Júri condena Fernando Bracero por homicídio ligado ao tráfico de drogas nos EUA
Um júri do Condado de Luzerne, nos Estados Unidos, considerou Fernando Bracero culpado de homicídio em primeiro grau. O veredito, alcançado após pouco mais de três horas de deliberação, ocorreu em um caso de assassinato que resultou de um roubo de drogas mal sucedido em South Wilkes-Barre, onde Bracero levou uma faca para a briga. Homicídio em primeiro grau implica que o crime foi premeditado ou cometido com extrema crueldade, resultando em uma das penas mais severas.
Bracero, de 32 anos, enfrentava julgamento pelo esfaqueamento fatal de Scott Knox, de 33 anos. O crime aconteceu em 7 de maio de 2024, após uma tentativa frustrada de roubo de crack.
Após a apresentação de depoimentos por três dias, os jurados debateram por mais de três horas, fazendo diversas perguntas e requisitando a análise das imagens de vigilância que registraram o ataque letal, antes de proferir a condenação contra Bracero pelo homicídio em primeiro grau.
No momento em que a presidente do tribunal anunciou o veredicto, a família de Knox expressou alívio e se abraçou no plenário. Bracero, por sua vez, não demonstrou reação ao resultado, que implica uma sentença obrigatória de prisão perpétua, a ser formalizada em uma data posterior, sem possibilidade de liberdade condicional.
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Depois de anunciado o veredicto, o juiz do Condado de Luzerne, David W. Lupas, dispensou o júri e marcou a data da sentença para 31 de agosto.
Durante as alegações finais realizadas na manhã de quinta-feira, o primeiro assistente do promotor distrital, Tony Ross, argumentou que as provas apresentadas, que incluíam vídeos de vigilância do esfaqueamento, amostras de DNA e testemunhos de diversas pessoas que presenciaram o ocorrido, demonstravam claramente que Bracero agiu sozinho ao sacar a faca e esfaquear Knox.
Ele detalhou que outros indivíduos envolvidos no ataque tinham a intenção de agredir um amigo de Knox, que tentou trocar crack por uma substância falsa em um assalto frustrado. Os demais só foram informados do assassinato mais tarde, quando Bracero, com um sorriso, retirou uma faca ensanguentada do bolso, conforme o promotor.
“O réu transformou essa agressão em homicídio”, declarou Ross, que atuou na acusação ao lado do promotor assistente Julian Truskowski. “Essa pessoa estava tentando matar, assim que a faca apareceu.”
O advogado de defesa Andrew Bigda, de Kingston, admitiu abertamente que Bracero sacou uma faca enquanto Knox era agredido em frente ao MofonLounge Mofongo Mocano, localizado na Academy Street, número 120.
Contudo, ele afirmou que Bracero esfaqueou Knox apenas no braço e no ombro, não sendo responsável pelo terceiro corte, este fatal, na coxa direita de Knox, que levou à sua rápida hemorragia e morte.
A defesa do promotor alegou que não foi possível provar que nenhum dos outros três acusados pelo ataque Jaime “OG” Knights, de 65 anos, Jary “G” Javier Fortuna, de 33 anos, e Justice “Millie” Flenory, de 25 anos também não estivesse portando uma faca.
“É especulação. Quem sabe se (os outros) tinham uma faca consigo? Simplesmente não se sabe”, disse Bigda ao júri.
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Ele também argumentou que a localização dos ferimentos de faca, nas extremidades de Knox, indicava que o agressor não tinha a intenção de matá-lo.
“Se você observar onde estão os ferimentos, verá que ele não estava tentando matar o cara. Ele estava mandando um recado”, afirmou Bigda. “Ele não teria feito mais se tivesse a intenção de assassinar Scott Knox?”
Bigda solicitou aos jurados que condenassem Bracero por homicídio culposo, em oposição à acusação de homicídio doloso em primeiro grau, que era a busca da promotoria.
A defesa conseguiu uma vitória parcial anteriormente no dia, quando o juiz Lupas aceitou uma moção para retirar as acusações de homicídio em segundo grau, roubo e conspiração para cometer roubo contra Bracero.
Bigda observou que, embora Knights tenha testemunhado anteriormente sobre sua intenção de revistar Knox em busca de dinheiro ou drogas após a agressão, Knox fugiu antes que isso pudesse ser concretizado. Além disso, não havia provas de que Knights tivesse discutido seus supostos planos com qualquer outra pessoa, argumentou ele.
O juiz concordou que Knights parecia estar descrevendo uma situação hipotética com seu “testemunho frágil”.
“Acho que as provas são lamentavelmente insuficientes”, declarou Lupas, rejeitando as acusações relacionadas ao roubo.
O júri foi encarregado de determinar se Bracero era culpado de homicídio em primeiro ou terceiro grau, ou de homicídio culposo.
Ross classificou como “ridícula” qualquer proposta de condenação por homicídio culposo, sustentando que as evidências apontavam claramente para homicídio doloso: Bracero era o único a portar uma faca e o único que esfaqueou Knox repetidamente.
Ele apresentou aos jurados uma fotografia impactante de Knox na varanda dos fundos da residência na South River Street, local onde a polícia o encontrou depois que ele buscou refúgio. Knox, quase inconsciente, estava sentado nos degraus da varanda, caído de joelhos e completamente coberto de sangue, da camisa aos pés.
Ross afirmou que a localização dos ferimentos não indicava contenção por parte de Bracero. Mais revelador, segundo ele, foi o número de vezes que Bracero atacou.
“Quantas vezes você precisa esfaquear alguém antes de poder dizer que havia uma intenção específica (de matar)?”, indagou Ross ao júri.
Neste mesmo caso, Jaime Knights já confessou ser culpado de homicídio em terceiro grau e aguarda a definição de sua pena, que pode chegar a um máximo de 40 anos de prisão. Esta pena contrasta significativamente com a prisão perpétua obrigatória imposta a Bracero, refletindo a diferença na gravidade das acusações e condenações.