Laudo falso contra Boulos: filhas de médico falecido denunciam uso indevido da assinatura do paiPor Jeronimo Santos
Atualizado 4 min de leitura
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Um caso de falsificação agitou o cenário político neste sábado, 5 de outubro de 2024, quando as filhas do médico José Roberto de Souza desmentiram o candidato Pablo Marçal (PRTB). Marçal divulgou um laudo médico que supostamente acusaria Guilherme Boulos de uso de cocaína, mas a assinatura presente no documento foi apontada como falsa pelas filhas do médico, que faleceu em 2022. Aline Souza, uma das filhas, declarou que seu pai jamais trabalhou na clínica mencionada por Marçal e que o uso de sua assinatura é “absurdo”.
O laudo, divulgado por Marçal em suas redes sociais na noite anterior, gerou indignação pública e mobilização nas redes. Aline Souza afirmou em vídeo que o pai, falecido em decorrência de Covid-19, nunca atuou na clínica indicada e que o documento é uma falsificação grosseira. Sua irmã, Carla Maria de Oliveira e Souza, revelou ter sido acordada por um oficial de justiça para analisar a assinatura falsa, e ambas estão tomando medidas legais contra Marçal.
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A denúncia das filhas
Aline e Carla Souza foram categóricas em suas declarações, explicando que o pai sempre trabalhou em Campinas e nunca em São Paulo, onde a clínica indicada por Marçal está localizada. Carla relatou que, devido a problemas de saúde, não pôde atender o oficial de justiça, mas negou por mensagem que a assinatura fosse autêntica. Ambas estão processando Marçal pela falsificação.
O caso ganhou proporções ainda maiores quando um juiz eleitoral determinou a remoção dos posts de Marçal nas redes sociais. A Justiça Eleitoral já havia concedido uma liminar no sábado, ordenando a retirada do conteúdo.
Impacto da acusação
O caso gerou revolta nas redes sociais e coloca o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, no centro de uma batalha judicial e política. Boulos rebateu as acusações imediatamente, afirmando que no dia em que o laudo aponta sua suposta internação, ele estava em São Paulo distribuindo cestas básicas em uma comunidade. Além disso, a defesa de Boulos já indicou que a divulgação do laudo é uma tentativa desesperada de calúnia por parte de Marçal.
A fake news gerada por essa acusação falsa já começou a ser investigada pelas autoridades eleitorais. Marçal, por sua vez, se defendeu dizendo que apenas divulgou o documento, mas não assumiu responsabilidade pela sua autenticidade.
Repercussão pública
A acusação, embora grave, gerou um efeito contrário para Marçal. A indignação popular, somada à ação rápida das filhas do médico, expôs a tentativa de fraude que rapidamente se tornou um escândalo político. O juiz Rodrigo Marzola Colombini ordenou que Marçal apagasse os conteúdos das suas redes sociais, o que ele fez nas horas seguintes.
Este episódio traz à tona novamente a questão das fake news no Brasil, especialmente durante as campanhas eleitorais. A prática de utilizar documentos falsos e acusações infundadas para desacreditar adversários é uma tática recorrente, que enfrenta crescente oposição da Justiça Eleitoral.
Consequências jurídicas e políticas
Com as filhas do médico já movendo ações judiciais contra Marçal, a expectativa é que ele enfrente processos tanto na esfera civil quanto eleitoral. Além disso, Marçal poderá ser enquadrado por disseminação de fake news, uma prática que já rendeu diversas cassações de candidaturas no país. A repercussão desse caso pode ser devastadora para suas chances na eleição e para sua imagem pública, já prejudicada por outros escândalos anteriores.
O falso laudo médico não apenas manchou a reputação de Marçal, mas também trouxe à tona o debate sobre a importância da verificação de informações durante campanhas eleitorais, especialmente em tempos de polarização política.
A indignação das filhas do médico
Carla Souza, em um depoimento emocionado, classificou Marçal como “mentiroso patológico” e disse que ele ultrapassou todos os limites. A médica Aline Souza também reforçou que o uso do nome e assinatura do pai é uma afronta à memória dele, já que ele sempre foi respeitado por sua ética profissional.
Este episódio pode ser decisivo para o futuro de Marçal na política. Além de enfrentar a ira popular e a batalha judicial, o escândalo pode se tornar um marco no combate à desinformação nas eleições brasileiras.















