Jejum intermitente vence contagem de calorias e simplifica a perda de peso, revela nova pesquisa
Uma nova pesquisa da Universidade de Adelaide aponta que indivíduos com histórico de perda e ganho de peso podem encontrar no jejum intermitente uma alternativa mais simples e sustentável em comparação com a tradicional contagem de calorias.
O levantamento analisou não somente a diminuição de peso dos participantes, mas também investigou a influência das variadas estratégias dietéticas nos padrões de alimentação, no estado de espírito, na qualidade do sono e no bem-estar geral.
Os cientistas constataram que tanto o jejum intermitente quanto a restrição calórica constante resultaram em uma perda de peso similar. Contudo, os adeptos do jejum não reportaram a mesma exigência de monitoramento contínuo da ingestão de alimentos, evitando excessos ou a necessidade de calcular calorias para atingir seus objetivos.
Nova perspectiva psicológica na jornada de emagrecimento
Esta vivência contrastou significativamente com a dos indivíduos que optaram por uma dieta de restrição calórica. Esses últimos indicaram que o processo de emagrecimento demandou um esforço incessante para controlar deliberadamente a porção de comida consumida e resistir à vontade de comer em demasia. A dificuldade em manter o controle consciente é frequentemente o motivo pelo qual muitas dietas tradicionais falham a longo prazo, e os pesquisadores estimaram que essa maior sensação de controle foi responsável por aproximadamente 15% da perda de peso observada.
Mais sobre o assunto: Nutricionistas avaliam dieta coreana Switch-On e alertam para o perigo de promessas rápidas de emagrecimento sem base científica e com riscos à saúde
“Apesar de inúmeros regimes alimentares levarem à redução de peso, a adesão a eles pode ser árdua, dificultando a manutenção do peso alcançado a longo prazo”, explicou a professora Leonie Heilbronn, vinculada à Faculdade de Medicina da Universidade de Adelaide e ao Instituto de Pesquisa Médica e de Saúde da Austrália do Sul.
“As conclusões do nosso estudo sugerem que o jejum intermitente representa uma rota alternativa promissora para indivíduos que enfrentam desafios na adesão a métodos de emagrecimento convencionais”, complementou a pesquisadora.

Detalhes da metodologia que comparou três regimes alimentares
Mais de duzentos adultos diagnosticados com obesidade participaram deste ensaio clínico que durou 18 meses. Os envolvidos foram distribuídos de forma aleatória em três categorias distintas: um grupo seguiu o jejum intermitente, outro a restrição calórica contínua e um terceiro o tratamento padrão.
No mesmo tema: Alimentação e longevidade: cientistas reexaminam hábitos antigos em busca de uma saúde duradoura
Os participantes do grupo de jejum intermitente ingeriam 30% de suas necessidades energéticas diárias no período das 8h às 12h, em três dias não sequenciais por semana. Concluído esse intervalo de alimentação, eles iniciavam um jejum de 20 horas. Nos dias restantes da semana, mantinham sua alimentação rotineira.
Aqueles alocados para a restrição calórica contínua consumiram aproximadamente 70% de sua ingestão calórica habitual diariamente. Já o grupo de tratamento padrão preservou suas dietas de costume, recebendo, no entanto, conselhos sobre práticas alimentares saudáveis.
Resultados similares de peso com vivências distintas dos participantes
Depois de seis meses, os integrantes tanto do grupo de jejum intermitente quanto do de restrição calórica apresentaram uma perda média de aproximadamente sete quilos. Em contraste, os participantes que receberam o tratamento padrão perderam em torno de apenas dois quilos.
Os indivíduos de ambos os grupos que adotaram as dietas também reportaram melhorias significativas em quadros de depressão e na percepção geral de bem-estar, inclusive durante os dias dedicados ao jejum.
Saiba mais: Jejum intermitente: como funciona e 5 dicas para iniciantes em 2025
As descobertas, divulgadas na renomada revista Clinical Nutrition, indicam que o jejum intermitente e a restrição calórica podem impulsionar o emagrecimento por meio de distintos mecanismos psicológicos e comportamentais.
“Aspectos psicológicos e comportamentais exercem um impacto considerável na capacidade das pessoas de seguir planos alimentares. O jejum intermitente tem o potencial de auxiliar na perda de peso de formas menos ligadas à limitação consciente da ingestão de alimentos”, afirmou o professor Heilbronn.
Aprofundando a pesquisa sobre os impactos do jejum intermitente
Apesar da rápida ascensão na popularidade do jejum intermitente, os pesquisadores ressaltam que ainda há muito a ser compreendido sobre seus efeitos psicológicos e comportamentais a longo prazo, especialmente quando comparado a estratégias dietéticas mais convencionais.
“É fundamental que futuras investigações sejam delineadas para identificar aqueles que enfrentam obstáculos na melhoria de seus hábitos alimentares, visto que esses indivíduos poderiam se beneficiar mais de dietas baseadas no jejum intermitente, possibilitando um controle de peso mais customizado”, concluiu o professor Heilbronn.

















