A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) lançou a missão Martian Moons eXploration (MMX) na segunda-feira (19), a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão, para explorar o sistema marciano. A espaçonave não tripulada tem o objetivo inédito de pousar na lua Fobos, recolher pelo menos 10 gramas de rochas e trazer o material de volta à Terra em 2031.
O veículo partiu a bordo do foguete H3 e foi inserido na órbita predeterminada após a separação do propulsor. A operação conta com a parceria da agência espacial norte-americana (NASA), da Agência Espacial Europeia (ESA), da agência espacial francesa (CNES) e do Centro Aeroespacial Alemão (DLR). “As amostras da MMX trarão uma ciência transformadora sobre o sistema de Marte para as próximas gerações, especialmente enquanto a NASA se prepara para enviar os primeiros humanos a Marte”, afirmou Nicky Fox, administradora associada do Diretório de Missões Científicas da NASA em Washington, em tradução livre.
Continue lendo: Dragonfly da Nasa completa primeira simulação de voo em tempo real para explorar Titã a partir de 2034
Operação da sonda MMX em Fobos e uso do rover Idefix
A expectativa é que a espaçonave japonesa alcance a região do planeta vermelho em agosto de 2027 para iniciar a observação das duas luas marcianas, Fobos e Deimos, e fazer registros fotográficos aproximados de ambas. A etapa mais complexa do cronograma prevê a descida na superfície de Fobos para recolher fragmentos em dois pontos distintos do satélite natural. Antes que a nave principal toque o solo, ela liberará um pequeno veículo explorador chamado Idefix, projetado em conjunto pelo Centro Aeroespacial Alemão e pela agência espacial francesa. O equipamento será solto de uma altitude entre 40 e 100 metros para realizar medições científicas na superfície e identificar um ponto seguro para a descida e a extração das rochas pela sonda japonesa.
Saiba mais: Fase da lua hoje, domingo, 25 de outubro: veja a lua de hoje e as próximas fases
Para realizar a coleta e o mapeamento, a missão utiliza tecnologias fornecidas por diferentes países participantes do consórcio internacional. A contribuição norte-americana inclui o coletor pneumático de amostras P-Sampler, responsável por recolher o material do solo, e o espectrógrafo de raios gama e nêutrons MEGANE (sigla em inglês para Exploração das Luas de Marte com Raios Gama e Nêutrons). Além dos instrumentos científicos embarcados, a agência dos Estados Unidos fornece suporte contínuo de comunicação e navegação por meio da Deep Space Network, sua rede de antenas espaciais profundas.
Veja também: Universidade de Girona confirma primeira datação absoluta de tumba no Saara Ocidental
Nicky Fox destacou a cooperação internacional no tratamento do material que será recolhido no espaço. “A parceria de curadoria de amostras entre a NASA e a JAXA é extremamente valiosa, e tenho orgulho de que a divisão de Ciência da NASA esteja apoiando a curadoria de amostras da MMX e vá compartilhar porções dessas amostras para estudo enquanto continuamos a expandir a compreensão da humanidade sobre o universo para o benefício de todos”, declarou a administradora associada.
Dados técnicos e cronograma da missão japonesa MMX
O planejamento da agência japonesa estabelece os parâmetros de peso, horários e locais de operação da espaçonave ao longo da viagem interplanetária:
Acompanhe: Peter Jackson e Colossal Biosciences compram ovo de moa para recriar ave
- Data e horário do lançamento: 19 de outubro de 2026, às 16h41min03s pelo horário de Brasília (19h41min03s UTC e 04h41min03s de 20 de outubro no fuso horário do Japão).
- Veículo lançador: foguete H3, em seu voo de número 10, a partir do Centro Espacial de Tanegashima.
- Massa da espaçonave: 4.480 kg de massa total no lançamento e 2.100 kg de massa seca (sem combustível).
- Duração total prevista: 5 anos de missão, contados da decolagem em 2026 até a conclusão em 2031.
- Local de retorno das amostras: Área Proibida de Woomera, localizada no sul da Austrália.
Origem das luas Fobos e Deimos na história de Marte
A análise em laboratório do material trazido pela missão MMX busca responder a uma questão central da ciência planetária sobre a formação dos dois satélites naturais de Marte. Os pesquisadores querem descobrir se Fobos, que possui cerca de 22 quilômetros de diâmetro, e Deimos, com aproximadamente 13 quilômetros de diâmetro, são asteroides que foram capturados pela força da gravidade marciana ou se surgiram a partir de fragmentos gerados pelo impacto de um grande corpo celeste contra o planeta no passado. Os dados também devem fornecer informações sobre a evolução histórica de Marte e as condições do início do Sistema Solar.
Confira também: Plástico domina 59% da produção mundial de fibras e compõe 37% da massa dos celulares
Embora cerca de dez missões espaciais já tenham conseguido pousar na superfície de Marte ao longo da história da exploração espacial, nenhuma espaçonave pousou até o momento em qualquer uma de suas duas luas. Os dois satélites naturais foram batizados com os nomes dos filhos de Ares, o deus da guerra na mitologia grega que equivale ao deus Marte para os romanos. As palavras Fobos e Deimos significam, respectivamente, medo e terror.
Concluída a etapa de recolhimento dos 10 gramas mínimos de rochas na superfície de Fobos e os sobrevoos em Deimos, a espaçonave iniciará a viagem de volta ao nosso planeta. No encerramento da missão, previsto para o ano de 2031, a cápsula lacrada com as amostras vai se separar do módulo de retorno da sonda e descerá na Área Proibida de Woomera, no sul da Austrália, onde as equipes científicas farão o resgate para dar início às análises em terra.
