Insegurança alimentar: mulheres chefes de família no Rio têm mais risco de obesidadePor Manuela
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Mulheres chefes de família que vivem com insegurança alimentar no Rio de Janeiro têm risco quase três vezes maior de desenvolver obesidade do que mulheres em domicílios com alimentação garantida. A conclusão faz parte de um estudo de pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os dados também mostram que o mesmo efeito sobre o peso não aparece entre os homens que passam por situação parecida.
Em publicação divulgada em 2 de outubro de 2026, as autoras afirmaram que “A insegurança alimentar tem se caracterizado como um fator de risco para obesidade entre as mulheres. E curiosamente o mesmo não acontece entre os homens”. Para elas, a desigualdade de gênero amplia os danos nutricionais nos lares chefiados por mulheres, tanto na qualidade quanto na quantidade das refeições.
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Diferença entre mulheres e homens no peso em lares sem comida garantida
Entre os homens chefes de família analisados, a relação entre os níveis de insegurança alimentar e o sobrepeso ou a obesidade não teve significância estatística. Para as pesquisadoras, o quadro confirma uma vulnerabilidade acentuada entre as mulheres, que convivem com a falta contínua de recursos para manter uma alimentação regular e equilibrada em casa.
Quanto mais grave a falta de comida no domicílio, mais altos ficam os índices de excesso de peso. Em artigo publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública em 6 de julho de 2026, as pesquisadoras detalharam: “Pelos resultados, observamos que as prevalências de sobrepeso (38,7%) e obesidade (32,3%) foram significativamente maiores entre mulheres de famílias com formas mais severas da insegurança alimentar”.
O cálculo de risco relativo ajustado indicou que as mulheres com restrição alimentar leve tinham probabilidade quase três vezes maior de obesidade (razão de risco relativo de 2,8) do que as que viviam em segurança plena. Já entre as mulheres em situação moderada ou grave, a frequência de sobrepeso foi 76% superior à das moradoras de lares com oferta regular de alimentos.
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Entrevistas em casa e critérios para escolher os participantes
As conclusões vieram de entrevistas domiciliares presenciais feitas na capital fluminense com as pessoas que cuidam da compra e do preparo das refeições em casa. Gestantes foram excluídas para evitar distorções no índice de massa corporal provocadas pela gravidez.
Para separar os lares por grau de restrição, a equipe aplicou a escala oficialmente validada no país desde 2004. O instrumento classifica a segurança alimentar em faixas de insegurança leve, moderada e grave.
O trabalho foi conduzido no Instituto de Nutrição Josué de Castro da UFRJ pela professora associada Aline Alves Ferreira, pela doutoranda em Saúde Coletiva Luana Teixeira Ghiggino, integrante do Grupo Interdisciplinar de Estudos em Segurança Alimentar e Nutricional (GISAN), pela professora titular Rosana Salles da Costa e pela pesquisadora Talita Barbosa Domingos. A investigação recebeu financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
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Número de participantes, período de coleta e escala usada no Rio
- População avaliada: 1.026 responsáveis por domicílios, adultos de 20 a 59 anos, no município do Rio de Janeiro
- Período de coleta de campo: novembro de 2023 a janeiro de 2024
- Instrumento de classificação: Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), com 14 perguntas de resposta sim ou não
Quadro nacional de fome e avanço da obesidade nas capitais
No país, a vulnerabilidade é ampla. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2023 apontaram 21,6 milhões de brasileiros com algum grau de insegurança alimentar, entre eles 3,2 milhões em insegurança alimentar grave, quando há fome.
A obesidade também avança nas capitais. O levantamento Vigitel 2024 registrou taxa de 25,7% de adultos com obesidade, sendo 26,7% entre mulheres e 24,4% entre homens, ante 11,8% em 2006. Pessoas com sobrepeso ou obesidade ligados à vulnerabilidade social podem buscar avaliação e acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS).
As informações do inquérito municipal alimentam o debate sobre ações assistenciais por território. As autoras defendem estratégias de longo prazo para conter o sobrepeso entre mulheres de menor renda, acompanhando a alimentação nos bairros do Rio nos próximos anos.















