Osteoporose já atinge 10 milhões de brasileiros sem sintomasPor Luís Pereira
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Cerca de 10 milhões de brasileiros convivem com a osteoporose, doença que reduz a massa óssea sem dar sinais no início. A estimativa é da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), citada por médicos e entidades após o Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, celebrado na terça-feira (20). A doença atinge principalmente mulheres.
Como a perda de resistência avança sem dor, a enfermidade costuma ser descoberta só depois de uma fratura. Até 80% dos pacientes que sofrem essa lesão seguem sem diagnóstico e sem tratamento para a condição que causou o problema.
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Dados que mostram a fragilidade dos ossos no país e no mundo
Os levantamentos da IOF e da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), divulgados em outubro de 2026, medem o tamanho do problema. Eles também mostram que a população quase não faz rastreamento preventivo.
- Ocorrências por ano: cerca de 400 mil fraturas por fragilidade óssea registradas no Brasil.
- Diagnóstico antes da primeira lesão: apenas 20% dos pacientes.
- Risco de nova fratura: aumento de 86% para quem já teve uma lesão anterior, com maior perigo nos dois primeiros anos.
- Vida inteira no mundo: 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens acima dos 50 anos terão alguma fratura ligada à osteoporose.
- Pós-menopausa: a condição atinge de 14% a 29% das mulheres acima dos 50 anos e chega a 73% das que têm mais de 80 anos.
Por que a perda óssea passa despercebida e atinge mais mulheres
A reumatologista Marcia Veloso Kuahara, da AMA Especialidades Jardim São Luiz, unidade gerenciada pelo Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), afirmou que a ausência de dor cria uma falsa sensação de segurança. Segundo ela, isso atrasa a procura por exames clínicos. A médica explicou que o osso se renova o tempo todo, e que, com a idade e as mudanças hormonais, a perda do mineral passa a ser mais rápida que a formação de tecido novo.
Nas mulheres, o risco cresce de forma acentuada após a menopausa, quando a produção de estrogênio cai bruscamente. Esse hormônio protege e fortalece o osso, por isso médicos recomendam atenção ao esqueleto feminino a partir dos 40 anos, fase em que começa a transição hormonal. Diminuição da altura e aumento da curvatura das costas são sinais que pedem avaliação, pois podem indicar fraturas silenciosas nas vértebras.
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O ortopedista José Luis Amim Zabeu, coordenador da Ortopedia do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), afirmou que quem tem fatores de predisposição deve buscar orientação médica mesmo sem nunca ter caído. Para quem já sofreu uma fratura, ele disse que não se deve esperar outra lesão para investigar a saúde óssea.
Expectativa para 2030 e o tratamento disponível pelo SUS
Um relatório da IOF, somado a projeções analisadas pela SBR com participação da reumatologista Vera Lucia Szejnfeld, membro da Comissão de Doenças Osteometabólicas e Osteoporose da entidade, indica que as fraturas por fragilidade podem subir até 60% até 2030. O envelhecimento da população explica boa parte desse aumento, já que o grupo com mais de 60 anos deve passar de 33 milhões para mais de 40 milhões de pessoas no mesmo período.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) divulgou orientações sobre o atendimento gratuito a quadros graves no Sistema Único de Saúde (SUS). Pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, a rede pública oferece o romosozumabe, medicamento biológico injetável que estimula a formação óssea. Ele é indicado para mulheres na pós-menopausa com risco muito alto de fraturas e falha em tratamentos anteriores.
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Como confirmar a doença e reduzir o risco no dia a dia
O diagnóstico começa na consulta, com a análise clínica do paciente, e é confirmado pela densitometria óssea. Trata-se de um exame radiológico de baixa dose que mede a concentração de minerais nas regiões do esqueleto mais sujeitas a quebras. O profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício, disse que o treinamento resistido ajuda a preservar a estrutura óssea, pois os ossos respondem aos estímulos mecânicos. Ele ressaltou que o treino deve respeitar o histórico e a individualidade de cada aluno.
Kuahara afirmou que treinos intensos e o uso de suplementos não devem ser iniciados por conta própria. Segundo a médica, a indicação de cálcio e vitamina D exige exames que avaliem a função renal, cardíaca e metabólica de cada paciente. Ela disse que não existe conduta padronizada ou milagrosa para a saúde dos ossos.
- Público indicado para a densitometria: mulheres a partir dos 65 anos, homens a partir dos 70 anos e pessoas mais jovens com fatores de risco ou fratura por baixo impacto.
- Fatores de estilo de vida e genética: histórico familiar, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e baixa ingestão diária de cálcio e vitamina D.
- Fatores clínicos: uso prolongado de corticoides, cirurgia bariátrica prévia e quimioterapia.
- Base nutricional: dieta com proteínas e cálcio adequados, somada à exposição solar moderada para a produção de vitamina D.
- Prevenção de quedas em casa: retirar tapetes soltos, melhorar a iluminação e instalar barras de apoio no banheiro.
Quando a osteoporose já está instalada ou houve fratura por trauma leve, o médico pode indicar medicamentos específicos e, em casos selecionados, terapia hormonal. Zabeu afirmou que exercícios, alimentação e prevenção de quedas fazem parte do cuidado, mas não substituem os tratamentos específicos. Ele disse que o acompanhamento médico permite avaliar a resposta ao tratamento e ajustar as orientações a cada pessoa.
















