A Agência Espacial Europeia (ESA) confirmou nesta quinta-feira (27) que um astronauta italiano participará das missões tripuladas ao solo lunar previstas para o fim da década no âmbito do programa Artemis, em parceria com a Nasa.
Três europeus estão garantidos nas tripulações que pousarão na Lua: um italiano, um francês e um alemão. Até hoje, apenas 12 norte-americanos pisaram no satélite natural da Terra durante o programa Apollo, encerrado em 1972.
A confirmação foi feita durante anúncio oficial em Roma pelo presidente da Agência Espacial Italiana (ASI), Teodoro Valente, que destacou o reconhecimento à capacidade técnica do país no setor espacial.
Parceria entre Nasa e ESA avança
A Itália integra o programa Artemis desde o início como um dos principais contribuintes europeus.
O país responde por parte significativa do desenvolvimento do módulo de serviço europeu (ESM) da cápsula Orion e do futuro módulo habitacional I-Hab para o Gateway, a estação lunar em construção.
- Contribuição italiana inclui sistemas de propulsão e controle térmico da Orion
- Módulo I-Hab será fabricado pela Thales Alenia Space em Turim
- Investimento italiano supera 1 bilhão de euros no programa lunar até 2030
Candidatos italianos mais cotados
Luca Parmitano e Samantha Cristoforetti surgem como os nomes mais prováveis para a missão histórica.
Parmitano, coronel da Força Aérea Italiana, já comandou a Estação Espacial Internacional (ISS) em 2019 e acumula 366 dias no espaço em duas missões longas. Cristoforetti, também da Força Aérea, detém o recorde europeu feminino de permanência contínua no espaço com 370 dias acumulados.
Ambos pertencem ao corpo de astronautas da ESA selecionado em 2009 e passaram por treinamento avançado para operações lunares.
Cronograma das próximas missões Artemis
A missão Artemis 2, marcada para setembro de 2026, fará o primeiro voo tripulado da cápsula Orion ao redor da Lua, mas contará apenas com astronautas norte-americanos e um canadense.
Artemis 3, prevista para 2027 ou 2028, realizará o primeiro pouso tripulado no polo sul lunar desde 1972 e incluirá a primeira mulher e a primeira pessoa não-americana a pisar na superfície.
As missões Artemis 4 e 5, programadas para 2029 e 2030, usarão o Gateway e terão tripulações internacionais ampliadas, abrindo espaço para os três astronautas europeus confirmados.
Objetivo de presença permanente na Lua
O programa Artemis busca estabelecer bases sustentáveis no polo sul lunar, região rica em gelo d’água que pode ser convertido em oxigênio, água potável e combustível.
A presença italiana reforça a estratégia europeia de garantir participação ativa na exploração lunar e nas futuras missões a Marte planejadas para a década de 2030.
A seleção final dos astronautas que efetivamente pousarão na Lua será anunciada pela ESA nos próximos anos, após conclusão dos treinamentos específicos.
Contribuição italiana reconhecida internacionalmente
Teodoro Valente classificou o anúncio como mais um reconhecimento ao investimento italiano no setor espacial.
A ASI mantém acordos bilaterais com a Nasa desde os anos 1990 e participou da construção de três módulos pressurizados da ISS (Leonardo, Raffaello e Donatello).
A participação em missões lunares tripuladas coloca a Itália ao lado de Estados Unidos, Rússia e China como uma das poucas nações com astronautas em exploração além da órbita terrestre baixa.
Treinamento específico para operações lunares
Os candidatos europeus já iniciaram treinamento intensivo para uso do novo traje lunar xEMU da Nasa e para operações no ambiente de gravidade reduzida do polo sul lunar.
As simulações incluem caminhadas em terreno com regolito simulado e testes de coleta de amostras científicas em crateras permanentemente escuras.
A experiência acumulada por Parmitano e Cristoforetti em caminhadas espaciais e comando da ISS pesa a favor da escolha italiana.
