Chang’e-6 revela ferro gama estável de 912 °C a 1.394 °C na Lua

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Lua e Planeta Terra Foto: Lua e Planeta Terra - muratart/shutterstock.com

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências identificaram pela primeira vez a presença de ferro gama em amostras naturais da Lua, recolhidas no lado oculto do satélite pela sonda Chang’e-6. O achado fornece um novo fóssil magnético para investigar a história magnética lunar e documenta uma fase metálica até então nunca registrada em materiais trazidos do solo lunar.

A descoberta detalha a existência de nanopartículas com estrutura cúbica de face centrada preservadas no interior de fragmentos de vidro gerados por impactos meteoríticos. Segundo o pesquisador Li Long, do Instituto Hefei de Ciências Físicas da Academia Chinesa de Ciências, em declaração traduzida do inglês, “este pequeno fóssil magnético pode nos ajudar a entender melhor a história magnética antiga da Lua”.

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O que explica a sobrevivência do ferro gama na Lua?

super lua
Foto: super lua – Foto: Artsiom P/Shutterstock.com

Em ambientes laboratoriais e terrestres convencionais, o ferro gama é uma fase metálica que atinge estabilidade apenas em faixas extremas de calor, entre 912 °C e 1.394 °C. Quando submetido ao resfriamento comum, o metal sofre uma reorganização em sua rede atômica e se converte espontaneamente na fase alfa, a forma predominante encontrada na crosta da Terra e em materiais geológicos lunares estudados até hoje.

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A conservação do elemento em temperatura ambiente na superfície lunar ocorreu graças a uma combinação rara de processos físicos causados por colisões cósmicas. O choque violento de meteoritos fundiu as rochas locais e provocou um resfriamento ultrarrápido do material expelido. Esse processo reteve a configuração atômica de alta temperatura antes que a transformação estrutural acontecesse, contando ainda com o confinamento mecânico proporcionado pela matriz vítrea e pela ação de elementos estabilizadores residuais, como o carbono.

Técnicas de análise usadas pela equipe de Du Haifeng

Para comprovar a estrutura cristalina do metal, a equipe liderada pelo professor Du Haifeng, do Laboratório de Altos Campos Magnéticos dos Institutos de Ciências Físicas de Hefei, aplicou métodos avançados de caracterização microscópica. O primeiro autor da pesquisa, Pengfei Liu, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, conduziu as investigações em conjunto com os cientistas de Hefei a partir de preparações com feixe de íons focalizado e microscopia eletrônica de transmissão.

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Os pesquisadores recorreram também à holografia eletrônica fora de eixo, ferramenta que possibilita mapear os campos magnéticos de partículas isoladas em escala nanométrica. As análises demonstraram que as nanopartículas de ferro gama com dimensões mais amplas adotam uma configuração de vórtice magnético estável, na qual as linhas de magnetização circulam em formato de anel fechado, mantendo a orientação fixa mesmo quando submetidas a campos magnéticos externos.

Dados técnicos da amostragem da missão Chang’e-6

As partículas examinadas pelos cientistas chineses foram retiradas de um conjunto específico de solo lunar coletado durante a operação no hemisfério não visível da Lua:

  • Coordenadas lunares de pouso: 41,64°S e 153,99°W
  • Unidade geográfica: cratera Apollo, localizada na bacia Polo Sul-Aitken
  • Lote de rególito catalogado: CE6C0500YJFM003
  • Ano de recolhimento em solo lunar: 2024

O lote analisado é composto primordialmente por grânulos de vidro de impacto e fragmentos basálticos. Até esta detecção, a literatura científica internacional sobre amostras lunares computava a presença quase exclusiva de ferro alfa e ligas de ferro e níquel como carreadores do sinal ferromagnético do satélite.

Cronologia da validação científica da descoberta

Os dados sobre o mineral magnético passaram por etapas sucessivas de avaliação por pares e comunicação acadêmica internacional ao longo de setembro de 2026:

  • 16 de setembro de 2026: publicação eletrônica do artigo científico na revista Proceedings of the National Academy of Sciences
  • 22 de setembro de 2026: circulação do fascículo temático impresso da revista (volume 123, número 38)
  • 24 de setembro de 2026: emissão de comunicado oficial pela Academia Chinesa de Ciências

História magnética e os próximos passos da investigação

Atualmente, a Lua não possui um campo magnético global gerado por dínamo interno, diferentemente da Terra. No entanto, parcelas significativas da crosta lunar apresentam magnetismo remanescente congelado em minerais, produzido bilhões de anos atrás pelo antigo núcleo líquido lunar ou por nuvens de plasma geradas em colisões colossais. A detecção do ferro gama acrescenta um novo mineral à lista de materiais capazes de atuar como gravadores dessas variações físicas.

Apesar da comprovação da estabilidade magnética do material nas amostras da Chang’e-6, ainda não foi estabelecida uma conexão direta e definitiva entre os sinais magnéticos do ferro gama e as variações cronológicas do antigo campo magnético da Lua. Os pesquisadores apontam que a confirmação dessa correlação histórica exigirá a execução de simulações micromagnéticas adicionais e testes em novos fragmentos lunares.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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