Preço menor do petróleo leva MDIC a cortar projeção do superávit comercial de 2026

petróleo Foto: petróleo - pan demin/Shutterstock.com

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reduziu a projeção para o superávit da balança comercial brasileira de 2026 de US$ 90,0 bilhões para US$ 84,4 bilhões. O ajuste nas contas do comércio exterior reflete a acomodação recente dos preços internacionais do petróleo e de derivados após picos verificados nos primeiros meses do ano.

Mesmo com a redução na expectativa oficial, apresentada nesta terça-feira (6) em Brasília, o resultado projetado para 2026 representa um crescimento de 24% em relação ao saldo comercial consolidado de 2025, que fechou em US$ 68,1 bilhões. Caso o valor de US$ 84,4 bilhões se confirme até dezembro, o país registrará o segundo maior superávit de toda a série histórica do comércio exterior brasileiro, abaixo apenas do desempenho computado em 2023.

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Por que o MDIC diminuiu a estimativa para o superávit da balança comercial?

A revisão para baixo ocorreu porque os modelos econométricos utilizados pelo governo federal captaram o arrefecimento nas cotações internacionais das commodities energéticas ao longo do terceiro trimestre. O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, explicou a dinâmica estatística que orientou os novos números: “O modelo captou esse crescimento maior e depois esse movimento se arrefeceu, e resultou numa taxa de crescimento ainda significativa, mas um pouco menor do que ele estava captando neste primeiro semestre”.

O recuo relativo dos valores médios do barril de petróleo aliviou o montante monetário das exportações em relação ao momento de forte estresse geopolítico verificado anteriormente. A escalada do conflito militar envolvendo os Estados Unidos e o Irã no primeiro semestre impulsionou momentaneamente os preços externos dos derivados e do óleo bruto, elevando as previsões do Brasil nas contas apresentadas no meio do ano. Com a recomposição dos fluxos e a perda de pressão nos contratos globais, o ritmo de expansão das receitas perdeu ímpeto em comparação às previsões calculadas em julho.

Setembro registra saldo comercial de US$ 7,741 bilhões com salto de 146,4%

O desempenho mensal recente mostrou fôlego positivo ao fechar setembro de 2026 com superávit de US$ 7,741 bilhões. O montante representou um avanço de 146,4% na comparação direta com o mesmo mês de 2025. O resultado no nono mês do ano decorreu do envio de US$ 34,418 bilhões em mercadorias ao exterior, patamar que significou alta de 12,9% nas exportações, enquanto as importações brasileiras caíram 2,4% e somaram US$ 26,678 bilhões.

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No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o saldo superavitário da balança brasileira atingiu US$ 62,396 bilhões. O embarque de óleos brutos de petróleo, soja, café não torrado e farelo de soja puxou o crescimento das vendas externas no período mensal. Em contrapartida, produtos tradicionais da pauta de exportação como carne bovina, minério de ferro e milho enfrentaram retrações nos volumes comercializados em setembro.

Nas negociações bilaterais, as exportações destinadas à União Europeia subiram 60% em setembro frente ao nono mês do ano passado, acumulando elevação de 20% no intervalo entre janeiro e setembro, com destaque para petróleo bruto, minério de cobre, farelo de soja e combustíveis. Em direção oposta, as compras brasileiras de produtos europeus recuaram 8,7% no mês. Em relação à China, principal destino de commodities brasileiras, as exportações caíram 7,6% em setembro, pressionadas pela queda de 93% na carne bovina após o limite da cota tarifária. Parte desse volume pecuário acabou absorvida pelos Estados Unidos, que ampliaram em 32% as aquisições de produtos brasileiros em setembro em comparação a setembro de 2025.

Dados da balança comercial brasileira e metas revisadas para 2026

  • Nova projeção do superávit anual em 2026: US$ 84,4 bilhões
  • Projeção anterior do superávit (estimada em julho): US$ 90,0 bilhões
  • Primeira estimativa oficial para o ano de 2026: US$ 72,1 bilhões
  • Saldo comercial positivo registrado em setembro de 2026: US$ 7,741 bilhões
  • Exportações totais estimadas para o ano de 2026: US$ 382,5 bilhões
  • Importações totais estimadas para o ano de 2026: US$ 298,1 bilhões
  • Superávit acumulado de janeiro a setembro de 2026: US$ 62,396 bilhões
  • Saldo comercial consolidado no encerramento de 2025: US$ 68,1 bilhões

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Evolução das projeções comerciais e comparativo histórico com 2023 e 2025

A trajetória das estimativas oficiais em 2026 passou por três etapas sucessivas de recalibragem técnica. No início do ciclo de planejamento macroeconômico, a primeira estimativa do MDIC indicava um saldo de US$ 72,1 bilhões para o ano civil. Em julho de 2026, com o choque positivo gerado pela alta nos preços do petróleo e de itens agropecuários, a equipe elevou a conta para US$ 90,0 bilhões. A rodada divulgada em 6 de outubro de 2026 reposicionou o indicador em patamar intermediário de US$ 84,4 bilhões.

O resultado esperado para o fechamento deste ano permanece superior ao acumulado de 2025, quando as trocas comerciais do Brasil com outros países geraram superávit fechado em US$ 68,1 bilhões. Na série histórica nacional, o maior saldo já contabilizado continua sendo o de 2023. Se a projeção de US$ 84,4 bilhões for cumprida até o encerramento do quarto trimestre, o país consolidará o segundo desempenho mais elevado já registrado nas contas de trocas com o mercado exterior.

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Cotações do barril e oscilações do mercado externo sob monitoramento do MDIC

O valor de pico a US$ 138 no barril de petróleo verificado no mercado financeiro global em abril de 2026 não consta nos relatórios oficiais do MDIC, sendo uma cotação internacional capturada de forma indireta pelos modelos de projeção da pasta. O ministério continuará acompanhando a volatilidade dos preços internacionais de combustíveis e o comportamento da demanda dos grandes blocos econômicos até a divulgação do balanço final do ano.

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