Uma pesquisa analisou imagens de ressonância magnética de coxas e encontrou mais infiltração de gordura entre as fibras musculares em pessoas que consomem maior proporção de ultraprocessados. O estudo envolveu participantes sem sinais visíveis de osteoartrite no joelho na época do exame. Os pesquisadores observaram que o padrão ocorreu independentemente da quantidade total de calorias ingeridas.
O trabalho fez parte do Osteoarthritis Initiative, uma iniciativa nacional para entender prevenção e tratamento da osteoartrite do joelho. Os autores pertencem ao grupo de pesquisa em imagem musculoesquelética da Universidade da Califórnia em San Francisco. Eles examinaram dados de 615 pessoas com idade média de 60 anos e índice de massa corporal médio de 27.
Gordura intramuscular compromete qualidade muscular
A gordura que se acumula dentro e entre as fibras musculares enfraquece o tecido. Ela atua como barreira ao crescimento e regeneração adequada das fibras. Músculos mais fracos reduzem a estabilidade da articulação do joelho e aumentam a carga mecânica sobre a cartilagem.
Os músculos da coxa são essenciais para sustentar o joelho durante o movimento. Qualquer perda de força ou tônus eleva o estresse na articulação, especialmente em pessoas com sobrepeso ou obesidade. A infiltração de gordura nos músculos da coxa indica processo sistêmico que pode afetar também panturrilhas, ombros e abdômen.
Estudo analisou participantes sem osteoartrite diagnosticada
Nenhum dos voluntários apresentava sinais de osteoartrite do joelho nas imagens no momento da avaliação. A média de idade era 60 anos e o índice de massa corporal médio indicava sobrepeso na faixa inicial. O consumo de ultraprocessados variou entre os participantes.
Em um caso ilustrado, uma mulher de 61 anos com cerca de 29% da dieta composta por ultraprocessados mostrou menor infiltração de gordura. Outra com 87% de ultraprocessados exibiu marbling intenso de gordura nas coxas, mesmo com índice de massa corporal semelhante. A comparação destacou que o percentual de ultraprocessados influenciou o resultado além de calorias ou atividade física relatada.
- Exemplos de ultraprocessados citados incluem cereais matinais industrializados, barras de chocolate, doces e refrigerantes comuns ou bebidas açucaradas engarrafadas.
- O consumo médio de ultraprocessados representa mais de 50% das calorias diárias em adultos nos Estados Unidos.
- Em crianças, o percentual sobe para 62% das calorias totais.
Músculos fracos elevam risco de osteoartrite
A osteoartrite do joelho afeta cerca de 375 milhões de pessoas no mundo. Mais da metade dos casos novos ocorre em indivíduos com menos de 55 anos, muitas vezes associada a obesidade. Músculos da coxa com qualidade reduzida por gordura predizem maior estresse articular ao longo do tempo.
Pesquisas anteriores do mesmo grupo já relacionavam força, qualidade e função muscular ao desenvolvimento da osteoartrite do joelho. A nova análise reforça que a infiltração de gordura pode ser um mecanismo intermediário. O estudo identificou associação forte, mas não estabeleceu causalidade direta entre ultraprocessados e a gordura muscular.
Fatores que influenciam a qualidade muscular
A redução da qualidade muscular por infiltração de gordura está ligada a desfechos negativos em diversas situações de saúde. Entre eles estão maior tempo de internação hospitalar, piores resultados cirúrgicos, complicações pós-operatórias e maior chance de recorrência tumoral em pacientes com câncer.
Especialistas destacam que a melhora da qualidade muscular é possível com exercício e alimentação baseada em alimentos minimamente processados. O processo tende a ser mais eficaz em pessoas mais jovens, mas benefícios ocorrem em qualquer idade. Exercícios de baixo impacto são preferíveis para proteger o joelho.
Recomendações para reduzir ultraprocessados e fortalecer músculos
Leitura atenta de rótulos ajuda a identificar e substituir produtos. Escolher iogurte natural com fruta fresca em vez de versões saborizadas industrializadas é uma troca simples. Incluir grãos integrais, vegetais, feijões, leguminosas e frutas frescas, congeladas ou enlatadas em água melhora a composição da dieta.
Bebidas açucaradas podem ser substituídas por água. Refeições preparadas em casa com ingredientes reais reduzem a dependência de fast-food. Para proteínas, priorizar fontes naturais evita barras e suplementos ultraprocessados que muitas vezes contêm alto teor de açúcar.
Exercícios como agachamentos contra a parede, subidas em caixa, elevações de perna em pé, abduções de coxa interna e elevações de panturrilha fortalecem os músculos ao redor do joelho. O elíptico e o treino com pesos também contribuem para ganhos de força sem alto impacto.
Limitações e próximos passos
Os pesquisadores não determinaram quanto tempo de consumo elevado é necessário para produzir os efeitos observados nos músculos. Também permanece aberta a questão de reversibilidade completa ao reduzir ultraprocessados. O estudo controlou variáveis como calorias totais, índice de massa corporal, fatores sociodemográficos e níveis de atividade física.
Outras pesquisas já associaram ultraprocessados a ganho de peso, obesidade, câncer, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, depressão e redução da expectativa de vida. A nova evidência direciona atenção para o impacto específico na qualidade muscular como fator de risco para problemas articulares.
