Ataque hacker à Binance faz corretora suspender saques e congelar US$ 2,54 biPor Luís Henrique Costa
5 min de leitura
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A Binance informou ter congelado US$ 2,54 bi em ativos digitais após uma suspeita de ataque hacker às suas carteiras. Na noite de quinta-feira (29), por volta das 20h30 de Brasília, segundo a empresa, a corretora também suspendeu temporariamente saques e depósitos.
A suspensão é uma medida de precaução enquanto a equipe verifica a segurança, congela fundos e colabora com as autoridades. A empresa afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e serão cobertos caso seja preciso, e que a operação nos Estados Unidos não foi afetada.
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Emissoras de stablecoins travam 93% dos fundos congelados
A Tether informou ter congelado mais de US$ 1,567 bi em USDT, e o CEO Paolo Ardoino disse que o bloqueio se refere a um possível ataque à Binance. Jeremy Allaire, CEO da Circle, afirmou que a empresa bloqueou mais de US$ 800 milhões em USDC. Juntas, Tether e Circle somam US$ 2,37 bi, cerca de 93% do total congelado, porque quase todo o montante era de stablecoins, criptomoedas atreladas ao dólar.
O bloqueio depende de quem emite a moeda. Bitcoin, ether e TRX não têm emissor com poder de bloqueio, por isso ativos dessas moedas que saíram das carteiras não podem ser congelados pelo emissor. USDT e USDC só puderam ser travados porque Tether e Circle emitem essas stablecoins e conseguem bloquear endereços na própria rede. Esse ponto ajuda a explicar por que o total congelado parou em US$ 2,54 bi, mesmo com estimativas de desvio bem maiores.
Investigação ainda não confirma roubo nem prejuízo total
A Binance investiga o caso em conjunto com autoridades policiais, empresas de inteligência em blockchain e parceiros do setor. A companhia não confirmou formalmente um roubo bem-sucedido nem divulgou o prejuízo total. O fundador Changpeng Zhao, que deixou a gestão diária da empresa e segue como principal acionista, afirmou: “Parece mesmo que houve um ataque hacker à Binance”. Análises da Chainalysis e da TRM Labs apontam o grupo norte-coreano TraderTraitor como possível autor, mas a Binance não se manifestou oficialmente sobre o responsável.
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O valor de US$ 1,8 bi circulou publicamente, mas a própria Binance disse que o número é divergente e não representa o total verificado. Estimativas de quanto saiu das carteiras mudaram ao longo do dia, sem confirmação da corretora, e uma reportagem citou a soma de US$ 5,61 bi listada por um rastreador. Zhao estimou perdas de um pouco mais de US$ 1 bi, em tradução livre do inglês. Em fevereiro de 2025, a Bybit sofreu roubo de US$ 1,5 bi atribuído a hackers ligados à Coreia do Norte, até então o maior ataque desse tipo. Segundo uma reportagem, a Binance tem 15 mil bitcoins no fundo de emergência SAFU, criado em 2018, menos que os cerca de 17 mil BTC apontados por rastreadores, leitura de terceiros que a corretora não confirmou.
Clientes sem data para sacar cripto e com Alpha parada
Enquanto os saques seguem parados, quem tem cripto na plataforma não consegue transferir os ativos para outra carteira. A Binance disse que as retiradas só serão retomadas depois que o problema de segurança estiver totalmente resolvido, e não informou nenhuma data.
- Saques e depósitos: suspensos desde a noite de quinta-feira (29)
- Negociação de Alpha, incluindo a compra instantânea: interrompida
- Operação nos Estados Unidos: não afetada, segundo a empresa
- Recursos dos clientes: seguros e cobertos caso seja necessário
Binance pede licença ao Banco Central no fim do prazo
A Binance protocolou pedido para funcionar como prestadora de serviços de ativos virtuais (PSAV), informou o diretor-geral da empresa no Brasil, Thiago Sarandy. PSAV é a sigla para as empresas que prestam serviços com ativos virtuais e precisam de autorização do Banco Central para operar. O prazo geral termina nesta sexta-feira (30), 270 dias depois da entrada em vigor da Resolução BCB nº 520. Sarandy classificou as exigências do BC como duras demais para o cronograma imposto.
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Além da Binance, já protocolaram pedidos as corretoras Mercado Bitcoin, Ripio, Bybit e OKX, segundo levantamento sobre o tema. Quem protocolou no prazo segue operando até a decisão do Banco Central, que ainda não tem prazo fixado para analisar os pedidos. Já as empresas sem pedido precisam encerrar os serviços regulados, e a regra que limita a atuação dos bancos com exchanges não autorizadas entra em vigor em novembro, conforme as datas a seguir.
- 2 de fevereiro de 2026: entram em vigor as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521
- 30 de outubro de 2026: fim do prazo de 270 dias para protocolar o pedido de autorização
- 6 de novembro de 2026: bancos passam a atender apenas prestadoras autorizadas
- 29 de novembro de 2026: último dia para empresas sem pedido interromperem serviços
A Binance ainda não confirmou o total final do desvio, o responsável pelo ataque nem a data de retomada dos saques. A investigação segue em andamento.















