Golfinhos usam esponjas no focinho para caçar presas sem bexiga natatóriaPor Beatriz
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Golfinhos arrancam esponjas marinhas no leito do oceano e as fixam na ponta do focinho para caçar presas escondidas em fendas rochosas. O método protege o tecido facial contra cortes provocados por pedras afiadas e corais quebrados. Pesquisadores documentaram o hábito em populações selvagens de golfinho-nariz-de-garrafa em Shark Bay, baía situada na costa da Austrália Ocidental.
A técnica funciona como um amortecedor mecânico para a pele sensível da cabeça, exposta ao atrito com fragmentos calcários durante a escavação. Sem a cobertura natural, o contato contínuo com superfícies ásperas provocaria lesões profundas e aumentaria a vulnerabilidade a infecções bacterianas.
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Esponja marinha protege o focinho de cortes em Shark Bay
O fundo marinho da região australiana concentra cascalho pontiagudo e restos de estruturas coralíneas rígidas. Ao revestir o focinho cônico com a esponja, o mamífero ganha proteção suficiente para remexer os sedimentos sem interromper o forrageamento.
A estrutura vegetal serve de luva protetora anatômica durante o deslocamento rente às pedras. Esse escudo permite que o animal mantenha a integridade física mesmo após horas dedicadas à sondagem de cavidades estreitas.
Peixes sem bexiga natatória escapam da ecolocalização
As presas bentônicas procuradas pelo golfinho vivem enterradas no cascalho e apresentam alto valor nutritivo em lipídios e proteínas. A maioria dos peixes oceânicos possui bexiga natatória com ar, órgão que devolve os ecos emitidos pelo sonar biológico do predador.
No fundo rochoso, os peixes camuflados não possuem essa cavidade aérea interna. As ondas sonoras do cetáceo atravessam o corpo da presa sem gerar o retorno acústico habitual. O contato tátil direto torna-se o único recurso viável para desalojar esses animais do substrato.
Conhecimento tradicional passa de mães para filhotes
A prática do uso de ferramentas no mar é repassada quase exclusivamente por linhagem materna. As fêmeas passam anos ao lado das crias, ensinando como selecionar esponjas cônicas adequadas e como manusear o objeto no relevo marinho.
Fêmeas jovens aprendem a tarefa e a perpetuam ao longo da vida reprodutiva. Os machos abandonam o costume na fase adulta para concentrar tempo na formação de alianças sociais com outros indivíduos do grupo.















