mutagênicas penetraram profundamente no organismo. A presença atípica de patologias em tecidos moles evidencia a severidade das inalações sofridas nas imediações do desastre. O monitoramento oficial mantém catalogação individualizada para essas anomalias celulares incomuns.

Estrutura médica criada para atender os atingidos

O James Zadroga 9/11 Health and Compensation Act, sancionado em 2 de janeiro de 2011 após a morte do policial James Zadroga em 2006, viabilizou a estrutura mantida pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional e pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. O atendimento não tem custo.

O sistema atende integrantes em todos os 50 estados americanos e cobre equipes que trabalharam nos escombros do Pentágono e de Shanksville na Pensilvânia, onde 1.481 pessoas participam dos registros. Em dezembro de 2015, o Congresso dos Estados Unidos prorrogou as atividades assistenciais por 75 anos, estipulando a vigência da legislação até 2090. Cerca de 145 mil pessoas integram o cadastro geral, com 67,3% delas apresentando ao menos um agravo de saúde certificado.

O processo de homologação das solicitações exigiu documentação complementar que provocou a suspensão de 2.506 pedidos apresentados por sobreviventes civis e 1.620 requerimentos enviados por equipes de resgate no último período analisado.

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