Arthur Lira vence eleição ao Senado por Alagoas com 948.703 votos em 2026Por Luís Henrique Costa
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Arthur Lira (PP-AL), deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, terá uma cadeira no Senado Federal a partir de 2027. Ele foi eleito por Alagoas em 4 de outubro de 2026 e deve ganhar peso nas conversas que vão definir o comando da Casa, marcado para fevereiro de 2027. Aliados avaliam que ele derrotou nas urnas o senador Renan Calheiros (MDB-AL), seu adversário histórico no estado.
Apesar da expectativa de influência, Lira descartou a intenção de concorrer à presidência do Senado em 2027. Em entrevista um dia após o primeiro turno, ele afirmou que a ideia “não passa na minha cabeça”. Aliados do senador eleito avaliam que ele atuará diretamente na reorganização política da Casa, mas podem deixar uma disputa própria para 2029. Em análise publicada em 30 de outubro de 2026, a jornalista Tereza Cruvinel avaliou que o nome de Lira aparece como alternativa a Davi Alcolumbre.
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Derrota de Renan Calheiros encerra 32 anos de mandatos em Alagoas
Com 948.703 votos, Lira ficou com a primeira vaga ao Senado por Alagoas, o equivalente a 28,87% dos votos válidos do estado. A segunda cadeira ficou com Marina JHC (PSDB-AL), que somou 926.860 votos. Renan Calheiros terminou em terceiro lugar, com 731.045 votos (22,24% dos válidos), e não conseguiu renovar o mandato.
O resultado encerra uma trajetória contínua de 32 anos de Renan Calheiros no Senado Federal, ao longo de quatro mandatos seguidos. A derrota dele coincide com a queda de outras lideranças nacionais no pleito de 2026, como Ciro Nogueira (PP-PI), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Esperidião Amin (PP-SC). Para o equilíbrio entre as bancadas em Brasília, a mudança amplia o espaço de negociação de Lira. Na presidência da Câmara, ele atravessou os governos de Jair Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou da aprovação da Reforma Tributária e atuou para eleger seu sucessor, Hugo Motta (Republicanos-PB), que reuniu apoio do PT ao PL no início de 2025.
Alcolumbre e Marinho medem forças pela presidência do Senado
A eleição da Mesa Diretora ocorre por voto secreto e exige maioria absoluta de 41 votos entre os 81 senadores, para um mandato de dois anos. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) já comandou a Casa entre 2019 e 2021 e foi reeleito em 1º de fevereiro de 2025 com 73 votos, para o biênio 2025-2027. Ele busca apoio para continuar no cargo a partir de fevereiro de 2027, enquanto a oposição prepara uma candidatura própria para barrá-lo.
Para garantir o apoio do PT, Alcolumbre voltou a conversar com Lula em agosto de 2026, depois de meses de desgaste e da rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). No fim de agosto, ele e Hugo Motta se encontraram com Lula no Palácio da Alvorada para fixar prioridades legislativas, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança e o fim da escala 6×1. Lula foi reeleito no segundo turno, em 25 de outubro de 2026.
Do outro lado, o PL, que elegeu 19 dos 54 senadores em disputa no pleito de outubro, terá a maior bancada da Casa a partir de 2027. O partido pretende lançar Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato no segundo turno. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda apoiará Marinho e descartou aval à recondução de Alcolumbre. A deputada federal e senadora eleita por Santa Catarina Carol De Toni (PL-SC) também se declarou contra um eventual apoio do partido ao atual presidente.
PL tem bancada de 28 senadores, mas precisa do Centrão para vencer
A bancada do PL soma 28 senadores, número que pode crescer com a posse do suplente Alex Diniz (PL), na vaga de Cleitinho (Republicanos). Ainda assim, o partido não chega sozinho ao quórum necessário para vencer a disputa. A Mesa Diretora tem um presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários titulares e quatro suplentes. Por isso, o comando depende de acordos com PP, União Brasil, MDB e Republicanos, além do Centrão, bloco informal de partidos sem alinhamento ideológico fixo. As negociações devem se intensificar após o segundo turno das eleições presidenciais.
Até agora, Lira afirma não ter interesse na disputa e não anunciou posição sobre uma eventual recondução de Alcolumbre. Segundo a análise de Tereza Cruvinel, circulam nos bastidores informações sobre um possível desgaste público de Alcolumbre por relações com pessoas citadas em investigações. A eleição para a presidência do Senado será em fevereiro de 2027, quando os parlamentares eleitos em outubro tomarão posse.














