O preparador automotivo Ricardo Freitas, conhecido como Ricardinho ACF e especialista responsável pelo projeto da ACF Performance, confirmou que o remap em carro elétrico é tecnicamente viável para aumentar potência e torque. A validação prática ocorreu em São Paulo a partir de um projeto experimental com o hatch Geely EX2, mas o processo exige reforço no sistema de arrefecimento e tem custo superior ao de modelos a combustão.
“Dá para mexer em carro elétrico, mas custa mais caro do que no a combustão”, afirmou Freitas sobre a diferença de orçamento entre as duas tecnologias. O especialista explicou que a reprogramação eletrônica nesses veículos não se limita ao ajuste de software e demanda alterações físicas de hardware para suportar a carga extra de energia sem danificar o conjunto mecânico.
Como funciona o remap em carro elétrico na prática?
A lógica de ajuste dinâmico nos modelos movidos a bateria guarda semelhanças com a preparação de motores a combustão interna, pois ambas atuam sobre as margens de fábrica deixadas pelas montadoras. A diferença central está na forma como a energia e o calor são administrados durante o funcionamento do veículo modificado. Em condições de uso severo de curta duração, é possível liberar picos de descarga elétrica da bateria para obter ganhos imediatos de torque nas rodas sem comprometer os limites estruturais originais do motor elétrico.
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“Quando a gente fala de limite, por exemplo, da calibração do motor de combustão interna, quando a gente homologa um motor, cada montadora tem os seus limites”, declarou o preparador automotivo ao comparar os parâmetros de engenharia das fabricantes. Essa margem de segurança original permite a intervenção eletrônica focada em desempenho, desde que o preparador respeite a capacidade física dos componentes internos durante a entrega de força.
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O principal gargalo técnico na preparação de veículos eletrificados é o gerenciamento térmico do conjunto. Os picos de liberação de energia elevam rapidamente a temperatura do sistema inteiro. Assim como o aumento de pressão do turbo nos motores tradicionais exige intercoolers mais eficientes para resfriar o ar admitido, o ganho de força no carro elétrico obriga a instalação de sistemas de refrigeração mais robustos e componentes de alta tensão redimensionados para evitar a degradação precoce das células da bateria ou avarias no propulsor.
Testes do Geely EX2 no Autódromo de Interlagos
A viabilidade da reprogramação foi testada na prática em duas versões experimentais desenvolvidas sobre a base do hatch 100% elétrico Geely EX2 para o Festival Interlagos 2026, evento aberto ao público entre 27 e 30 de agosto de 2026 no Autódromo José Carlos Pace, na capital paulista. Os protótipos foram idealizados por Ricardo Freitas em parceria com Eduardo Bernasconi, fundador da FullPower, e revelados oficialmente em 26 de agosto de 2026.
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A arquitetura original do modelo chinês facilitou a adaptação para a condução esportiva na pista paulistana. “O Geely EX2 já é um veículo divertido, com muito potencial para ser ainda mais empolgante, pois possui uma dinâmica de direção única. E características típicas de carros ágeis, como a tração traseira, suspensão independente nas quatro rodas, freios a disco, além da distribuição igualitária de peso e baixo centro de gravidade”, disse Jefferson Antunes, Head de Produto e Marca da Geely Brasil, cargo de chefia responsável pela estratégia dos veículos da montadora no país.
Especificações e dados dos conceitos do Geely EX2
O projeto experimental levou para o circuito paulistano configurações distintas de preparação sobre a mesma plataforma elétrica. Os dados técnicos e operacionais confirmados nos testes reúnem os seguintes parâmetros:
- Quantidade de protótipos desenvolvidos: 2 carros-conceito esportivos criados sobre a base do hatch elétrico.
- Versão Geely EX2 Street: configuração focada em customização visual e funcional replicável para uso em ruas comuns.
- Versão Geely EX2 Track: variante preparada para pista e manobras de drift (técnica de direção em que o carro desliza de lado nas curvas), equipada com gaiola de proteção (santantônio), bancos do tipo concha e freio de mão hidráulico.
- Tempo de exigência severa: 10 minutos de duração em uma sessão de drift, período usado como referência prática para liberar os picos de descarga elétrica.
- Conjunto de rodagem: rodas de 17 polegadas instaladas nos modelos modificados exibidos no evento.
- Balanço estrutural de fábrica: distribuição de peso próxima da proporção 50:50 entre os eixos, favorecida pelo posicionamento inferior das baterias.
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Apesar da comprovação técnica nos protótipos de pista, os valores financeiros exatos necessários para realizar o remap em um carro elétrico e os números precisos de ganho de potência, medidos em cavalos (cv), e de torque, em quilograma-força metro (kgfm), obtidos no Geely EX2 não foram divulgados pelos responsáveis pelo projeto até a publicação dos dados neste sábado (17), em 17 de outubro de 2026.
