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O dinossauro Eoneophron infernalis foi identificado por pesquisadores norte-americanos a partir de fósseis de membros posteriores de 66 milhões de anos preservados na formação geológica Hell Creek, nos Estados Unidos. O animal media cerca de um metro de altura na cintura, pesava por volta de 78 quilos e possuía bico desprovido de dentes semelhante ao de aves modernas.

A descoberta foi liderada pelo paleontólogo Kyle Atkins-Weltman, pesquisador da Universidade Estadual de Oklahoma. Os ossos estudados estavam guardados no Museu Real de Ontário, no Canadá, e haviam sido catalogados anteriormente como pertencentes a um indivíduo jovem de Anzu wyliei, réptil da mesma família conhecido popularmente como galinha do inferno.

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Fóssil guardado no museu revela espécie inédita

Análises detalhadas dos anéis de crescimento ósseo conduzidas pela equipe científica revelaram que os restos pertenciam a um exemplar adulto e plenamente desenvolvido. Essa constatação anatômica confirmou a existência de uma linhagem distinta da família Caenagnathidae, que coexistiu no mesmo ecossistema com parentes de porte substancialmente maior.

O animal era menor que o Anzu wyliei. O Anzu alcançava até três metros de comprimento e superava os 250 quilos. O recém-descrito Eoneophron possuía pernas esguias adaptadas para locomoção ágil, plumagem no corpo e bico rígido voltado a uma dieta onívora.

Adaptações corporais e semelhança com aves

O crânio do animal não continha dentes e apresentava formato curvado comparável ao de papagaios. Essa formação anatômica permitia a ingestão de pequenos vertebrados, ovos, sementes e brotos vegetais. O formato dos ossos do tornozelo e dos pés indica capacidade para corridas rápidas pelas planícies fluviais que cobriam a América do Norte no fim do período Cretáceo.

Pesquisadores batizaram o gênero de Eoneophron como uma homenagem combinada à ave abutre-do-egito e ao termo grego para amanhecer. O epíteto específico infernalis faz referência à região geológica de Hell Creek, em Dakota do Sul, local de retirada da rocha sedimentar que abrigava a peça.

Infernogallus jamesi - Reprodução/Comunicações da Natureza
Infernogallus jamesi – Reprodução/Comunicações da Natureza

Diversidade ecológica antes do impacto cósmico

A identificação de mais um predador de médio porte traz dados relevantes sobre a estabilidade ambiental antes do choque do asteroide de Chicxulub. O impacto cósmico extinguiu três quartos da vida no planeta há 66 milhões de anos. O achado contesta hipóteses prévias de que os dinossauros já enfrentavam declínio severo de diversidade biológica antes da catástrofe.

Os depósitos sedimentares mostram que três espécies diferentes de cenagnatídeos habitaram a mesma bacia geográfica em escalas de tamanho complementares. Uma equipe internacional de paleontólogos planeja escavações adicionais em afloramentos do estado de Dakota do Norte para localizar fragmentos cranianos do animal.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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