Anac fixa regras de 2026 para power banks em voos: limite de 100 WhPor Carolina Costa
5 min de leitura
![]() |
Um power bank explodiu dentro de um avião da Latam que seguia de São Paulo (SP) para Brasília (DF). A tripulação precisou fazer um pouso de emergência em Ribeirão Preto (SP) para garantir a segurança de todos a bordo. O caso não deixou feridos graves, mas reacendeu o alerta sobre os riscos de levar aparelhos com bateria de íon de lítio na cabine.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reforçou as normas para esse tipo de equipamento. Em 24 de abril de 2026, a agência publicou no Diário Oficial da União uma portaria que revisa regras antigas e incorpora as especificações da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci).
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Entender essas regras ajuda o viajante a usar o aparelho sem correr riscos. Organizar bem a bateria e respeitar a capacidade máxima reduz a chance de problemas durante o voo, o que protege a operação e quem está a bordo.
Bagagem de mão é o único lugar permitido para o power bank
A regra da Anac para carregadores portáteis e baterias extras é dura. Nenhum desses itens pode ir no porão, sem exceção. A proibição existe porque é difícil alcançar e apagar um incêndio em um compartimento de carga durante o voo.
Por isso, o power bank precisa ficar na bagagem de mão, sempre com o passageiro. Pela portaria de 2026, cada pessoa pode levar no máximo dois aparelhos. O item também não pode ser guardado no compartimento superior.
Faixas de 100 Wh e 160 Wh definem quem precisa de aprovação
Power banks de até 100 Wh podem embarcar sem autorização prévia da companhia aérea. Modelos entre 100 Wh e 160 Wh só entram com aprovação da empresa, obtida antes da viagem. Acima de 160 Wh, o transporte é proibido e o item precisa ser descartado antes do embarque.
A Anac ainda exige que os terminais fiquem protegidos contra curto-circuito. Para isso, vale manter o aparelho na embalagem original, isolar os polos com fita adesiva ou guardar cada bateria em saco plástico ou estojo separado. Também é proibido recarregar o aparelho dentro da aeronave, e a agência recomenda não usá-lo para carregar celular ou tablet durante o voo.
A agência mede a capacidade em Wh, mas muitos fabricantes informam o valor em mAh (miliampère-hora). Como referência, 100 Wh equivalem a cerca de 27.000 mAh, valor que cobre a maioria dos power banks comerciais.
Calor, quedas e produto sem qualidade estão entre as causas de falha
A cabine pressurizada de um avião não aumenta a chance de uma bateria de íon de lítio explodir. Para especialistas em engenharia elétrica e segurança de produtos eletrônicos, as falhas costumam vir de fatores externos que comprometem a estrutura do componente.
Entre as causas mais comuns estão as quedas e os fortes impactos, que podem danificar a estrutura interna e provocar curto-circuito. A exposição a temperaturas elevadas também pesa, porque acelera reações químicas e pode levar à chamada fuga térmica, quando o calor sobe sem controle.
A qualidade do produto faz diferença. Baterias feitas com materiais inferiores ou sem mecanismos de proteção falham com mais facilidade, por isso a recomendação é escolher produtos certificados e de marcas conhecidas.
A capacidade em Wh não aumenta a chance de incêndio, mas define a gravidade do evento. Quanto mais energia armazenada, mais intenso e difícil de controlar será o fogo, o que exige ação rápida da tripulação.
Selo da Anatel indica que o power bank passou por testes de segurança
A homologação feita pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) funciona como garantia de qualidade para o consumidor. Um aparelho com o selo passou por testes de resistência a variações de temperatura e de eficiência dos circuitos contra sobrecarga e curto-circuito. O selo indica que o produto segue as normas brasileiras de segurança.
Produtos sem homologação costumam custar menos, o que atrai compradores, mas podem faltar componentes de proteção ou usar materiais de qualidade inferior. Esses modelos tendem a esquentar mais e a falhar de forma grave. A orientação é desconfiar de ofertas muito vantajosas e checar procedência e certificação antes da compra.
Episódios com power banks em voos se repetiram em 2025 pelo mundo
Em março de 2025, um carregador de celular pegou fogo dentro da cabine de um voo em Hong Kong, e outros viajantes usaram água para apagar as chamas. Em agosto de 2025, um voo que saiu de São Paulo com destino a Amsterdã teve princípio de incêndio e fumaça na cabine, depois que um carregador portátil entrou em combustão. Em outubro de 2025, uma bateria de lítio explodiu em um voo da Air China, mas a tripulação conteve a situação. Nos três casos, a ação imediata da tripulação ou de passageiros foi determinante para conter o fogo.
Consultar a companhia aérea antes do embarque evita problemas
Antes de sair de casa, o passageiro deve verificar as regras da companhia aérea, porque algumas empresas podem adotar exigências mais rígidas. A Anac orienta consultar a empresa com antecedência, sobretudo quando o power bank tiver entre 100 Wh e 160 Wh. Ao comprar, dê preferência a produtos certificados pela Anatel e de fabricantes conhecidos.















