Um corte de US$ 150 bilhões na avaliação pretendida pela OpenAI marcou a fase final das negociações para a nova rodada de captação privada da empresa em San Francisco, na Califórnia, nesta quinta-feira (22). A desenvolvedora do ChatGPT recuou da meta inicial após encontrar resistência e demanda mais fraca de investidores para o patamar proposto no início do mês.
A companhia busca levantar recursos como um financiamento “ponte” antes de realizar sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês para a estreia na Bolsa de Valores), prevista para o primeiro semestre de 2027. O acordo em discussão é liderado pelo grupo de investimentos americano Coatue Management e por fundos dos Emirados Árabes Unidos, como o MGX, que também negociam cláusulas de infraestrutura tecnológica.
Resistência do mercado à avaliação inicial da OpenAI
No início de outubro de 2026, o banco Morgan Stanley e o fundo de tecnologia Dragoneer, sediado em San Francisco, apresentaram a oportunidade de negócio a clientes de gestão de fortunas com a avaliação pré-investimento mais alta. Diferentemente das rodadas anteriores promovidas pela criadora do ChatGPT, a oferta não gerou corrida entre os clientes do banco, e o interesse ficou abaixo do registrado no passado devido ao cansaço dos fundos após aportes bilionários recentes no setor.
Além da fadiga com o volume de capital já alocado no segmento, a redução na pedida ocorre durante um período de queda das ações de empresas de tecnologia nos Estados Unidos. O mercado financeiro demonstra preocupação com a sustentabilidade da expansão da infraestrutura de inteligência artificial financiada por dívida, o que levou parte dos potenciais compradores a aguardar a definição do valor de mercado da concorrente Anthropic, cujo IPO está previsto para o final de 2026, antes de comprometer novos recursos na rival.
O diretor de investimentos do Rockefeller Global Family Office, Jimmy Chang, cuja instituição possui exposição financeira tanto à OpenAI quanto à Anthropic, afirmou que a indefinição sobre as aberturas de capital das duas companhias pressiona o mercado acionário americano de modo geral. “O mercado precisa ver uma oferta pública inicial bem-sucedida. Essas empresas precisam de financiamento”, disse Chang.
Valores e histórico das captações da OpenAI e do setor
Os termos financeiros discutidos na atual negociação e os principais marcos de captação recentes do setor de inteligência artificial envolvem as seguintes cifras:
- Meta atual de avaliação pré-investimento da OpenAI: US$ 1,25 trilhão (R$ 6,3 trilhões), uma redução de cerca de 10,7% sobre o valor pretendido inicialmente;
- Meta anterior apresentada no início de outubro de 2026: US$ 1,4 trilhão (R$ 7 trilhões) antes do novo aporte;
- Valor buscado na rodada atual de financiamento: até US$ 30 bilhões (R$ 151,5 bilhões);
- Avaliação pós-investimento estimada: cerca de US$ 1,28 trilhão, caso a captação atinja o teto previsto na rodada;
- Rodada privada de março de 2026: captação recorde de US$ 122 bilhões, que resultou na avaliação pós-investimento de US$ 852 bilhões (R$ 4,3 trilhões);
- Rodada privada de março de 2025: captação de US$ 40 bilhões (R$ 202,1 bilhões) junto a investidores privados;
- Captação da concorrente Anthropic ao longo de 2026: quase US$ 100 bilhões (R$ 505,2 bilhões) levantados no ano.
Acordo de capacidade computacional da OpenAI e relação com a Microsoft
Mesmo com o recuo na meta, o valor negociado representa uma valorização de quase 50% (cerca de 47%) em comparação com a marca obtida pela companhia em março de 2026. Além da injeção direta de capital, a minuta discutida com os fundos do Oriente Médio garante à empresa de inteligência artificial o direito de preferência sobre a nova capacidade computacional que for desenvolvida por seus parceiros nos Emirados Árabes Unidos.
Na estrutura societária e operacional já estabelecida, a companhia tem a Microsoft como detentora de aproximadamente 27% de participação no negócio. As duas empresas mantêm um contrato de US$ 250 bilhões para o fornecimento de serviços de nuvem por meio da plataforma Azure, com validade estendida até o ano de 2032.
Prazo de 30 de outubro e planos da OpenAI para a Bolsa
Em relação ao cronograma de abertura de capital, o diretor-executivo (CEO) da OpenAI, Sam Altman, que comanda a gestão executiva ao lado da diretora financeira (CFO) Sarah Friar, já havia descartado em setembro de 2026 a realização do IPO ainda neste ano. Na ocasião, Altman declarou que estrear na Bolsa neste estágio seria imprudente diante das condições de mercado e de questões ligadas à segurança da inteligência artificial, mantendo a perspectiva da operação para o primeiro semestre de 2027, ainda sem data fixada.
Até o momento, a OpenAI e a gestora Coatue Management não comentaram oficialmente os termos das tratativas. Os valores finais da operação e a data exata de fechamento do contrato ainda podem sofrer alterações, podendo resultar em uma captação inferior ao teto planejado a depender da adesão definitiva dos participantes.
A diretoria da OpenAI estabeleceu a próxima sexta-feira, 30 de outubro de 2026, como o prazo final para que os potenciais investidores assinem o acordo e confirmem o compromisso financeiro com a rodada.
